18/09/2020 às 11h56min - Atualizada em 18/09/2020 às 15h38min

Câncer colorretal atinge 40 mil pessoas por ano e é o terceiro tipo mais comum na população geral

Os cânceres de próstata e de mama são muito lembrados pela população por serem frequentes, mas pouco se fala sobre o terceiro tipo mais comum: o câncer colorretal. Essa doença engloba os tumores malignos que acometem tanto o cólon (intestino grosso) quanto o reto, parte final do órgão. Para alertar a população sobre o tema, foi instituído o Setembro Verde, mês de conscientização desse tipo de câncer, que tem 40 mil novos casos por ano, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca).
 
Ricardo Carvalho, oncologista clínico da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, afirma que no Brasil são 20 novos casos a cada 100 mil habitantes. “Na última estimativa mundial, em 2018, tivemos um milhão e oitocentos mil novos casos de câncer colorretal em todo o mundo. Embora tenhamos observado nos últimos anos uma queda no número de casos novos e na mortalidade na população geral, a situação é diferente entre os mais jovens: está havendo um aumento no número de casos novos e na mortalidade nessa população. E estamos falamos de um tipo de câncer que pode ser diagnosticado precocemente, por meio de exames de rastreamento como a colonoscopia, e que é curável na imensa maioria das vezes”, alerta o médico. Segundo ele, por esses e outros fatores é necessário focar no diagnóstico precoce e nas mudanças de hábitos e estilo de vida para que haja diminuição no surgimento de novos casos e uma taxa de cura cada vez maior.
 
Fatores de risco como obesidade, sedentarismo, tabagismo, idade avançada e doenças como a retocolite ulcerativa estão ligados à doença. “Uma dieta com elevado consumo de carnes vermelhas, embutidos e enlatados e pobre em fibras, frutas, vegetais e cálcio também são fatores de risco conhecidos e podem contribuir para o desenvolvimento do tumor”, alerta o especialista. Há também fatores hereditários, mas esses são responsáveis pela minoria dos cânceres de cólon e reto.
 
Os sintomas variam muito e dependerão do estágio em que a doença se encontra, mas é importante ficar atento em relação ao aparecimento de sangue nas fezes ou alteração persistente na consistência habitual. “Ao notar qualquer mudança nesse sentido é necessário procurar um médico. Perda de peso, dor e aumento do volume do abdômen também são sinais que merecem atenção. Entretanto, quando a doença está na fase inicial o indivíduo pode não apresentar nenhum sintoma”, ressalta o oncologista.
 
O diagnóstico é feito por meio de um exame endoscópico como a colonoscopia, que possibilita a visualização de todo o intestino grosso, e eventual biópsia de uma lesão suspeita. “É um exame simples, acessível e que pode ser encontrado nos serviços de saúde”, comenta o médico.
 
As principais sociedades médicas do mundo recomendam a realização da colonoscopia como exame de rastreamento para todas as pessoas acima dos 45 anos de idade. Indivíduos com familiares de primeiro grau com câncer colorretal devem realizar o exame mais precocemente, geralmente 10 anos antes da idade que o familiar tinha quando ocorreu o diagnóstico. “Por exemplo, se a mãe de uma pessoa teve câncer colorretal aos 52 anos, essa pessoa deverá realizar o primeiro exame aos 42 anos. A depender do resultado do exame, o intervalo para um novo exame pode variar entre um e três anos", afirma.
 
Prevenção e tratamento
A taxa de cura desse tipo de câncer gira em torno de 70%, ou seja, sete em cada dez pacientes que recebem diagnóstico são curados. No entanto, a chance de cura para tumores detectados em estágios iniciais pode chegar a 90 ou 95%. “O tratamento varia dependendo do estágio da doença, podendo ser desde a retirada de um pólipo ou a realização de cirurgia para remoção de uma região do intestino comprometida pelo tumor. Em alguns casos se faz necessário a realização de quimioterapia ou radioterapia”, explica Ricardo Carvalho.
 
O tratamento do câncer de cólon tem tido importantes avanços na última década. No Asco Annual Meeting 2020, o maior congresso mundial de oncologia, foi apresentado um estudo que mudou a conduta em pacientes com câncer de cólon metastático. “A pesquisa demonstrou que a imunoterapia, um tipo de tratamento menos tóxico, é mais efetiva que a quimioterapia convencional em casos selecionados", ressalta o especialista. Mas ele lembra também que a melhor forma de prevenir esse tipo de câncer é combater o sedentarismo e cuidar melhor da alimentação, evitando o consumo exagerado de carne vermelha e álcool e mantendo uma dieta rica em frutas, verduras e fibras.
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