10/09/2020 às 18h21min - Atualizada em 10/09/2020 às 18h21min

Especialistas discutem migrações para campo e litoral durante a pandemia em Dossiê da edição de setembro da Casa Vogue

Dados de sites imobiliários, reformas na urbanização das grandes e cidades, movimento slow living e entrevista com a filósofa Viviane Mozé são alguns dos tópicos do especial

A4&Holofote
Fernando Guerra/ FG + SG
A pandemia do novo coronavírus parou o mundo e restringiu a população global ao confinamento doméstico. Com o passar dos meses de isolamento social, novas demandas foram surgindo e fizeram com que as pessoas buscassem formas de melhorar a qualidade de vida na quarentena, é o que revela o Dossiê da edição de setembro da revista Casa Vogue.

Sites imobiliários identificam uma mudança nas buscas dos usuários: imóveis espaçosos, com varandas e terraços, casas em condomínios fechados de alto padrão - especialmente nos arredores da capital paulista- registram mais procura. "No ano passado, registramos 60% de consultas por apartamentos e 40% por casas, em linhas gerais. Mas, desde maio deste ano, essa porcentagem mais do que se inverteu. Está em 30% e 70%, respectivamente, tanto para aluguel quanto para compra", afirma Marco Tulio Vilela Lima, CEO da Esquema Imóveis.

Para além disso, é possível perceber que há um deslocamento de pessoas para o litoral e o interior. A imobiliária Bossa Nova Sotheby’s International Realty reporta um aumento de 600% na procura por imóveis de campo e praia este ano. Estaríamos vivendo um êxodo urbano? É inegável que as pessoas têm buscado mais conforto, lazer e contato com a natureza para amenizar os efeitos da pandemia.

Em contrapartida a gestão pública de algumas cidades enxerga no isolamento social uma possibilidade para promover mudanças urbanas, equilibrar a proporção de emprego e moradia nos bairros e incentivar ações centradas nos pedestres e ciclistas. "Inovações relevantes surgiram por questões sanitárias. Logo, esta pandemia abre uma janela, do ponto de vista urbanístico, para a ação", afirma a arquiteta e urbanista Beatriz Vanzolini, professora do curso Inovação Urbana, do Insper.

Restringir deslocamentos, rever velhos hábitos e voltar o olhar para dentro de si - e para o outro - foram alguns dos inesperados impactos causados pelo novo coronavírus. Reduzir o ritmo foi inevitável e, a partir desse novo paradigma de rotina, os ideais do movimento Slow Living ganharam espaço. "Trata-se de encontrar o andamento certo, apreciando o tempo em vez de apenas contá-lo. Fazer tudo da melhor maneira possível, em vez de o mais rápido possível. É uma questão de qualidade e não de quantidade, seja em qual âmbito for", explica Carl Honoré, autor italiano do livro Devagar que se consagrou como um manifesto do movimento. Honoré ressalta que a cultura da pressa a que estávamos acostumados converteu as pessoas em máquinas tarefeiras e as desconectou de si mesmas e dos outros.

Em consonância com essa revisão de valores, a filósofa Viviane Mozé alerta para a romantização da vida no campo ou no litoral e questiona se a fuga para o interior é de fato a solução dos problemas causados pela pandemia. "Não podemos achar que essas áreas são um paraíso. É necessário repensar a vida, sim. Precisamos de mais natureza, sim. E de presença, corpo. Viver diz respeito ao agora. O resto é planejamento, delírio, mas nós empenhamos o presente em nome de um projeto de futuro.", afirma. Mozé ressalta que a primeira transformação necessária é o autoconhecimento, mais do que se deslocar geograficamente é preciso encarar o próprio corpo, suas crenças e valores.

Confira a íntegra do Dossiê na edição de setembro da Casa Vogue.

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Revista Casa Vogue | Edição de setembro
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