11/06/2020 às 17h38min - Atualizada em 12/06/2020 às 01h03min

Impacto COVID-19 no mercado de carros brasileiro

A preocupação se dá com os impactos econômicos que essa crise pode trazer

DINO

Atualmente, com a maioria dos estados e municípios brasileiros adotando o isolamento social, a ordem do dia é fechar as portas por tempo indeterminado e trabalhar de forma remota sempre que possível. Isso levou a grande maioria dos lojistas de veículos a suspender as atividades à espera da crise passar. Uma análise na base, por exemplo, mostra que embora mais de dois terços dos lojistas sigam tentando manter as atividades de forma online, a queda em vendas já tem sido, em média, acima de 50% e 20% relatam ter sofrido queda de 100%.

A preocupação se dá com os impactos econômicos que essa crise pode trazer. A maioria dos clientes são pequenos negócios que dependem de ter suas lojas abertas para trabalhar. Numa pesquisa realizada internamente, 40% dos clientes ressaltou que tem caixa para ficar parado por 30 dias mais. De mesma maneira, 70% ressaltou que, embora não ter feito demissões realizará logo caso a situação não se normalizar.

Nesse contexto, é importante começar a traçar um plano que contemple uma quarentena vertical e órgãos tipo o DETRAN deveriam avaliar reabrir suas portas só para despachantes para que as transferências de veículos aconteçam.

É imprescindível sentir que após a crise passar, lamentavelmente o número de desempregados aumentará e como consequência muitas pessoas vão querer vender o carro. Por outra parte as lojas de veículos se encontraram com os seus estoques cheios (dos veículos que compraram após carnaval e não conseguiram vender). Em resultado, os veículos seminovos sofrerão uma grande desvalorização em relação aos preços que estavam sendo praticados pré-coronavírus. Já é possível enxergar essa tendência nas transações que estão acontecendo no mercado atualmente que já estão sendo praticadas com um grande desconto em relação ao cenário pré-coronavírus.

É inegável que o mundo não será mais o mesmo após o coronavírus. Novos hábitos devem surgir e outros certamente serão suplantados. Higiene e saúde, por exemplo, vão ser os temas da vez, com maior controle de higienização e mapeamento de áreas de risco para agilizar cuidados com prevenção. Não é difícil imaginar restrições a viagens após a pandemia e também maior atenção a aglomeração de pessoas - sem falar no fenômeno da economia compartilhada, que vai ganhar novos contornos a partir de agora. No setor automotivo, os negócios on-line ganham cada vez mais espaço, e a venda de carros deve crescer consideravelmente nos próximos meses.

Basta ver o que está acontecendo justamente com a China, epicentro da pandemía do coronavírus, que, ainda hoje, busca reduzir os impactos da doença no dia a dia da população. Levantamento da Ipsos, líder global em pesquisas de mercado, mostra que os chineses estão repensando a própria mobilidade. A utilização de um carro particular, por exemplo, saltou de 34% para 66% na preferência deles, assumindo o topo da lista de principais meios de transporte, muito à frente de transporte público, carros compartilhados e caronas. Além disso, 72% demonstraram forte intenção de compra de um automóvel nos próximos meses e a principal razão, para 77% das respostas, é reduzir as chances de nova infecção.

Portanto à medida que a crise comece a passar, será normal ver que pessoas que não tinham carro e tenham condição financeira tentem adquirir um. A disrupção das cadeias logísticas e a queda de produção de carros zero km fará que os preços deles aumentem muito mais em relação aos carros usados gerando um aumento significativo das vendas de carros usados versus zero, explica Luca Cafici, CEO da Instacarro.


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