20/05/2014 às 09h47min - Atualizada em 20/05/2014 às 09h47min

Diversidade e convergência dos meios de pagamento eletrônicos foi discutida por especialistas do mercado durante evento da First Tech

Debate contou com participação de representantes da Febraban, Cielo, UOLDÍVEO e Thales. Abordou as novas tendências das tecnologias de pagamento móveis, aderência e expectativas. Também foram foco os modelos de utilização do mobile payment e os aspectos que endereçam a segurança, fraudes e riscos nessas novas formas de transações monetárias

EPR Comunicação Corporativa

A diversidade dos meios de pagamentos disponíveis, assim como a convergência para o uso de diferentes tecnologias nas transações monetárias, são temas presentes hoje na pauta dos diretores e profissionais de tecnologia da informação de bancos, processadoras de cartões, empresas de pagamento (cartões/bandeiras), operadoras de telecom e demais stakeholders. Durante o painel “Diversidade e Convergência”, que aconteceu dia 15 de maio, dentro da 6ª edição do HSM Fórum, em São Paulo, os especialistas debateram os principais aspectos que envolvem as diferentes opções hoje para a realização de pagamentos. O evento é realizado pela First Tech, líder do mercado de soluções para transações financeiras (criptografia e HSM), responsável pelo fornecimento dos equipamentos HSM Thales nos quais são identificadas e validadas 80% das transações de crédito e débito realizadas no Brasil, sob as bandeiras Mastercard, Visa, Elo e AMEX.

 

De acordo com o mediador do debate, o jornalista Vanderlei Campos, “52% dos pagamentos no Brasil são realizados em dinheiro, o que leva a exclusão de milhões de pessoas do sistema financeiro”. Para as instituições, “esses dados mostram que existe uma oportunidade imensa de ampliar sua penetração no mercado.” Além disso, o grande desafio atualmente, no que diz respeito aos meios de pagamentos, é atender a diversos canais e modelos de negócio, de forma sustentável e, sobretudo, segura. Embora a forma tradicional de pagamentos eletrônicos, com cartão e POS, traga uma série de benefícios para os consumidores, varejistas e ao sistema financeiro, existem ainda alguns impeditivos para sua total adoção. “No fim do dia, as experiências do consumidor e do vendedor devem ser eficazes, ao mesmo tempo em que todos os fundamentos de segurança e privacidade do mundo do cartão precisam ser mantidos”.

 

Alguns questionamentos foram levantados durante o painel: em quais situações é preferível continuar usando o cartão físico? Em quais a utilização do celular como meio de pagamento leva vantagem sobre as outras modalidades? Ou ainda, pode-se optar por carregar valores no módulo NFC, ou pagamento por aproximação (contactless), embutido em um cartão ou em um celular para pagamentos rápidos e de baixo valor? Para Marcelo Câmara, diretor setorial de prevenção a fraudes da Febraban, “é preciso estar atento sobre o tipo de meio de pagamento mais adequado para cada público e isso, infelizmente, ainda não é um fator conhecido pelo mercado.”

 

Para Clelson Flamia Diniz, gerente de arquitetura, soluções e produtos de serviços de pagamentos e integração de negócios da UOLDIVEO, um dos principais problemas enfrentados hoje com relação à adesão aos novos meios de pagamento está relacionado à própria cultura, pois as pessoas em geral não estão acostumadas com esses processos para realizar suas transações monetárias. Obviamente, o advento dos smartphones conseguiu atrair os prestadores de serviços e autônomos, principalmente, para aderirem a essas novas iniciativas. “O que as empresas e prestadores de serviços esperam é realizar vendas mais rápidas. Desta forma, esse debate sobre os aspectos que envolvem a adoção de novas formas de pagamento é muito importante para os processos de negócios. É preciso entender o negócio do cliente e buscar a forma que melhor atenda a esse processo”, ressalta Diniz.

 

Do ponto de vista da segurança, José Diaz, vice-presidente da Thales, ressaltou que é muito importante que a implementação dos sistemas aconteça respeitando sempre os principais aspectos relacionados à segurança.  Segundo ele, em cinco anos, cerca de 46% dos celulares serão utilizados em pagamentos, o que facilitará muito a vida dos consumidores. Porém, é preciso que os sistemas processados protejam a transação. “É muito importante proteger os dados do consumidor e também entender qual a melhor maneira de utilizar cada um dos meios de pagamentos disponíveis hoje. A tecnologia já está disponível e traz benefícios, como por exemplo, a simplificação do processo”.

 

Na opinião de Thiago Musa, especialista em segurança de pagamentos por dispositivos móveis, o celular ainda não atingiu nível de segurança comparável ao do POS, principalmente por não existir padronização entre os dispositivos. Para ele as vantagens e os recursos do celular, como a geolocalização, por exemplo, que permite a criação de regras de negócios, tem limites já que o recurso não será necessariamente ativado pelo usuário. Musa alerta para a responsabilidade de cada um dos envolvidos no processo: “cada player é responsável por sua parte. Daí a importância da escolha correta da tecnologia e do parceiro.”

 

Uma das inovações mais comentados pelos especialistas é a fusão do POS com o smartphone, em que o software é embarcado no dispositivo e este conectado a uma leitora de cartão. De acordo com Osmar Pereira, gerente de segurança de soluções de captura da Cielo, apenas 26% dos pagamentos no Brasil ocorrem por meio de cartões, sejam de débito ou de crédito, o que comprova que ainda há um mercado imenso a ser explorado. “É necessário ter um patamar mínimo de segurança. A senha, por exemplo, no caso do dispositivo de pagamento embarcado no celular, é digitada no periférico e não no smartphone. Tudo de acordo com as regras de compliance, além de ferramentas para validar e autenticar as informações”, explica.

 

Em relação às fraudes, Câmara, da Febraban, ressaltou que existe uma tendência clara de migração, “pois o crime está onde o dinheiro está”, seja em pagamentos online, via POS ou via celular. Em sua opinião, nenhuma tecnologia pode ser 100% segura. “Tentamos nos proteger de diversas formas, mas ainda somos muito passivos. Precisamos de armas mais fortes. Não importa o meio, sempre vão existir brechas de segurança, é uma luta sem fim. No Brasil, são cerca de 1,5 bilhão de crimes digitais por ano e ainda têm muitos aspectos que não conhecemos. Porém, do total das transações realizadas, isso representa 0,00001%, que é um percentual bastante irrisório dentro do montante, mas que faz com que a percepção de risco possa ser equivocada”.

 

Do ponto de vista do consumidor, que algumas vezes esbarram nas políticas de segurança na hora da compra, os especialistas concordam que será preciso que os lojistas ajustem-se para não correr o risco de que os mecanismos de prevenção comprometam vendas a bons pagadores. Com isso, diminuem-se as fraudes sem contrapartidas nas vendas.


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