29/05/2012 às 23h53min - Atualizada em 29/05/2012 às 23h53min

Museu da Imigração mapeia “cosmopaulistanos” em exposição virtual

Mostra virtual interativa é inspirada no livro Cosmópolis, de Guilherme de Almeida, e estreia em 29 de maio

Museu da Imigração

O Museu da Imigração, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, apresenta a exposição virtual interativa “Cosmopaulistanos: as pessoas, os caminhos, a cidade”. O trabalho é inspirado na obra “Cosmópolis”, de Guilherme de Almeida, publicada em 1962, que reúne uma série de oito reportagens sobre os bairros formados por imigrantes na cidade de São Paulo. Meio século depois, um novo olhar sobre tema poder ser conferido no endereço www.museudaimigracao.org.br/cosmopaulistano.

Mais do que um compilado de histórias e personagens, a mostra é um convite para que os visitantes ajudem a construir uma espécie de “atualização” da obra de Almeida. Longe da realidade da época de seus escritos – no final da década de 1920 –, em que determinados bairros eram redutos de comunidades imigrantes específicas, a exposição se baseia justamente na miscigenação atual das regiões paulistanas.

Ao acessar a mostra virtual, um mapa da cidade se apresenta subdividido nos 96 bairros distritais da capital paulista. É clicando sobre cada um deles que o visitante poderá compartilhar suas histórias, trajetos e memórias por meio do upload de fotos, vídeos e textos, deixando sua experiência registrada em um imenso mosaico de rostos e lugares. 

“Assim como Guilherme de Almeida, que em Cosmópolis se deixa maravilhar pelo nascimento da São Paulo que conhecemos, convidamos a todos a contar suas visões apaixonadas pela cidade, pelos nascimentos, renascimentos, e pela diversidade cultural e paisagística”, explica Marília Bonas, Diretora Técnica do Museu da Imigração.

A exposição virtual dá continuidade à programação preparada pela Secretaria de Estado da Cultura no contexto da Semana Nacional dos Museus, que vai de 14 a 20 de maio com o tema “Cosmópolis: em São Paulo cabe o Mundo”, envolvendo os 18 museus mantidos pelo Governo de São Paulo na Capital e no interior. A programação completa pode ser acessada em www.cultura.sp.gov.br

 

Museu da Imigração

O Museu da Imigração do Estado de São Paulo está em processo de restauro das edificações e implantação de nova exposição de longa duração, com reabertura ao público prevista para o segundo semestre de 2012.

Em seu novo projeto museológico, o Museu da Imigração pretende valorizar ainda mais o encontro das múltiplas histórias e origens e propor ao público o contato com as lembranças daquelas pessoas que vieram de terras distantes, suas condições de viagem, adaptação aos novos trabalhos e contribuição para a formação do que hoje chamamos de identidade paulista.

A história da migração humana não deve ser encarada como uma questão relacionada exclusivamente ao passado; há a necessidade de tratar sobre deslocamentos mais recentes. O novo Museu da Imigração pretende fomentar o diálogo sobre as migrações como um fenômeno contemporâneo, que não se encerra com o fechamento das atividades da Hospedaria, reconhecendo a recepção dos milhões de migrantes atuais e a repercussão deste deslocamento para o estado de São Paulo.


Hospedaria de Imigrantes

Ao desembarcar no Brasil, os imigrantes trouxeram muito mais do que o anseio de refazer suas vidas trabalhando nas lavouras de café e no início da indústria paulista. Nos séculos XIX e XX, os representantes de mais de 70 nacionalidades e etnias chegaram com o sonho de “fazer a América” e acabaram por contribuir expressivamente na história do país e na cultura brasileira. Deles, o Brasil herdou sobrenomes, sotaques, costumes, comidas e vestimentas.

Inaugurada em 1887, a Hospedaria de Imigrantes se tornou a principal hospedagem destinada a abrigar os imigrantes recém-chegados. Foi no antigo prédio da Hospedaria – hoje sede do Museu da Imigração – que os anseios, angústias e expectativas de mais de 2,5 milhões de pessoas se cruzaram entre 1887 e 1978. Ao longo de seus 91 anos, a Hospedaria acolheu e encaminhou os imigrantes aos novos empregos. Para isso, o prédio contava com a Agência Oficial de Colonização e Trabalho. Além de alojamento, disponibilizava farmácia, laboratório, hospital, correios, lavanderia, cozinha e setores de assistência médica e odontológica.

Especialmente na década de 1930, a Hospedaria de Imigrantes passou a acolher também trabalhadores migrantes de outros estados brasileiros. Na década de 1970, perdeu sua função original e em 1978 recebeu pela última vez um grupo de imigrantes coreanos, pouco antes de encerrar suas atividades.


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