10/12/2019 às 14h50min - Atualizada em 10/12/2019 às 13h55min

Jorge Jesus: "O Brasileirão estaria entre os cinco melhores da Europa"

O técnico do Flamengo, o português Jorge Jesus, disse nesta segunda-feira (9) que o Campeonato Brasileiro estaria entre os cinco melhores da Europa. "É muito competitivo e vocês têm uma forma muito fácil de analisar isso: quando [eu] cheguei, o Flamengo estava oito pontos atrás do Palmeiras. Só em um campeonato competitivo você consegue recuperar oito pontos como nós fizemos. Em Portugal seria muito mais difícil", analisou.

Não é a primeira vez que o treinador manifesta sua opinião positiva sobre o Brasileirão. Em setembro, ele havia dito que ver um jogo ao vivo no Maracanã era uma experiência única que não tinha visto no futebol europeu. No mesmo mês, afirmou que o seu Flamengo disputaria "seguramente" o título português. "Disputava o título a brincar, à frente de todos, disparado. Nos outros países, como Inglaterra, não seria da mesma maneira. Mas disputaria entre os seis primeiros lugares. Com os 11 que o Flamengo joga, é muito forte", afirmou.

Durante o evento de premiação dos melhores jogadores do Brasileirão, Jesus também defendeu que o campeonato do Brasil seja "melhor vendido". "Se analisar os campeonatos europeus em geral, é um conceito. Se analisarmos os melhores times, é outro conceito. É competitivo [o Brasileirão], tem qualidade, os torcedores são apaixonados. O Brasileiro tem que ser vendido de outra maneira para fora do Brasil. Foi um dos grandes objetivos, vim ao Brasil para vencer e felizmente conseguimos", continuou.

O Flamengo foi campeão brasileiro com 90 pontos, 16 a mais que o segundo colocado, o Santos. O time ainda conquistou a Libertadores da América contra o River Plate e embarca na semana que vem para o Catar, no Oriente Médio, onde tenta conquistar o último título da temporada: o Mundial de Clubes, cujo grande rival é o Liverpool (ING).

New York Times
O colunista Rory Smith, do New York Times, publicou recentemente um artigo questionando a possibilidade da América do Sul em produzir um gigante do futebol mundial para além dos times europeus. Para ele, a resposta pode estar no Flamengo. “O esporte se tornou tão eurocêntrico nas últimas duas décadas que é fácil lembrar dos clubes brasileiros como nada além de ‘fornecedores’: linhas de produção de talentos e operações para prover campeonatos como a Premier League e a La Liga com superestrelas”, afirma.

No entanto, Rory diz que o Flamengo pode provar duas coisas: a primeira é que, mesmo não sendo o time mais rico da América do Sul, ele é com certeza um dos mais idolatrados — tanto quanto os europeus, como foi exemplificado na saga dos torcedores até Lima, no Peru, para a final da Copa Libertadores contra o River Plate. A segunda é que as equipes do Brasil têm “histórias tão grandiosas e são instituições sociais tão importantes que podem ser comparadas com os clubes europeus em glamour, prestígio e até mesmo em dinheiro”.

Para o colunista do NYTimes, esses são alguns indícios de que pode estar surgindo, no futebol brasileiro, um gigante do futebol fora da Europa. A contratação de Jorge Jesus, o título da Libertadores, a administração da diretoria, a força da torcida e a história do time fazem com que ele não perca para nenhum grande do Velho Continente — assim como, para Rory, já tentaram o São Paulo, o Palmeiras, dentro outros.

“A popularidade [do Flamengo] é um bom início. Para isso, é necessário adotar algumas práticas europeias, mas não pode ficar na superfície. Muito trabalho tem que ser feito”, finaliza ele.
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