25/03/2020 às 08h14min - Atualizada em 25/03/2020 às 08h33min

Diagnóstico errado é um dos fatores que fazem com que endometriose demore a ser detectada em pacientes

Março Amarelo: mês mundial da conscientização da endometriose. Doença atinge 10% das mulheres em idade fértil

DINO
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Campanha Março Amarelo: Mês Mundial da Conscientização da Endometriose

Um estudo mundial realizado pela World Endometriosis Research Foundation revelou que mulheres portadoras de endometriose demoraram, em média, 7 anos para obter o diagnóstico de endometriose. O levantamento foi feito em 2011 com 1.418 pessoas do sexo feminino entre 18 e 45 anos.

A demora no diagnóstico - fruto da desinformação - é um dos motivos que levaram à criação do Março Amarelo - Mês Mundial da Conscientização da Endometriose - justamente para alertar as mulheres sobre a importância de estarem atentas aos principais sintomas da doença e também de procurarem um especialista no assunto, capacitado para realizar o diagnóstico correto da enfermidade.

A endometriose é uma doença crônica que atinge cerca de 10% das mulheres em idade fértil em todo o mundo. A enfermidade pode causar dores muitos fortes e até mesmo incapacitantes.

Mas qual o motivo da demora tão grande no diagnóstico? Na opinião da ginecologista formada pela USP Aline Mormilo Borges, da Humanize Diagnósticos, laboratório especializado no diagnóstico da endometriose, um dos grandes problemas é a falta de profissionais de saúde capacitados para realizar, de forma correta, a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, exame que diagnostica a doença.

Professora-assistente da disciplina de especialização em ultrassonografia para pesquisa em endometriose do Cetrus e médica do corpo clínico do Centro de Diagnósticos do Hospital Sírio Libanês, Aline Mormilo explica que este é um exame demorado e que exige uma experiência que a maioria dos profissionais de ultrassonografia não tem.

Além do diagnóstico laboratorial, há ainda a falta de atenção dos próprios ginecologistas, que muitas vezes ignoram as queixas das pacientes. "Muitos médicos acreditam que sentir cólicas fortes é normal. Mas pode não ser. Se há queixa da paciente, é preciso investigar", diz a ginecologista Aline Mormilo.

O primeiro passo para o diagnóstico é o exame ginecológico clínico. O exame físico (toque vaginal) consegue detectar cerca de 70% das lesões de endometriose localizadas na região retrocervical (atrás do colo do útero).
O diagnóstico de endometriose, no entanto, precisa ser confirmado por meio da realização de exames específicos. "O que acontece frequentemente é que o médico pede para que a paciente faça um ultrassom transvaginal e nada é diagnosticado. E a mulher continua a sofrer. O correto, para detectar a endometriose com exatidão, é fazer um ultrassom transvaginal com preparo intestinal", enfatiza Aline Mormilo.

Qualidade de vida prejudicada
A ginecologista Ana Glauce Freire de Carvalho, também da Clínica Humanize Diagnósticos, conta que a endometriose é uma doença que mexe muito com o emocional das mulheres porque afeta não só a capacidade de trabalho - muitas precisam faltar por causa das fortes cólicas que não passam com administração de analgésicos - como também a vida sexual e o relacionamento destas mulheres e, muitas vezes, provoca infertilidade. "Os principais sintomas são cólicas fortes, dor na relação sexual e dificuldade para engravidar", explica. A ginecologista conta que uma de suas pacientes, depois de anos até receber o diagnóstico de endometriose, sentia-se arrasada emocionalmente. "Ela me falou que era um nada. Não podia trabalhar, ter relações sexuais, nem engravidar".

O que é endometriose

E endometriose é uma doença caracterizada pela presença de células do endométrio fora do útero. O endométrio é o tecido da camada interna do útero. Todo mês, o útero se prepara para a fecundação do óvulo. Quando ela não ocorre, o endométrio descama. As células endometriais se desprendem e saem com o sangue menstrual. Em algumas mulheres, no entanto, as células endometriais podem migrar no sentido oposto (menstruação retrógrada) e se multiplicarem fora do útero, em outras partes do órgão reprodutor feminino ou em órgãos como intestino e bexiga, entre outros. Quando crescem em lugares "errados", as células endometriais podem provocar inflamação e cicatrizes (fibrose), causando dor. "Nem todas as mulheres que tem menstruação retrógrada vão desenvolver endometriose. A doença ocorre mais mulheres com predisposição genética", explica a ginecologista Ana Glauce.

Atenção aos sintomas!

• Observe seu ciclo menstrual. Cólicas leves, moderadas, mas principalmente intensas, podem ser sintomas de endometriose. Se a dor lhe incomoda, procure um ginecologista e faça uma avaliação.

• Se você nunca teve cólica menstrual e passou a ter, fique alerta. Pode ser sintoma de alguma alteração no aparelho reprodutor feminino. Na dúvida, consulte um ginecologista.

• Dor durante a relação sexual também pode ser sintoma de endometriose. Não dor na penetração, mas na parte mais profunda da vagina.

• Infertilidade, independentemente de sintomas dolorosos.

• Dor pélvica crônica ou distensão abdominal

• Dor para evacuar, diarreia ou constipação durante o período menstrual.

• Dor para urinar durante o período menstrual

Causa

Existe uma predisposição genética na ocorrência da endometriose. Isso significa que, se um parente próximo tem ou teve a doença, a chance de aparecimento da enfermidade aumenta. Não quer dizer que porque sua mãe teve, você terá também. Mas a probabilidade cresce.

E por que algumas mulheres, mesmo com predisposição genética, tem a doença e outras não? A ginecologista Aline Mormilo explica que as condições do ambiente em que a mulher vive modulam a ocorrência da endometriose. Stress, ansiedade e alterações imunológicas podem desencadear a doença.

A endometriose é uma doença crônica, ou seja, que não tem cura, mas pode ser controlada. O tratamento clínico é feito principalmente com hormônios que interrompem o ciclo menstrual. Em casos específicos, no entanto, é necessária a realização de cirurgia para a retirada dos focos da doença. As intervenções cirúrgicas devem ser feitas através de laparoscopia, método minimamente invasivo.

A endometriose dificulta a vida de quem quer engravidar? A resposta é sim. Entre um terço a metade das mulheres com endometriose têm dificuldade para engravidar. Isso ocorre devido ao processo inflamatório crônico desencadeado pela endometriose na pelve e ou por alterações anatômicas do aparelho reprodutor, como por exemplo obstrução das trompas (tuba uterina) ou ambas as causas.



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