31/10/2019 às 16h10min - Atualizada em 01/11/2019 às 11h38min

Sapatinho potencializa o controle motor na primeira infância

Observar bebês urbanos brincando na areia ou na grama está cada vez mais raro. Mas o que poucos pais sabem é que essa simples atividade pode contribuir para o desenvolvimento motor das crianças e, mesmo sem espaço seguro para andarem descalços, os pequenos já têm sapatos adequados para ajudá-los, inclusive, no desenvolvimento dos pés. Uma pesquisadora mineira, com a orientação de médicos ortopedistas infantis, fisioterapeutas e engenheiros, criou um calçado que simula o comportamento da natureza sob os pés das crianças para o correto desenvolvimento dos pés e da caminhada.
O primeiro Noeh
Após quatro anos de estudos multidisciplinares, incluindo estudos biomiméticos, que analisam a natureza para desenvolver produtos, a pesquisadora e designer Ana Paula Lage conseguiu trazer os benefícios da caminhada descalça em solo natural para um bebê urbano. “O resultado foi um produto que simula o comportamento dos pés andando descalço em um terreno natural, dentro de um calçado”.
O sapatinho possui tecnologia própria que utiliza microesferas na palmilha desde 2017, o primeiro do mercado a usar esse tipo de tecnologia, reconhecido com prêmios nacionais e internacionais.
A equipe de fisioterapeutas deu todo o suporte para os testes de laboratório com os usuários, o que certificou que o Noeh ativa o arco plantar, a curva do pezinho, além de atestar que uma criança descalça ou com o calçado desenvolvido tem o mesmo padrão de marcha, ou seja, não altera a maneira como a criança anda, sendo uma caminhada descalça protegida, ao contrário dos calçados comuns”, explica.
Musculatura dos pés
Os testes também certificaram que a caminhada descalça protegida promove o estímulo natural da musculatura dos pés. “Quando uma criança anda em um chão reto e duro, apenas os três principais pontos de apoio são estimulados – o calcanhar e as bases do dedão e do dedinho. Em um piso irregular e dinâmico, os pés são estimulados em sua totalidade, o que reflete na aquisição do equilíbrio dos bebês e, consequentemente, na pisada e caminhada de maneira mais correta”, ressalta Ana Paula.
A fisioterapeuta e pós doutora em Ciências da Reabilitação, Liria Okai-Nóbrega, acompanhou os testes aplicados para a certificação do calçado, e constatou os efeitos imediatos dos sapatos na forma de andar das crianças. “Nesse estudo verificamos que, geralmente, o uso de calçados influencia no tamanho da pisada da criança, na largura do passo e de como a criança eleva o pé para caminhar, por exemplo. Essas características mostram que o tipo de calçado tem influência direta em como a criança anda”, detalha a fisioterapeuta.
Resultados de quem usa
Francisco caía muito ao andar, de acordo com a mãe, a terapeuta ocupacional Thaíssa Vale. “Comecei a achar que poderia ser o sapato e busquei no mercado algum que fornecesse conforto e segurança. Até que encontrei o Noeh no Facebook. Agora, observo mais segurança na marcha. Mesmo quando corre, noto que tem mais noção do seu corpo no espaço”, conta.
Pesquisa e Desenvolvimento independente no Brasil
Para o lançamento de uma nova linha ainda mais tecnológica e sustentável, a Noeh abriu, no dia 08 de outubro deste ano, uma pré-venda coletiva por meio do sistema de captação de recursos conhecido como crowdfunding.
O processo de venda está sendo organizado pela Evoé, plataforma de financiamento coletivo que intermedia a arrecadação para a pré-venda de 300 pares de Noeh em cinco tamanhos diferentes.
Ana Paula conta que empresas em todo o mundo têm apostado nesse tipo de financiamento. O sistema tem ganhado cada vez mais popularidade, porque torna as empresas mais próximas de seus investidores, que são, muitas vezes, clientes da marca. “Para nós têm um sentido ainda mais importante, porque faz com que as pessoas se envolvam com iniciativas em prol do desenvolvimento infantil e da pesquisa aplicada de forma mais responsável e ativa. Principalmente os pais, que poderão perceber a importância de se ter um sapato adequado para seus filhos”, destaca Ana Paula.
Captações por crowdfunding
No Brasil, o crowdfunding foi regulamentado em 2017 pela Comissão de Valores Imobiliários (CVM). Apenas dois anos depois a procura de pequenas e médias empresas por captações via financiamento coletivo tem crescido de forma acelerada. Segundo a CVM, os três primeiros meses de 2019 já superaram todo o ano de 2018, quando todas as ofertas por meio de plataformas de captação levantaram cerca de R$ 46 milhões. O modelo de financiamento escolhido pela NOEH foi o “Tudo ou nada”, no qual o dinheiro é devolvido integralmente para cada apoiador, caso o projeto não alcance 100% da meta. “Queremos que a comunidade abrace o nosso propósito e sinta parte do projeto. Isso só será possível com o crowdfunding”.
Acesse a página da campanha e saiba mais sobre a Noeh: www.evoe.cc/noeh
 

 
 
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