19/05/2020 às 11h16min - Atualizada em 19/05/2020 às 14h42min

Mercado de livros enfrenta queda de 48% em abril com a baixa da circulação causada pela pandemia

Não é novidade que o mercado de livros vem passando por momentos difíceis. Antes mesmo do coronavírus parar a economia do mundo, restringindo a circulação de pessoas, essa já era uma área em crise. No Brasil, onde cada vez menos gente tem o hábito de sentar para ler, o cenário é ainda pior.

 

No início deste ano, as livrarias Saraiva e Cultura divulgaram que, apesar das várias mudanças que têm feito em sua forma de fazer negócio, teriam que fechar mais lojas e demitir funcionários. O motivo seria o acúmulo de milhões de reais em prejuízos, mesmo em recuperação judicial.

 

Com o fechamento temporário do comércio por conta da pandemia, muitas outras lojas podem não ter condições financeiras de abrir as portas, mesmo quando as autoridades de saúde liberarem o funcionamento de serviços não essenciais.

Perda no faturamento é de quase R$ 60 milhões

Segundo o Painel das Vendas de Livros do Brasil, divulgado no início do mês de maio, o faturamento no mercado de livro caiu quase 48%, só em abril, em comparação com o mesmo período de 2019. O valor em vendas, neste mês, diminuiu para R$ 65,7 milhões em abril do ano passado, as livrarias venderam R$ 125 milhões. 

 

O levantamento, feito pela Nielsen e apresentado pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), leva em conta a venda de livros físicos em estabelecimentos monitorados pela Nielsen. Praticamente, todas as grandes lojas de livros, como Amazon, Americanas, Cultura, Submarino e Leitura, estão entre elas.

 

Apesar de bastante negativo, esse já era um resultado esperado, segundo a Snel afirmou em nota. A análise dos órgãos que fazem o monitoramento é que uma recuperação gradual está acontecendo. Isso pode ser notado quando as tabelas são observadas semana a semana. 

 

Segundo eles, o impacto maior se deu nas primeiras semanas de fechamento das lojas. Nas seguintes, as vendas voltaram a crescer e chegaram a dois terços do mesmo período de 2019.

Resultados já preocupavam antes da pandemia

Os relatórios, publicados todos os meses, até tentam ensaiar algumas boas notícias, mas há tempos não mostram resultados muito positivos. As vendas no Natal, por exemplo, não tiveram crescimento significativo e a volta às aulas, segundo o levantamento, praticamente não aconteceu nas livrarias.

 

No mês de março, a Nielsen já tinha antecipado os primeiros sinais do coronavírus no varejo de livros. Já na primeira semana de fechamento do comércio em São Paulo, as livrarias perceberam queda de 40% em seus faturamentos.

Mercado precisa se reinventar

Como em maio as lojas devem continuar fechadas por período ainda indeterminado, os especialistas estimam que as vendas podem voltar a cair. Isso tem feito com que os empresários do setor percam o sono pensando em soluções para o problema. 

 

Um dado relevante é que o Painel das Vendas de Livros do Brasil não leva em conta a venda de exemplares digitais, ou aqueles comercializados por editoras e pequenas livrarias, que não são monitoradas pelo levantamento.

 

Isso pode indicar que muita gente está preferindo comprar dos pequenos negócios. Os consumidores estariam atendendo ao apelo de diversas campanhas, que pedem apoio ao comércio local neste momento de crise.

 

Além disso, as grandes livrarias vão precisar apostar mais na venda de livros digitais. O formato vem ganhando cada vez mais adeptos e deve ter ainda mais espaço no novo mundo que surgirá pós-pandemia.

 

Oferecer outros tipos de produtos e serviços também pode ser uma saída para que esses estabelecimentos sobrevivam, em um mercado cada vez mais competitivo e em um mundo que vai demorar para se recuperar dos impactos econômicos dessa crise de saúde pública.

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