24/03/2020 às 15h29min - Atualizada em 24/03/2020 às 16h48min

Ômega 3 combate inflamação de neurônios provocada pelo vírus Zika

O ômega 3, ácido graxo encontrado normalmente em peixes de água fria, pode reduzir a morte de neurônios quando esse processo ocorre por causa do vírus Zika. A descoberta foi feita pelo Laboratório de Imunologia e Inflamação (Limi) da Universidade de Brasília (UnB). Os testes feitos na instituição também indicam que a substância auxilia na redução da carga viral nas células do sistema nervoso humano.

O zika Vírus é transmitido por meio dos mosquitos Aedes Aegypti, o mesmo transmissor da dengue, e pelos Aedes Albopictus. Ele teve sua primeira aparição em 1947 em macacos da floresta Zika, em Uganda. O primeiro caso em seres humanos só foi observado em 1954. No Brasil, o vírus foi detectado pela primeira vez em 2015. O Zika acarreta em complicações neurológicas, como encefalite, síndrome de Guillain Barré e microcefalia.

A infecção compromete as células nervosas, responsáveis, entre outras funções, por capturar energia. Como elas são atacadas, sofrem estresse oxidante, provocando a morte de neurônios. O que o ômega 3 faz, neste caso, é ter uma função antagônica ao vírus. Isso só acontece quando as células produzem outras moléculas com essa interação. A pesquisa foi feita pela estudante de mestrado Heloísa Braz-de-Melo, com orientação da coordenadora do Limi/UnB e professora do Departamento de Biologia Celular, Kelly Magalhães.

O estudo sobre os efeitos do ômega 3 foi feito com uma amostra do vírus isolado de um paciente infectado em Pernambuco, em 2015. Além disso, a universidade também fez pesquisas com camundongos, mas os resultados ainda não foram divulgados. O Laboratório de Imunologia e Inflamação da Universidade de Brasília participa de uma rede internacional com Canadá, Escócia e Estados Unidos para pesquisar o vírus Zika.

Essa não é a primeira vez que o ômega 3 é associado com atividades anti-inflamatórias ou com benefícios à saúde. Diversos estudos e pesquisas já demonstraram que o ácido graxo pode ser útil e benéfico ao corpo humano na dose certa. A substância é encontrada em peixes de água fria como o salmão e a sardinha, além de também ser encontrado em oleaginosas (nozes, castanha-do-pará, amêndoas e amendoim, por exemplo).

Ele também pode ser consumido por meio de cápsulas, vendidas por empresas fabricantes de suplementos alimentares. O ômega 3 é composto por três variedades: ácido alfa-linolênico (ALA), ácido eicosapentaenoico (EPA) e ácido docosahexaenoico (DHA). Juntos, oferecem benefícios já detectados para a saúde. O EPA e o DHA colaboram para a proteção do coração em vários níveis, por exemplo.

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