30/05/2014 às 17h43min - Atualizada em 30/05/2014 às 17h43min

Retratos de uma guerra civil não declarada

A taxa de homicídios avançou 7%, alcançando 29 ocorrências para cada 100 mil habitantes.

Roberto Freire

por Roberto Freire

 

Os dados preliminares da nova versão do Mapa da Violência, estudo anual baseado no Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, revelam o descalabro da segurança pública. Em 2012, o Brasil registrou nada menos que 56.337 assassinatos, o maior número absoluto da série histórica do levantamento, desde 1980, com aumento de 7,9% em relação a 2011. A taxa de homicídios avançou 7%, alcançando 29 ocorrências para cada 100 mil habitantes. O índice considerado “não epidêmico” pela ONU é de 10 mortes por 100 mil.

Nunca antes neste país, como diz o ex-presidente Lula, tantas pessoas morreram assassinadas. Para se ter uma ideia, o índice de mortes por homicídio na Alemanha é de 0,9 por 100 mil – ou seja, no Brasil se mata 32 vezes mais. Na América Latina e no Caribe, onde vivem 600 milhões de pessoas, o número de assassinatos é de 100 mil ao ano. Com pouco menos de um terço dos habitantes da região, o Brasil responde por quase 60% das vítimas fatais.

O desmantelo na segurança pública, cuja responsabilidade maior é de um governo que se mostra incompetente para enfrentar o problema, se espalha pelo país de forma generalizada. Apenas cinco unidades da federação reduziram suas taxas de homicídio entre 2011 e 2012 (Pernambuco, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraíba e Alagoas). No caso alagoano, entretanto, há poucos motivos para celebração: o estado apresenta o maior índice de assassinatos do país (64,6 por 100 mil).

Vem justamente de Alagoas a maior prova da inoperância dos governos de Lula e Dilma Rousseff. Desde junho de 2012, o estado é palco de mais uma peça de propaganda política do PT, o programa Brasil Mais Seguro, que já consumiu R$ 200 milhões da União. Em entrevista recente, o ministro da Justiça cometeu o despautério de comparar os índices de violência ali registrados com “números suíços”, mas a bravata não foi correspondida pela realidade. Em 2012, ocorreram 2.186 homicídios em Alagoas, número que subiu para 2.260 em 2013. Entre janeiro e março deste ano, 601 pessoas já foram mortas.

Na outra ponta da tabela, aparecem estados como Santa Catarina (12,8 assassinatos por 100 mil habitantes) e São Paulo (15,1), os mais seguros do país. Apesar de também terem sofrido com um aumento no número de casos entre 2011 e 2012, os paulistas podem comemorar uma queda expressiva de 60% na taxa de homicídios entre 2002 e 2012, enquanto o índice nacional teve alta de 2,1% no mesmo período.

Como se não bastassem os números estarrecedores que desnudam uma guerra civil não declarada no Brasil, a sociedade vem assistindo a uma sucessão desenfreada de episódios de barbárie explícita, como linchamentos, torturas e agressões das mais cruéis. Há uma evidente deterioração social e perda de valores humanitários em meio ao agravamento da situação econômica do país, aos escândalos de corrupção no seio do governo e à falta de qualidade nos serviços públicos, além da sensação de impunidade que dá margem à ideia equivocada de que se deve fazer justiça com as próprias mãos.

Doze anos depois de assumir o governo, o PT tem mais um enorme fracasso para chamar de seu: a violência descontrolada que atravessa o país de norte a sul. Os brasileiros já não suportam mais sair de casa pela manhã sem a certeza de que voltarão ilesos à noite. Nossa guerra civil diária e não declarada tem de acabar.

 

Roberto Freire é deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS

 


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