02/05/2014 às 22h59min - Atualizada em 02/05/2014 às 22h59min

As velhas práticas do PT e o risco de um novo 'poste' em SP

É preciso aprender com as malfadadas experiências do passado recente e não repetir os erros de 2010 e 2012.

Gabinete Deputado Federal Roberto Freire

 

por Roberto Freire

 

Está cada vez mais difícil para o cidadão comum acompanhar a sequência interminável de escândalos e denúncias de corrupção envolvendo membros do PT e do governo de Dilma Rousseff. As ramificações de esquemas encadeados no seio do poder revelam o funcionamento de uma intrincada rede de ilegalidades, ainda mais complexa do que muitos poderiam supor inicialmente, que beneficia agentes públicos às custas do patrimônio de todos os brasileiros.

Deflagrada pela Polícia Federal, a Operação Lava Jato desnudou um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou nada menos que R$ 10 bilhões e levou à cadeia um ex-diretor da Petrobras, a mais importante empresa brasileira e verdadeiro símbolo nacional dilapidado pelo PT nos últimos 12 anos. Outro personagem central do enredo de ilícitos é o doleiro Alberto Youssef, que estabeleceu uma parceria criminosa com o deputado federal André Vargas, cuja desfiliação do PT se deu apenas na semana passada. Dono de um laboratório de fachada registrado em nome de um “laranja”, o doleiro se aliou ao petista e amealhou um contrato milionário junto ao Ministério da Saúde para o fornecimento de um remédio.

A nebulosa operação, que chamou a atenção por envolver uma pequena empresa com capital social de R$ 28 mil e folha de pagamento de R$ 30 mil, resultou em um acordo que poderia chegar a R$ 150 milhões – dos quais R$ 31 milhões já haviam sido firmados por meio de um vínculo com o ministério da Saúde. Chega-se, então, a mais um nome coroado do PT citado nos relatórios da Polícia Federal: Alexandre Padilha, pré-candidato a governador de São Paulo.

De acordo com as investigações da PF, o ex-ministro dos governos de Lula e Dilma teria indicado um assessor para dirigir o laboratório-fantasma de Youssef. A suspeita se transformou em indício a partir de uma mensagem de celular enviada por Vargas ao doleiro, interceptada pela polícia, em que o deputado petista assegura ao comparsa que o funcionário havia sido indicado por Padilha.

O eleitorado paulista não merece que um postulante ao cargo mais importante do Estado tenha que ficar se explicando à Polícia Federal e ao Ministério Público sobre as ligações da pasta que comandava com empresas de fachada flagradas em atos ilegais. Um candidato ao Palácio dos Bandeirantes que fica à mercê do que venha a dizer um doleiro preso por lavagem de dinheiro não tem a envergadura moral necessária para governar São Paulo.

Imaginar que Padilha, como apregoam Lula e o PT, representa o “novo” na política paulista é se deixar enganar pelo mesmo discurso falacioso que elegeu Fernando Haddad prefeito da capital em 2012. O resultado de tamanho desatino é amplamente conhecido: o “poste” que administra a maior cidade do país coleciona fracassos em seu governo e é rejeitado pela esmagadora maioria da população. No plano federal, a escolha de Lula também se revelou desastrosa, como atestam a queda vertiginosa de Dilma nas últimas pesquisas de intenção de voto e a disputa fratricida entre seus aliados e nos meandros do próprio PT.

É preciso aprender com as malfadadas experiências do passado recente e não repetir os erros de 2010 e 2012. Atribuir a Lula a capacidade de determinar quem deve ser o próximo governador de todos os paulistas é menosprezar a capacidade dos eleitores de escolher seu futuro. São Paulo não merece ser administrado por um ex-ministro que, na melhor das hipóteses, é leniente com a corrupção. Padilha não é o “novo” prometido pelo PT e encarna velhas práticas repudiadas pela sociedade brasileira.

Roberto Freire é deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS  

 


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