18/06/2020 às 17h14min - Atualizada em 19/06/2020 às 00h39min

Educadora explica como lidar com os conflitos entre pais e crianças por conta do home office

Adulto precisa de um computador, uma mesa, um celular e silêncio para trabalhar. Criança precisa de crianças, muitas outras crianças, todas bem barulhentas, para correr de lá pra cá, de cá pra lá, investigar e fazer perguntas sem parar.

DINO
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Adulto precisa de um computador, uma mesa, um celular e silêncio para trabalhar. Criança precisa de crianças, muitas outras crianças, todas bem barulhentas, para correr de lá pra cá, de cá pra lá, investigar e fazer perguntas sem parar.

Quanto mais velha a criança mais ela precisa da turma e dos amigos para, com eles poder brincar, não "brincadeiras de tela" ou jogos solitários, mas brincar de verdade, sem nenhum compromisso com a realidade. Brincadeiras que permitem o criar, o inventar e o inovar sem medo de errar.

Tudo pode ser uma possibilidade de criação, desde dar existência ao que não existe até dar novas formas e novos usos a coisas insignificantes como pedrinhas e pedaços de madeira e corda, sem serventia.

E assim, fantasiando e inventado, a criança produz um sem número de respostas possíveis àquilo que talvez exista ou pode existir, às coisas que podem ser praticáveis, admissíveis, concebíveis ou impensáveis.

Brincando e experimentando, muda o seu desempenho perante a família, a sociedade e a escola, ao mesmo tempo em que pensa novas e diferentes maneiras de aventurar-se no seu futuro.
Quando os pais pensam em ficar com os filhos, não pode haver a interposição de nenhuma tela entre eles e, principalmente neste momento, não pode existir o computador ou o celular, instrumentos constantes e presentes do home office.

Depois de passada a quarentena, pais que estão pensando em dar continuidade ao home office, e, por uma questão de economia, ficar com os filhos em casa, ao invés de mandá-los para a escola em período integral, deveriam ter em mente o preço que pagarão pela privação dos vínculos que construíram na escola, pela perda da riqueza que a companhia dos amigos agrega e, principalmente, deveriam ter em mente que não é a criança que tem de ficar na companhia do adulto, mas é o adulto que tem que ficar com a criança.

Além disso, o que prende mais o espírito de uma criança curiosa: a companhia dos amigos ou a monótona companhia diária de adultos, mesmo que esses adultos sejam seus bem intencionados pais?

Maria G. Drummond Gruppi - psicóloga, especialista em Primeira Infância, e diretora do Ponto Omega - Berçário e Educação Infantil Bilíngue.



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