31/03/2020 às 12h22min - Atualizada em 31/03/2020 às 17h08min

O que tem sido feito para melhorar a mobilidade no ABC paulista?

Com uma população de cerca de 716 mil habitantes, Santo André constitui uma das maiores cidades da região do ABC Paulista — que inclui São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul —, abarcando municípios nos arredores da capital.

Conhecida como o terceiro maior pólo econômico do país, a região do ABC iniciou seu desenvolvimento industrial na década de 1950. Nessa época, foram instaladas as primeiras indústrias automobilísticas no Brasil. Atualmente, a região continua sediando grandes montadoras, como a Ford, a Volkswagen e a General Motors.

Tal desenvolvimento econômico requer uma boa malha de transportes para garantir a livre circulação de pessoas, mercadorias e serviços, além de certificar o bem-estar dos cidadãos durante deslocamentos até o trabalho, ou em horas de lazer.

Ademais, o ABC Paulista também se tornou famoso por ser palco do de greves sindicais, no fim da década de 1970, o que fortaleceu o movimento sindical de onde saíram personalidades como o ex-presidente Lula.

 

Problemas de mobilidade da região

Contudo, na prática, o que se vê são pessoas exaustas, gastando horas do seu dia em deslocamentos básicos, até outro município do ABC ou à capital paulista. A região é marcada por verdadeiros estrangulamentos do tráfego, causados pelo excesso de automóveis individuais e os escassos investimentos em transporte público.

 

Obras prometidas, mas não concluídas
Embora haja uma circulação intensa de pessoas entre a capital e as cidades do ABC, são poucas as saídas para a cidade de São Paulo. Tal panorama fica ainda pior após o cancelamento de obras prometidas há anos pelo governo estadual, como o Monotrilho Tamanduateí-ABC e o Expresso ABC.

Outra promessa do governo paulista para melhorar a mobilidade da região é a construção da Linha 18-Bronze (Tamanduateí - Djalma Dutra). Contudo, há dois anos a proposta caminha a passos lentos, por falta de financiamento. Outra crítica à Linha 18 é que o seu trajeto passa por cima de áreas de várzea de rios — planícies de inundação —, o que pode ser um problema em períodos chuvosos, como o verão.

 

Propostas para ampliar a mobilidade

Mediante esse contexto, a Prefeitura de Santo André contratou, pelo valor de R$ 4,1 bilhões, uma empresa privada  para elaborar o plano de mobilidade urbana municipal, nos moldes do programa sustentabilidade da cidade. Tal plano serve para traçar parâmetros para políticas públicas de mobilidade urbana, tais como transporte público, circulação, trânsito e investimentos em infraestrutura. 

Além de diagnosticar a situação atual na cidade, esse plano deve traçar objetivos a curto, médio e longo prazo — 5, 15 e 25 anos, respectivamente — para melhorar a integração entre distintos modos de transporte.

A elaboração de um plano de mobilidade urbana foi uma das exigências do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) antes de emprestar U$ 25 milhões para obras viárias na região, entre as quais estão os corredores de ônibus.

 

Consórcio Intermunicipal

Em janeiro de 2020, outra iniciativa foi a análise da revisão do Plano Regional de Mobilidade pelo Consórcio Intermunicipal ABC. Tendo como objetivo propor medidas para melhorar a mobilidade na região, esse plano discute normas operacionais de gestão da circulação de pessoas e a reorganização das redes municipais e metropolitanas de transporte coletivo.

Desde 2016, a partir de investimentos federais, o Consórcio ABC elabora 21 projetos funcionais e básicos de engenharia que visam melhorar a fluidez do transporte público. 

Em 2018, o Ministério das Cidades autorizou o repasse para o projeto executivo do Centro de Controle de Operações, anunciado ainda em 2013. Ambas as iniciativas estão na última etapa de entrega dos produtos.

Por fim, em São Caetano do Sul, outra iniciativa para a área da mobilidade foi a criação de rotatórias verdes na cidade. Além de orientar o fluxo de veículos e auxiliar no controle da velocidade dos automóveis, a medida elimina conflitos nos cruzamentos, substitui o uso de semáforos e melhora o paisagismo urbano.

 
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