28/02/2020 às 16h43min - Atualizada em 28/02/2020 às 16h54min

A OMS reconhece a Medicina Tradicional Chinesa

A Medicina Tradicional Chinesa (ou MTC) já é muito conhecida no Brasil, e a acupuntura se encontra como tratamento em diversos pontos hospitalares e clínicas públicas e particulares pelo país. Por isso, a notícia do reconhecimento das técnicas milenares chinesas por parte da OMS, divulgada em Janeiro de 2020, trouxe grande comoção por parte de quem administra e quem recebe tratamento de suas mais variadas modalidades.
A novidade surgiu na 72ª Assembleia Mundial da Saúde, na Suíça, durante a 11ª revisão da Classificação Internacional de Doenças, mais conhecida como CID-11. Nesta revisão, a Organização Mundial da Saúde decidiu por reconhecer e incluir a Medicina Tradicional Chinesa em seu código internacional de doenças pela primeira vez desde sua fundação, em 1948.
A inclusão se trata de um capítulo especial voltado à MTC, como a designação das práticas, tratamentos e suas condições, e entrará em vigor em Janeiro de 2022.
Apesar de ser amplamente difundida no mundo todo, não havia ainda o reconhecimento pelos órgãos oficiais da saúde, o que dificultava a padronização e coleta de dados sobre os benefícios do tratamento Oriental. Agora, a expectativa é que seja mais fácil obter os dados necessários para interpretar melhor resultados e ajudar os pacientes.
Na China, Japão e Coreia do Sul, a MTC tem função importante na saúde de seus residentes, e no Brasil, a acupuntura é reconhecida pelo SUS e clínicas particulares como tratamento de alívio de dores crônicas.
Com a inclusão da Medicina Chinesa na OMS, será possível oficializar os dados já coletados pela China e compará-los com métodos da Medicina Ocidental. Além disso, será possível aprofundar os tratamentos atuais seguindo a linha filosófica da MTC, não só como um paliativo para a dor, mas também como solução para doenças mais severas.
A oficialização do CID-11 passa também a mensagem às seguradoras, planos de saúde e clínicas públicas e particulares de que a MTC deve ser levada a sério e coberta pelos convênios médicos, para que todos os pacientes tenham a oportunidade de serem tratados com todas as alternativas que englobam a Medicina Chinesa.
Quais os principais tratamentos da Medicina Tradicional Chinesa?
A acupuntura atualmente é a mais conhecida entre os diversos métodos, porém ela é usada superficialmente no sistema de saúde. Não só para tratar dores crônicas com alívio imediato, a acupuntura se baseia em um mapa energético do corpo para tratar a causa das mais variadas doenças, ao invés de tratar apenas os seus sintomas.
No geral, a Medicina Tradicional Chinesa acredita que existem cinco elementos principais no corpo humano. Cada órgão é regido por um elemento e o bem-estar é alcançado quando há um equilíbrio entre todos.
O primeiro dos elementos é a Água, e ela é responsável principalmente pelos rins e pela bexiga. A ela estão ligados os ossos, cabelos, ouvidos, e sensações como o medo ou a força de vontade.
O Fogo é responsável pelo coração e intestino delgado. A ele estão ligados a língua, o sistema vascular, e sensações como euforia e a própria consciência.
O Metal é responsável pelo pulmão e intestino grosso. A ele estão ligados o nariz, a pele, os pelos, e sentimentos como a tristeza. Na Medicina Chinesa, não há o elemento Ar, e o metal seria o equivalente a este elemento.
A Madeira, elemento que não se encontra na designação dos 4 elementos que conhecemos, é o elemento responsável pelo fígado e pela vesícula biliar. A ela estão ligados os olhos, tendões e sentimentos como a raiva.
Por último, há o elemento Terra, que é responsável pelo baço e pelo estômago, e a este elemento estão ligados a boca, músculos, e sentimentos como a preocupação.
Os princípios da Medicina Tradicional Chinesa foram fundados sobre estes cinco pilares, junto da teoria de Yin e Yang. Seja através da acupuntura, da aplicação de ventosas, da fitoterapia e dietoterapia, a MTC acredita que doenças, dores e indisposições vem do desequilíbrio destes elementos e das energias Yin Yang, através dos excessos ou das faltas, presentes nos alimentos, estilo de vida, ausência ou excesso de descanso ou até mesmo de como o emocional do paciente se apresenta.
Todo um estudo milenar baseado em prevenção em primeiro lugar e tratamento em segundo lugar, se preocupando não só com sintomas, mas com o funcionamento geral do paciente, fundou e sustenta o sistema de saúde de países populosos como a China e o Japão, e, a partir do ano que vem estará disponível para o mundo todo e ligado à Medicina Ocidental.
Essa combinação poderá trazer à luz novos tratamentos, curas e soluções para doenças outrora dadas como incuráveis ou terminais. Não só a medicina ocidental ou a oriental se beneficiarão. Com o CID-11, a OMS aceita e incorpora a MTC como parte do sistema de saúde mundial, assim como os dados dos países que já se utilizam dela, criando um banco de dados e estatísticas completamente novo para todos os países.
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