28/05/2014 às 23h45min - Atualizada em 28/05/2014 às 23h45min

Diversidade e População LGBT

Cecilia Bezerra pergunta sobre a Diversidade e População LGBT ao candidato a presidência da república Eduardo Campos

Cecilia Bezerra
por Cecilia Bezerra
 
Na ultima sexta feira, dia 23 de maio, a convite do presidente estadual do PHS, compareci ao evento em que o PHS e PRP que oficializaram o apoio à candidatura de Eduardo Campos a presidência da república. O evento aconteceu na Câmara Municipal de São Paulo com a presença de representantes da coligação PHS/PRP e da aliança PSB e Rede Sustentabilidade.
 
Ouvi vários discursos calorosos de políticos e representantes de partidos que faziam parte da mesa, todos falaram sobre a política atual.
 
Lá encontrei diversos amigos entre eles o Walter Feldman, um amigo de vários anos, que me parabenizou pelo meu trabalho de luta em prol dos LGBT, pela área da saúde, por manter a mesma vivacidade na luta e sempre manter o grito por justiça social na garganta, me desejando boa sorte este ano. Obrigada pelo reconhecimento.
 
Também tive o prazer de encontrar outro amigo, o Vanderlei Fernandes, membro da Rede Sustentabilidade, que me apresentou ao Eduardo Campos. A aglomeração de pessoas em volta estava grande, mas na oportunidade perguntei ao candidato a presidência da república “Por que não se fala em diversidade, não se fala em LGBT?”.
 
Ele parou nos abraçou e perguntou sobre meu trabalho social. Disse a ele que sou Conselheira Estadual dos Direitos da População LGBT de São Paulo, titular eleita pelo voto da sociedade civil, ativista dos Direitos Humanos, luto pela área da saúde e que minha luta vem acontecendo há mais de 25 anos.
 
Eduardo Campos respondeu que em seu site existem projetos voltados para a população LGBT e gostaria que eu olhasse, interessado também disse que gostaria de conhecer meu trabalho então dei a ele um cartão que ele educadamente o colocou no bolso.
 
Juntos fomos tirar uma foto com o candidato a presidência da república, mas cadê a Dayana? Ela havia se afastado do aglomerado de fotógrafos e convidados e ficamos os três aguardando ela se aproximar para registrar a foto enquanto todos a nossa volta ficaram parados sem compreender a pausa e sem saber quem era o “amor” que nós estávamos esperando. Quando ela chegou ele perguntou quem era ela e eu disse com orgulho no peito de ser LGBT “ela é a minha esposa”.
 
Óbvio que se eu tiver oportunidade não deixarei de perguntar aos outros candidatos sobre os projetos voltados para a saúde, minha comunidade LGBT, surdos, deficientes intelectuais, deficientes físicos e todas as minorias, pois nossos direitos dependem do nosso voto e como já nos decepcionamos várias vezes nada posso dizer além de “sinto muito” a todos que possam se sentir constrangidos com as minhas perguntas. Continuarei a questionar sempre que achar necessário, já que todos querem nosso voto e poucos ao menos se lembram de que também possuímos direitos, de que somos cidadãos e que os hospitais existem para servir e não apenas para receber verba sacrificando seus funcionários e pacientes. O que me constrange é a corrupção comendo solta, um sistema de saúde que não funciona direitos sendo ignorados, a impunidade imperando do Oiapoque ao Chuí, tantos sem tetos e tantos outros direitos de outras pessoas desprezadas pelo território do país.
 
Acho necessário que tenhamos mais atenção e cuidado em analisar as propostas, atitudes e a história de trabalho social dos candidatos que despertam nossa atenção, desde candidatos à presidência,governo de estado ,senado, aos candidatos a deputados federais e estaduais. A meu ver todos os candidatos, devem ter a preocupação maior voltada para as injustiças sociais, pois assim poderão governar para o bem social de todos e não apenas de uma verdadeira minoria que é a nata da elite que patrocinam muitas candidaturas com o intuito de “se defenderem” e aumentar seus patrimônios.

A comunidade LGBT do país já teve a PLC122 engavetada e com mais esta “punhalada” continuamos a sofrer com a discriminação e o preconceito de pessoas que pensam que devemos ser caçados e hostilizados por não compartilhar do mesmo modo que vivem suas vidas, nos rotulando como anormais e doentes, mas fecham os olhos, fingem não saber e viram a cara para as atrocidades que acontecem com estas pessoas que tanto discriminam. Anormal é a quantidade de lésbicas que são estupradas onde muitas acabam mortas, gays, travestis e transexuais que são espancados, torturad@s e assassinad@s nas ruas, perdendo vidas e sonhos, se tornando estatística numerosa de crimes sem solução e criminosos impunes. Isso é anormal.  
 
Importante também a preservação do Estado Laico de fato, onde todos tenham o direito de escolher sua religião, ou escolher não ter nenhuma, sem que com isso sofram represálias ou se tornem alvos de chacotas por isso.
Sou extremamente contra a imposição da religião, mas acredito que o respeito deve ser estimulado e válido para todos, pois é com grande tristeza que vejo pessoas serem perseguidas, inclusive em São Paulo, onde espíritas, kardecistas, umbandistas, candomblecistas e outros estão sendo obrigados a se retirarem de suas casas e de seus centros. Lembrando que a maior concentração de LGBT continua no espiritismo e embora atualmente existam igrejas evangélicas LGBT, estas ainda são desprezadas pelas tidas como “tradicionais”.
 
É importante não se esquecer de todas essas vidas que se vão pela ignorância, a violência continua matando sem dó os brasileiros nas ruas e becos de nosso país.
 
Nossa luta é todos os dias! Juntos somos mais fortes!
"Levantar esta bandeira é fácil, todos podem levantar, mas mantê-la erguida mesmo com os braços já cansados, é o que nos torna mais fortes." Cecilia Bezerra
 
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Cecilia Bezerra, Conselheira Estadual dos Direitos da População LGBT de São Paulo, Ativista dos Direitos Humanos, Saúde Pública, Surdos e Pessoa com Deficiência.

 


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