28/02/2020 às 17h12min - Atualizada em 28/02/2020 às 17h36min

Viajar sozinha: desafios que as mulheres enfrentam na estrada

 
 
Há algum tempo, as mulheres têm buscado romper com barreiras impostas pelas diversas culturas e pelas diferentes sociedades patriarcais. Se há algumas décadas, as brasileiras, por exemplo, precisavam de autorização para viajar sem o marido, hoje em dia, esse tipo de “autorização” não tem cabimento.
 
Uma mulher pode planejar uma ida a um parque aquático, uma viagem para uma ilha paradisíaca ou uma região montanhosa, seja em território nacional ou internacional, e não deve pedir permissão para ninguém, aliás, elas não devem dar satisfações para pais, maridos ou namorados.
 
No entanto, sabe-se que elas ainda enfrentam certa resistência com relação às viagens sozinhas. Uma das causas é que elas não se sentem seguras viajando desacompanhadas, já que, para muitos, uma mulher sozinha é mais indefesa, ou o “alvo perfeito”.   
 
Passar por esse desafio pode ser extremamente enriquecedor, mas é importante tomar alguns cuidados.

Situações difíceis pelas quais as mulheres passam

Muitas vezes, o incômodo das mulheres que querem viajar sozinhas começa no traslado para rodoviárias e aeroportos. Quando estão desacompanhadas no transporte público ou em caronas dos aplicativos, as mulheres ficam mais inseguras e com medo de violências físicas ou sequestros, por exemplo.
 
Se a viagem é pelas rodovias brasileiras, o medo se repete, sobretudo porque os bancos dos passageiros são muito próximos e desconfortáveis, e muitos estranhos acabam aproveitando a situação para se aproximar indevidamente dessas mulheres desacompanhadas.
 
A chegada nos destinos também pode ser preocupante, dependendo do horário e da região em que a mulher vai se hospedar: durante a noite, em centros urbanos ou rurais, o medo costuma ser maior.
 
E, nos dias de passeio ou de trabalho no destino escolhido, muitas mulheres têm receio de passar por áreas escuras e desertas. Isso pode acabar limitando os passeios e deslocamentos, pois elas deixam de sair à noite, por exemplo, por medo de que algo lhes aconteça. 
 
É claro que os homens que viajam sozinhos também estão suscetíveis a alguns tipos de problemas, mas será mesmo que eles se tornam o alvo preferencial de criminosos e assediadores, por exemplo? Será mesmo que os homens são tão vulneráveis quanto as mulheres?

O porquê do medo

Quando uma mulher diz que tem medo de viajar sozinha, esse sentimento não é banal, não acontece por acaso. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2014, mais de 49 mil brasileiras foram estupradas no país, uma média de 11 mulheres a cada minuto. Quatro anos depois, em 2018, esse número era ainda mais assustador: cerca de 54 mil mulheres foram violentadas sexualmente.
 
Ainda em 2018, quase 5 milhões de brasileiras foram agredidas física, emocional ou psicologicamente: uma média de 536 por hora. As agressões em ambientes públicos, como nas ruas e nos bares, costumam ser comuns. 
 
Diante de dados como esses, fica claro que o medo que muitas mulheres sentem não é desproporcional ou irracional. O temor é pela vida, pela saúde física e emocional. 

Como lidar com o medo de estar sozinha

Lidar com o medo não é tão simples assim. Até porque, por mais esclarecida que a mulher seja, por mais informações que tenha, na hora de lidar, por exemplo, com um assédio é difícil prever os comportamentos.

Rede de apoio

De qualquer forma, é importante que a mulher tenha uma rede de apoio — parentes, amigos, colegas de trabalho — que a ajudem a vivenciar, sem traumas, os primeiros dias da viagem.
 
Com as redes sociais, a comunicação fica muito mais fácil e rápida, e as mulheres tendem a não se sentir tão desprotegidas. Por isso, o diálogo diário, por exemplo, no WhatsApp pode ajudar a mulher a se sentir menos sozinha ou insegura.

Ter por perto o número da polícia

Outra forma de se sentir mais segura, ou, pelo menos, não tão vulnerável assim, é ter por perto o número da polícia. Se a viagem é pelo Brasil, fica mais fácil de decorar, já se a aventura for por um país estrangeiro, é fundamental que a mulher guarde o número no celular e o tenha gravado na memória “humana”.

Evitar lugares perigosos

Em uma sociedade justa e igualitária, nenhuma mulher deveria ter que se privar de nada. No entanto, como ainda vivemos em uma sociedade patriarcal e machista, para se preservar, é preferível que a mulher deixe de realizar certas tarefas.
 
Então, por exemplo, se quer muito visitar uma região da cidade, mas sabe-se que ela é perigosa, é melhor evitar e deixar a visita para uma outra ocasião.

Viajar sozinha é empoderador

Nos últimos anos, com o uso mais acentuado das redes sociais, muitas mulheres têm relatado as delícias e os perrengues pelos quais passaram em suas viagens sozinhas pelo Brasil e pelo mundo.
 
Movimentos que encorajam e dão dicas para as mulheres que querem passar por essa experiência também têm se tornado frequentes no ambiente virtual.
 
Quem já realizou uma viagem assim alega que estar sozinha é extremamente empoderador, ou seja, ajuda as mulheres a conquistarem mais autonomia e a se sentirem mais seguras e confiantes de si mesmas.
 
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