13/08/2020 às 11h31min - Atualizada em 13/08/2020 às 23h07min

Profissões com mais risco de contágio pelo Covid - 19

O coronavírus mudou radicalmente a vida em sociedade. Nos quase cinco meses desde o início da pandemia por aqui imagens de rostos escondidos por máscaras e funcionários trabalhando em casa se tornou rotina.
 
Entretanto, muitos trabalhadores não puderam abrir mão de sair de casa já que desempenhar certas funções remotamente é impraticável e outros milhares não conseguiram segurar a queda no faturamento de seus negócios. Inevitavelmente, o risco de contágio é presente em suas rotinas.
 
Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) fez o mapeamento dos trabalhadores mais vulneráveis ao risco de contágio pela covid-19.
 
Para estabelecer os parâmetros da pesquisa os pesquisadores utilizaram a Classificação Brasileira de Ocupações, do Ministério da Saúde, e a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério da Economia, para avaliar as circunstâncias das ocupações.
 
O mapeamento abrangeu um total de 2.539 ocupações de todo o país divididas em 13 grupos ocupacionais que vão de trabalhadores do setor de agropecuária ao de transportes.
 
Confira as profissões mais vulneráveis ao coronavírus, segundo a pesquisa:

Técnicos de saúde bucal

De acordo com o estudo, cerca de 2,6 milhões de profissionais da área da saúde tem o risco de serem infectados acima de 50%. Os profissionais mais vulneráveis da saúde são os técnicos de saúde bucal, que representam um total de 12,5 mil profissionais, com 100% de risco de contágio.
 
Dentistas e cirurgiões-dentistas também entram nesse grupo, já que os procedimentos realizados requerem proximidade física com os pacientes. Mesmo atendimentos mais simples como a manutenção de aparelho dental transparente e o clareamento dental com moldeira representam um risco alto.


 
Apesar disso, segundo o  Conselho Federal de Odontologia (CFO), Cirurgiões-Dentistas, Auxiliares e Técnicos em saúde bucal representam o menor índice de contaminados entre os profissionais da saúde.
 
Para evitar um cenário caótico na área o Ministério da Saúde orientou a suspensão dos atendimento e procedimentos não urgentes, que incluem:
  • Consulta inicial de rotina ou de manutenção, incluindo limpezas/profilaxia e radiografias de rotina;
  • Procedimentos ortodônticos sem dor, infecção ou trauma;
  • Restauração de dentes com lesões cariosas assintomáticas;
  • Procedimentos odontológicos estéticos;
  • Cirurgias eletivas: como extração de dentes e cirurgias periodontais sem sintomas, implantes, cirurgia ortognática e demais cirurgias que não estão relacionadas às urgências e emergências.
Enquanto esperam pela normalização dos atendimentos os pacientes podem programar melhor tratamentos mais estéticos que pretendam fazer pesquisando, por exemplo, “clareamento dental a laser antes e depois”e  “quanto custa um implante dentario”.

Profissionais do comércio

Mesmo com todas a medidas de prevenção tomadas, varejistas, vendedores e operadores de caixa continuam entre as profissões  com maior chances de pegarem a doença.  Os quase 5 milhões de trabalhadores que atuam nos comércios de todo o país apresentam 53% de risco de contágio.

Transportes

Os transportes públicos são os locais com maior concentração de pessoas, por esse motivo os cerca de 350 mil motoristas de ônibus urbanos e rodoviários, um dos grupos da pesquisa com mais profissionais,  apresentam um risco superior a 70%.
 
Caso as aulas em todo os país não tivessem sido suspensas os professores estariam no mesmo barco dos motoristas, com um risco acima de 70%.

Profissionais menos vulneráveis

Os trabalhadores menos vulneráveis são os que exercem as atividades de forma “quase solitária”, segundo o estudo. Aqueles que realizam trabalhos voltados para o setor artístico, como roteiristas, escritores e poetas são os menos prováveis de serem infectados com uma média de 19%.

Importância das medidas preventivas

Em entrevista para a Agência Brasil, Yuri Lima, pesquisador do Laboratório do Futuro da Coppe/UFRJ e um dos responsáveis pela pesquisa, disse que uma parcela dos trabalhadores contemplados poderiam estar trabalhando em risco caso as medidas de distanciamento social não tivessem sido tomadas.
 
O pesquisador também afirmou que com a pandemia certas mudanças que já estavam ocorrendo no mercado se intensificaram, a exemplo da digitalização de documentos via internet. Atualmente, as empresas têm intermediando o trabalho home office por meio de plataformas de reunião por vídeo e aplicativos de scanner. Esse novo normal se deve se manter mesmo após o fim da pandemia.
 
Texto produzido por Estela Lima, redatora da empresa Vue Odonto.
Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »