13/11/2019 às 10h29min - Atualizada em 13/11/2019 às 16h40min

Será que é diabetes?

O diabetes é uma das principais doenças relacionadas a problemas cardiovasculares no mundo e, segundo projeção da Federação Internacional de Diabetes, 212 milhões de pessoas, o que equivale à metade dos adultos que têm a doença, ainda não foram diagnosticados. “O diabetes tipo 2 é muito prevalente e, na maioria das vezes, a enfermidade é completamente assintomática, dificultando a identificação”, adverte Adriano Cury, endocrinologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.
 
Segundo o médico, os sinais mais comuns de diabetes são de fácil identificação e incluem sede frequente, rápida perda de peso, micção constante, visão embaçada, cansaço e cicatrização lenta de cortes e feridas. O problema, no entanto, é que quando a taxa de glicose no sangue está alta, pois o corpo pode se comportar de uma forma que pode ser confundida com outra condição. “A pessoa pode se sentir cansada, sem energia, não perceber outros sintomas relacionados com o aumento da glicose no corpo e pensar que tem outros problemas de saúde”, exemplifica Cury. E para complicar, é comum durante a fase de pré-diabetes não haver sintomas claros da doença. “Essa pessoa poderá ter níveis de açúcar no sangue mais altos que o normal, mas não o suficiente para que seja classificada como diabética”, lembra o especialista da BP.
 
Portanto, os sinais devem ser melhor investigados e interpretados como um alerta. Ao receber o tratamento adequado, mudar o estilo de vida e controlar os níveis de açúcar no sangue o indivíduo terá uma melhora geral da saúde e ganho de qualidade de vida, evitando complicações graves. “Se esse paciente apresenta sintomas relacionados ao diabetes, ele precisa de uma avaliação para confirmar ou não o diagnóstico e fazer o acompanhamento de perto”, adverte o endocrinologista. “Os altos níveis de açúcar no sangue por tempo prolongado podem levar a complicações como a retinopatia diabética ou até perda de visão, doenças cardíacas, acidente vascular encefálico (AVE), neuropatia diabética ou mesmo uma insuficiência renal que pode, no extremo, levar à necessidade de diálise”, completa.
 
Comorbidade: a relação entre o diabetes e a saúde do coração
Pessoas diabéticas podem comumente apresentar algum tipo de doença cardíaca. O alto nível de açúcar no sangue prejudica os vasos sanguíneos e acelera a aterosclerose - o endurecimento e o estreitamento dos vasos sanguíneos. De acordo com o médico da BP, cerca de 30% delas terão alguma doença cardiovascular, principalmente aquelas classificadas com o tipo 2. E por que elas são mais vulneráveis? “Além do próprio diabetes, há fatores de risco associados a esse paciente como obesidade, pressão alta, tabagismo, altos níveis de colesterol ou mesmo pré-disposição genética”, explica o médico.
 
O problema cardiovascular também está presente e se comporta dessa maneira em diabéticos do tipo 1, mas nesse grupo é comum o médico procurar por complicações de retina ou dos rins. “Assim, é importante que haja uma avaliação minuciosa e completa desse paciente, um verdadeiro atendimento multidisciplinar”, lembra Cury.
 
É importante enfatizar que o diabetes é uma doença crônica. E o tratamento, segundo Cury, é individualizado e envolve o controle rigoroso do colesterol e do índice glicêmico do paciente, com a adoção de medicamentos, dieta, cessação do tabagismo e a manutenção de hábitos de longevidade e proteção cardiovascular. “Além do endocrinologista, o cardiologista e o oftalmologista são dois aliados nesses cuidados de longo prazo, adotados para que o diabético evite ou reduza a progressão das complicações micro e macrovasculares”.
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