29/06/2020 às 10h26min - Atualizada em 30/06/2020 às 10h19min

Como a moda está apoiando o movimento ‘Vidas Negras Importam’?

No dia 25 de maio, a internet foi tomada pelo vídeo que mostram o segurança George Floyd, de 46 anos, perdendo a respiração ao ter um policial ajoelhado em seu pescoço enquanto era imobilizado por outros três, no estado de Minnesota. 

 

Quase imediatamente, a indignação da população se estendeu às organizações da sociedade civil e, até mesmo, a diversas marcas que decidiram se posicionar a respeito.

 

A cena, que provocou a morte de Floyd, reacendeu os debates sobre as hierarquias raciais que marcam os Estados Unidos desde a sua fundação. A partir de então, ruas e avenidas de diferentes cidades espalhadas pelo país estão repletas de manifestantes com máscaras de proteção, gritando e dizendo por cartazes: vidas negras importam.

 

O assassinato de George Floyd pelas forças policiais não foi o primeiro a causar comoção no país, que já teve figuras históricas como Martin Luther King, Angela Davis, Rosa Parks, Nina Simone e Malcolm-X na luta para garantir os direitos civis da população negra nos EUA.

Números do racismo

Segundo dados divulgados pelo site Poder 360, a polícia do país matou 1.099 pessoas em 2019, das quais 24% eram negras — mesmo quando os afro-descendentes equivalem a 13% da população do território. 

 

Já no Brasil, as forças policiais vitimaram 5.804 pessoas no mesmo período, quase seis vezes mais, das quais 75% eram negras. Em ambos os países, ter a pele negra triplica as chances de um indivíduo ser morto pela polícia.

 

Durante a quarentena estabelecida no Brasil, para reduzir a disseminação da COVID-19, a violência policial não diminuiu, mesmo com a queda de crimes registrados, como homicídio e roubos. 

 

No mês de abril, as forças policiais do estado do Rio de Janeiro mataram 177 pessoas. O valor representa uma alta de 43% nas mortes em relação ao mesmo período de 2019 e equivale a uma pessoa morta a cada quatro horas. 

 

Em 19 de maio, noticiários brasileiros divulgaram o assassinato de João Pedro. O jovem de 14 anos foi baleado pela polícia, que invadiu a casa do tio dele, no Complexo do Salgueiro, segundo relatos de familiares do adolescente. 

 

A morte de João Pedro motivou protestos em frente ao Palácio da Guanabara, sede do governo carioca, no dia 31 de maio.

Campanhas em redes sociais

A partir dos protestos massivos contra o racismo que ocupam ruas nos EUA e manchetes em todo o mundo, diferentes marcas de roupas para o público feminino se manifestaram em suas redes sociais sobre o tema. 

 

Longe de se limitar aos EUA e ao Brasil, o racismo é um problema histórico e coletivo, que estrutura diferentes países no mundo, desde França e Alemanha até África do Sul.

 

Marcas esportivas como a Adidas e a Nike divulgaram mensagens em suas redes sociais, incentivando a ida de pessoas aos protestos e pedindo que todos façam parte da mudança. 

 

A Nike chegou a mudar seu slogan de “Just do it”, faça isso, em português, para “Don’t do it” ou “não faça isso”, solicitando que seus clientes não aceitem a perda de vidas inocentes e não permaneçam em silêncio.

Blackout Tuesday

Outras empresas que declararam apoio ao movimento “Black Lives Matter” foram a Fenty Beauty (cosméticos), a grife de luxo Fenty e a linha de lingerie Savage x Fenty. 

 

As três empresas são da cantora Rihanna, que anunciou a suspensão das vendas de todas elas no dia 2 de junho, para integrar o movimento “Blackout Tuesday” — uma espécie de apagão contra o racismo. 


Em suas redes sociais, diferentes veículos, usuários e personalidades têm postado telas negras como forma de protesto virtual. Além do apoio, as empresas de Rihanna vão doar recursos para os grupos “Movement for Black Lives” e “Color Of Change”, que atuam no combate ao racismo.
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