19/05/2020 às 11h02min - Atualizada em 19/05/2020 às 14h42min

5 cartunistas brasileiros que vale a pena acompanhar

Presentes entre os Homo sapiens desde tempos imemoriais, a arte e a contação de histórias são as mais antigas formas de expressão humana. Elas permitem ressignificar os acontecimentos de uma vida e conhecer a história das gerações que antecederam o presente.

 

Adorados pelo público e muitas vezes detestado pelas autoridades, os cartunistas são desenhistas especializados no gênero cartum, um dos tipos de humor gráfico marcado pelo olhar crítico e satírico sobre o cotidiano dos seres vivos ou de um momento histórico de uma sociedade.

 

O Brasil tem um histórico de bons cartunistas que referenciam diferentes momentos célebres, desde a chegada da República, às ditaduras militares que marcaram o século XX no país até os dias de hoje. Confira alguns deles.

Nair de Teffé

Registrada como a primeira mulher cartunista do país, Nair de Teffé nasceu em 1886 em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro. Filha de aristocratas, seu talento para o desenho apareceu quando Nair ainda era criança: a estudante fez uma caricatura de uma das professoras do convento onde estudava.

 

Com o tempo, os seus desenhos saíram do círculo de amigos mais próximos e de saraus frequentados pela elite, chegando à imprensa nacional e, posteriormente, estrangeira. 

 

Em uma sociedade marcada pela presença masculina nos espaços públicos, Nair passou a usar o codinome de “Rian” para assinar seus desenhos. Desafiando os costumes destinados às mulheres de sua classe social no início do século XX, Teffé frequentava bares, onde tocava violão. 

 

Além disso, Nair de Teffé também foi eleita presidente da Academia de Ciências e Letras, em 1928. Entre as figuras públicas que foram transformadas em caricatura por ela, destacam-se Rui Barbosa, Jânio Quadros, Juscelino Kubistchek e Fidel Castro. 

Laerte

Uma das mais famosas cartunistas brasileiras, Laerte Coutinho tem um trabalho questionador e altamente irônico não só sobre a realidade política brasileira, mas, também, sobre os costumes e a (falsa) moralidade. 

 

Iniciou sua carreira na revista Sibila, em 1970, e chegou a  trabalhar em publicações famosas como O Pasquim e a esportiva Placar, além dos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo — em que publica charges até hoje.

 

Em uma entrevista cedida em 2010 à Folha, Laerte revelou publicamente sua opção pelo crossdressing — termo referente ao uso de roupas e objetos associados ao sexo oposto. Posteriormente, passou a aparecer usando vestidos, batom e cabelos lisos e longos. Em 2012, Laerte fundou a Associação Brasileira de Transgêneros (ABRAT).

Henfil

Henfil é um dos nomes artísticos que se destacaram durante a ditadura militar que vigorou o Brasil entre 1964 e 1985. O trabalho do multiartista ficou marcado pelas tirinhas com humor crítico e satírico, capazes de debochar do poder dos militares. Foi Henfil quem batizou o movimento das “Diretas Já”.

 

Nascido em Minas Gerais, tornou-se jornalista e iniciou a carreira como ilustrador em 1964. Publicou em revistas como Realidade, Visão, O Cruzeiro e Placas.  Nas décadas de 1970 e 1980, criou tirinhas famosas como Graúna, Fradim Cumprido e Fradim Baixim

Millôr

Desenhista, dramaturgo, poeta, jornalista e humorista, Millôr é um dos cartunistas mais conhecidos do país. Além das charges, conquistou notoriedade por suas colunas de humor publicadas no Jornal do Brasil, O Pasquim e a revista Veja.

 

Tido como um dos expoentes da imprensa alternativa no Brasil, Millôr fundou a revista Pif Paf logo após o golpe de Estado dado pelos militares, em 1964. Na publicação, Millôr criticava o cenário político do país naquele momento de forma contundente. 

 

Até ser fechada pelo regime de censura, quatro meses mais tarde, a Pif Paf serviu de inspiração para um dos jornais mais alternativos do período: O Pasquim, do qual foi diretor entre 1972 e 1975. Millôr também escreveu peças pioneiras no teatro que resistiam à ditadura, como Liberdade, Liberdade, produzida em parceria com Flávio Rangel.

André Dahmer

Um dos expoentes da nova geração de cartunistas brasileiros, o carioca André Dahmer ganhou popularidade em redes sociais como o Twitter e o Facebook. Ele foi um dos primeiros quadrinistas brasileiros a se apropriar dessas tecnologias para divulgar seu trabalho. Além de cartunista, Dahmer também é artista plástico e desenhista.

 

Seu trabalho mais conhecido é a tira Malvados, que traz um olhar irônico e ácido, podendo soar como “pessimista” para alguns leitores, sobre os problemas sociais e políticos brasileiros. Atualmente, ele publica tiras nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo.


Outros trabalhos conhecidos de Dahmer são Quadrinhos dos Anos 10, que traz a história de Emir Saad, ditador fictício do Ziniguistão, e Vida e Obra de Terêncio Horto, que fala sobre um escritor eternamente frustrado, cuja ambição vem na mesma proporção que sua amargura.
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