18/11/2019 às 13h07min - Atualizada em 19/11/2019 às 17h22min

Diagnóstico e tratamento de câncer de próstata não são sinônimos de fim da vida sexual

Depois da descoberta ou do tratamento do câncer de próstata, uma das primeiras preocupações do homem é a recuperação da vida sexual. De acordo com Gustavo Guimarães, cirurgião oncológico e urologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, com o avanço da medicina há abordagens pouco invasivas, além de medicamentos, cirurgias e técnicas de reabilitação que propiciam ao paciente uma melhor qualidade de vida, além do retorno à vida sexual. “O medo da disfunção erétil e da incontinência urinária são pontos que passam a assolar a mente desses pacientes. Mas atualmente as técnicas avançadas existentes no mercado possibilitam um melhor tratamento do tumor e trazem benefícios, pois diminuem o sangramento e a dor. Elas também contribuem para uma recuperação rápida da função sexual, desde que ele tenha uma cirurgia adequada e um atendimento multidisciplinar”, explica o especialista. O oncologista reforça que a melhor forma de prevenção é a informação. “O preconceito do homem de não ir ao médico e de não fazer o exame de toque retal está justamente ligado à falta de conhecimento dos benefícios do diagnóstico precoce”, completa. Ele também afirma que o exame de toque retal é extremamente simples, rápido, prático e indolor. “O homem, por vezes, pensa ser infalível e que nada irá acontecer com a sua saúde e, portanto, não está exposto a doenças. Esse pensamento, por si só, já é perigoso”, ressalta. Atenção para o histórico familiar O envelhecimento é o maior fator de risco para o câncer de próstata. O segundo fator é a hereditariedade. Se o paciente tiver dois familiares de primeiro grau com a doença, ele aumenta de seis para oito vezes as chances de desenvolver a enfermidade. “Outros fatores estão relacionados aos hábitos de vida: o sedentarismo está associado ao câncer de próstata assim como dietas pobres em frutas e verduras à obesidade. Ou seja, a prática de exercícios físicos regulares juntamente com uma dieta balanceada e visitas regulares ao urologista aumentam as chances de cura”, reforça o cirurgião. Quando não há nenhum caso na família, o paciente pode iniciar o rastreamento aos 50 anos. Já homens negros ou que têm parentes que já manifestaram a doença, devem iniciar os exames aos 45 anos. “É bom reforçar que o câncer de próstata é assintomático e, por isso, é tão importante fazer exames preventivos regulares para descobrir a doença logo no começo”, afirma o médico. Segundo o cirurgião, todos os tratamentos relacionados à enfermidade, como cirurgia e radioterapia, tiveram grandes avanços tecnológicos. “Nos últimos cinco anos, pelo menos uma droga nova foi lançada com excelentes resultados, transformando uma doença que antes tinha uma sobrevida curta (de dois a cinco anos) em uma doença controlável, com prognóstico de muitos anos de vida. O conhecimento sobre o câncer de próstata que existe hoje faz com que os médicos possam, inclusive, indicar pacientes que não precisam ser tratados inicialmente e que podem ser acompanhados ao longo dos anos com extrema segurança. É o que chamamos de observação vigilante”, finaliza.
Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »