28/07/2020 às 11h11min - Atualizada em 28/07/2020 às 15h13min

Como a pandemia revelou a resiliência das startups brasileiras?

O mercado de startups no Brasil e na América Latina nunca esteve tão aquecido quanto em 2019. Segundo informações da Associação de Investimento em Capital Privado da América Latina (LAVCA), o setor recebeu US$ 4,6 bilhões, sendo que 58% desse valor é de negociações do Brasil.

As empresas emergentes estão acostumadas a explorar oportunidades para crescer e serem a próxima sensação do mercado. Contudo, agora, elas enfrentam um desafio que está testando a sua resiliência e o quão consolidadas elas estão de fato: a pandemia do coronavírus.

A crise econômica global causada pela pandemia obrigou as startups a enxugarem seus custos e se adaptarem a uma nova realidade. Diante desse cenário, em que elas devem gerenciar os seus negócios de forma digital e remota, foi preciso que, mais uma vez, elas encontrassem novas oportunidades e saídas para amenizar as dificuldades.


Transformação da crise em um bom negócio

Para continuarem sobrevivendo, a criatividade dos empresários está sendo testada. Existe uma grande demanda de soluções de problemas do mercado brasileiro, mantendo o nível de custo. A princípio, a primeira preocupação dos empreendedores foi a de cortar despesas, para que o negócio pudesse sobreviver.

Passado esse primeiro momento, muitas empresas estão planejando como explorar essa nova realidade e atender às necessidades criadas por ela. Segundo especialistas da área, as estratégias de marketing devem ser ainda mais focadas no consumidor, que está em casa e precisa ser atingido pelo seu negócio.

Um exemplo de quem se adaptou bem foi a unicórnio de academias Gympass. Ela rapidamente construiu uma operação completamente digital, após passar por uma reestruturação de custos. Assim, conseguiu manter a sua operação e atingir uma nova demanda de clientes.

Especialistas do setor apontam que existem lacunas nos setores de educação, saúde e varejo, que podem ser solucionadas com o uso da tecnologia. Quem tem contato com investidores não deve estar receoso com o cenário econômico desanimador: profissionais do meio apontam que existe capital de risco aberto e pronto para ser investido.


Vantagem

Quem acumulou recursos no passado sai em vantagem nessa situação. Com uma reserva de capital conquistada anteriormente, há um claro privilégio para enfrentar a crise e adaptar o negócio em tempos de pandemia. 

Mesmo assim, é preciso analisar a necessidade de tomar crédito para investir. O empresário deve projetar o futuro de seu negócio em um cenário desanimador, com a redução de receitas. Isso é importante para que o empreendedor não contraia uma dívida que não conseguirá pagar adiante.


Reinvenção do negócio

A Cliever é uma produtora de impressoras 3D de Belo Horizonte e foi outro exemplo de como se reinventar durante a pandemia. A princípio, os donos do negócio imaginaram que teriam que paralisar o empreendimento, uma vez que todos os seus parceiros também estavam parando suas operações.

No entanto, eles perceberam que, fora do país, estava-se investindo na fabricação de equipamentos individuais de proteção (EPIs). Acionando alguns contatos, a Cliever pôde organizar seu maquinário para imprimir estes itens, que estão em larga demanda. Assim, conseguiu acumular um caixa extra para ser utilizado após a pandemia.


Iniciativa governamental

Também houve um incentivo por parte do Ministério da Economia para que as startups compartilhassem suas soluções com outros empreendimentos. Com apoio da Associação Brasileira de Startups (Abstartups), a iniciativa, batizada de StartupsxCovid19, visa a união do setor neste momento.

A campanha estimula que os empresários compartilhem suas experiências nas redes sociais utilizando a hashtag #StartupsxCovid19. O foco principal é divulgar soluções para problemas gerados pela crise do coronavírus, como prevenção do contágio, tratamento da doença e saídas tecnológicas para realização do trabalho de forma remota.

 
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