13/02/2020 às 14h09min - Atualizada em 13/02/2020 às 15h17min

Educação que faz sentido e mostra resultado

“Estou enxergando o mundo de um jeito diferente!!”, diz a jovem estudante Julia Pinho, sobre as mudanças  provocadas pelo curso de Design Thinking . Julia é aluna do 8º ano da Aubrick Escola Multicultural Bilíngue na zona sul da capital. A aula de Design Thinking é um curso extracurricular que foi implementado pelo profissional Paulo Bettio há dois anos. Pelos relatos dos estudantes, o professor e a metodologia de inovação utilizada foram os responsáveis por fazê-los olhar a vida em novas perspectivas e com grandes emoções.

 

Um projeto que provocou a transformação...

A transformação nos alunos começou a acontecer em março, quando o professor Paulo os levou à Fundação Dorina Nowill, que desenvolve trabalho de inclusão e acessibilidade de deficientes visuais, e disse aos alunos. “Vocês passarão hoje pela experiência de sentir o que é ser cego. E a partir dessa vivência, quero que usem toda a sua criatividade e tenham ideias, por mais malucas que sejam, que possam melhorar o dia a dia dos deficientes visuais”.

"Nosso objetivo era entregar soluções e melhorar o serviço de apoio aos cegos. A visita dos alunos revelou para eles que quem não enxerga não são os deficientes. Somos nós que não enxergamos eles", destaca o professor. "Eles se colocaram no lugar dos deficientes visuais e perceberam que o mundo não é preparado para os deficientes".

“De olhos vendados, tive que buscar água e voltar para a sala. Foi muito difícil!”, diz a aluna Laura Marzllo. Ela, Julia e Isabela contaram que a partir da vivência de um dia como deficientes visuais, tiveram várias ideias e passaram a estudar mais a vida dos cegos e a enxergar o mundo de uma nova maneira.

As três estudantes fazem parte do grupo que criou soluções de acessibilidade para cegos nas escolas regulares. “Foi uma experiência de muito crescimento para todas nós. Começamos a olhar o mundo sob a perspectiva da inclusão em toda a sua dimensão e a perceber o que na nossa escola precisa de adaptação para uma melhor inclusão dos deficientes visuais”, conta Isabella Moreno. As estudantes foram até a direção da escola e apresentaram os estudos que fizeram, e a escola vai providenciar a adequação do espaço.

A metodologia do Design Thinking, aliada ao estímulo de um professor apaixonado pelo trabalho, foram fundamentais para o sucesso do projeto. “Sabe aquela aula que você não quer faltar de jeito nenhum? Se a gente perde uma aula, perdemos o processo do trabalho”, conta Isabella.

Na última semana de novembro, os alunos voltaram à Fundação Dorina Nowill para apresentar suas soluções e explicaram como fizeram para chegar a cada um dos protótipos apresentados.

Um deles foi o cão guia robô. Após terem a informação de que só existem 150 cães guias no Brasil para 6 milhões de deficientes visuais, os alunos inventaram um cão, com rodas grandes e com GPS programado para conduzir o cego pelas melhores rotas (sem buracos e mais seguras).

Colete com sensor que avisa quando tem obstáculo e buracos; impressora portátil em braile; cartela de adesivos de silicone em braile para serem colados nos aparelhos com teclado “touch”, como micro-ondas, por exemplo; um chaveiro com código de barras que ajudará o consumidor dos estabelecimentos comerciais a doarem a Nota Fiscal paulista para a Fundação e outras soluções muito interessantes.

“Fiquei muito orgulhosa de nossos alunos durante a apresentação dos protótipos. Os trabalhos de uma qualidade incrível, com embasamento e muito conhecimento acadêmico”, disse a diretora da Aubrick, Fátima Lopes.

O reconhecimento pelo trabalho dos jovens também veio da responsável pela área de Educação Inclusiva da Fundação Dorina Nowill, Maria Regina Lopes. “A apresentação foi além das minhas expectativas. Os alunos foram criativos e apresentaram algumas soluções no mesmo nível de algumas que já me foram apresentadas por universitários em seus Trabalho de Conclusão de Curso - TCC. As ideias podem incluir as pessoas com baixa visão, que fazem leitura com tipos ampliados. O principal é que essa ação crie uma cultura inclusiva na escola, onde todos fazem parte do processo.”

Onde nasce a inovação

"Nós nascemos criativos, mas ao longo da vida perdemos esta habilidade pois aprendemos a fazer as coisas de forma mais automática. O Design Thinking resgata a curiosidade e acolhe a possibilidade de assumir riscos, de testar novos caminhos e novas soluções para os mesmos problemas. Com isso, desenvolvemos em nossos alunos as habilidades do futuro, como criatividade, inteligência coletiva, empatia e atitude empreendedora", diz o professor Paulo Bettio. Para ele, o Design Thinking faz com que o aluno se permita a pensar diferente e, na diversidade e nas divergências, encontrar soluções não-óbvias para problemas complexos. É desta forma que surgem as inovações. “Trabalhamos os ‘soft skills’, as habilidades comportamentais que são as competências mais esperadas dos profissionais do futuro, independente da carreira que cada aluno escolha seguir”. Ele também explica que as aulas são dinâmicas, em grupos, não tem prova, não tem chamada. “E os alunos não faltam, eles adoram", fala o professor.

 

 

Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »