28/02/2020 às 16h44min - Atualizada em 28/02/2020 às 16h54min

Como o coronavírus afeta a importação e exportação chinesa

 
 
Quando o coronavírus saiu do controle e deixou de ser apenas uma doença regional, com os primeiros casos identificados na Europa, a China começou a se preparar para conter uma pandemia.
 
Além da saúde, o mercado financeiro também sofreu com o avanço da doença, resultando, por exemplo, em quedas na bolsa de valores e no aumento do dólar em cotações brasileiras. Há oscilação de taxas na economia, que ainda não está tão estável, tendendo a um crescimento menor.

Impacto mundial

A OMS (Organização Mundial de Saúde) segue acompanhando de perto o surto do coronavírus, além de atualizar em que outros países a doença vêm sendo identificada. O grande medo é que se tenha uma caso de pandemia, como aconteceu há cerca de 10 anos, com o H1N1.
 
No entanto, não é apenas a OMS que está preocupada. A OMC (Organização Mundial do Comércio) já começa a se preparar para possíveis perdas e redução do crescimento da economia mundial em 2020.
 
Por enquanto, ainda não é possível dizer com precisão o quanto o coronavírus irá interferir na economia global, porém, quanto mais o surto demora para ser controlado, mais negativo será o cenário.
 
Primeiramente porque não se sabe se a China irá reduzir o número de importações, e em segundo lugar entra o medo de aceitar um produto exportado pelo país em que a doença surgiu. Afinal, há um determinado risco do vírus se espalhar através de cargas e navios.

Importação de alimentos

Apesar do surto, a China precisa alimentar sua população. Então, continuará importando alimentos de outros países, inclusive do Brasil, grande parceiro comercial voltado, principalmente, para a compra e venda de carne bovina.. Acredita-se que a tendência seja que o país asiático aumente suas compras para estocar alimentos, ao menos em um primeiro momento.
 
A maioria dos especialistas concorda que mesmo a carne sendo um alimento perecível, deve continuar sendo importada. Ao menos por enquanto, em que ficou claro que a transmissão da doença ocorre apenas pelo contato com outro humano já enfermo.
 
Os estudos feitos pelos cientistas demonstraram que o coronavírus inicialmente afetava apenas morcegos, porém, se comprovado que além dos humanos o vírus pode contagiar outros animais, pode sim haver queda no consumo da carne. Afinal, a população pode se sentir insegura, mesmo que essa carne venha de outro país.

Importação da soja

A soja é outro importante produto brasileiro vendido para a China. Os especialistas nessa commodity acreditam que a demanda pelo grão não seja impactada, tanto positiva quanto negativamente. Caso aconteça uma redução na importação, deve ser tão leve que não afetará, de fato, os mercados que vendem o produto.
 
Além disso, o mercado de soja não trabalha com contratos de curto prazo. Em média, as vendas são negociadas de maneira prévia, sendo realizadas de seis a oito meses antes. Assim, o que está sendo exportado do Brasil para a China atualmente, já foi negociado anteriormente.
 
Se o país optar por reduzir a importação da soja, isso deve ocorrer nos contratos que estão sendo negociados agora. Assim, no curto prazo, esse mercado não é afetado.
 
No entanto, se a doença não for controlada em breve, até mesmo o mercado de soja poderá sentir os impactos ocasionados pela queda nas vendas.

Exportação chinesa

Eletrônicos são os principais produtos exportados pela China para os mais variados países. Como o foco está em resolver o surto do vírus, é bem provável que as exportações caiam, afetando a economia chinesa.
 
Em 2019, o país contabilizou o menor PIB dos últimos 29 anos (“apenas” 6,1%), e para 2020 não é esperado, segundo os últimos parâmetros, um crescimento econômico favorável.
 
Agora resta esperar pelas próximas notícias e torcer para que a doença seja controlada em breve, por mais que a economia mundial tenha um crescimento abaixo do previsto.
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