15/09/2020 às 09h42min - Atualizada em 15/09/2020 às 12h51min

Startup aposta em inovações para os testes de eficácia agronômica de defensivos agrícolas

"São muitas as polêmicas em torno do uso de agrotóxicos, mas, na ausência de defensivos não haveria alimento para toda população e a segurança alimentar seria totalmente afetada”. Essa é a opinião da engenheira agrônoma Caroline Donadon, uma das fundadoras da PlantCare Pesquisa Agrícola, empresa que traz inovações ao processo de teste de eficácia de defensivos agrícolas.

A profissional acredita que o uso controlado de defensivos é fundamental para a atual situação produtiva do Brasil. O país está entre os cinco maiores produtores de alimentos do mundo, sendo o segundo maior exportador, de acordo com dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura). “O perigo não é o produto, e sim o mau uso", lembra Caroline.

Parte da repercussão negativa do tema tem sido registrada por conta das novas regras para o setor. Depois de mudanças, promovidas pelo governo, o país registrou, apenas em 2020, 241 defensivos.

Para Caroline, entretanto, o número, em si, não significa um problema já que muitos são genéricos, ou seja, versões de produtos que já estão no mercado. Ela explica que, para chegar ao mercado, o registro de um novo defensivo agrícola precisa ser autorizado pelo Ministério da Agricultura (Mapa), pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama).

Ela também ressalta que as dosagens hoje são bem menores do que há 10 ou 20 anos, por exemplo. “Os defensivos agrícolas são liberados após anos de estudos rigorosos de eficácia agronômica (atestado pelo MAPA), segurança para o ser humano (atestado pela ANVISA) e meio ambiente (atestado pelo IBAMA)”, conta.

 

Dados

Segundo levantamento feito pela European Crop Protection Association (ECPA) em 2016, cerca de 40% da produção global de alimentos foi perdida desperdiçada em função de pragas. Caso os agrotóxicos fossem proibidos, esses números poderiam mais do que dobrar, chegando a valores próximos de 85%.

 

Citando esses números, Caroline ressalta que criou a PlantCare buscando soluções para auxiliar as empresas a agilizarem a obtenção dos dados de eficácia. A empresa começou a atuar em 2019 como uma estação experimental de pesquisa agrícola voltada para prestação de serviços de performance de defensivos agrícolas químicos e biológicos. A startup atualmente executa ensaios de campo para testar a eficiência de produtos que estão em desenvolvimento de mercado. Na próxima safra, com o credenciamento junto ao MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), irá avaliar também produtos que estão em fase de registro.

Incubada no Supera Parque de Inovação e Tecnologia de Ribeirão Preto, localizado no campus da USP, a empresa tem como diferencial a base científica. “Possuímos um forte viés científico, por isso, estamos desenvolvendo projetos que envolvam parcerias com instituição de pesquisa como a ESALQ”, explica Simone Brand, sócia-fundadora da startup.

 

Mercado

Empresas nacionais e multinacionais, como a Adama, Biovalens, Nichino, Orion Industrial, Stoller, Syngenta, UPL, dentre outras, têm buscando melhorias no posicionamento e/ou avaliação da eficácia dos seus defensivos agrícolas químicos e biológicos. O processo pode levar até 10 anos, demandando grande investimento por parte da indústria. Atrasos na entrega de resultados pelas empresas que realizam os testes impactam em custos financeiros e, até mesmo, emocionais.

“Sentimos que temos uma grande responsabilidade para executar os ensaios da melhor forma possível para gerar informações e resultados úteis e satisfatórios”, explica Simone. Para isso, a startup entrega relatórios parciais através de um aplicativo criado pela própria PlantCare, buscando gerar maior agilidade e transparência na obtenção dos dados pela empresa contratante.

 

Defensivos agrícolas

Os defensivos são desenvolvidos para combater pragas, doenças e plantas daninhas nas lavouras. Para que cheguem ao mercado, é preciso testar sua eficácia e garantir que não causem riscos para ao meio ambiente, à saúde do trabalhador rural e ao consumidor de alimentos provenientes de lavouras nas quais haja o manejo dos produtos.

“Como as doses hoje utilizadas são significativamente menores que de anos atrás, há uma preocupação cada vez maior dos profissionais em apresentar moléculas que sejam eficientes, em baixas doses e menos tóxicas”, finaliza Caroline.

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