31/10/2019 às 14h53min - Atualizada em 31/10/2019 às 14h53min

​O policial militar de S. Paulo é um dos mais desvalorizados do país

Redação
Autor: Antonio Tuccílio, presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP)
 
São Paulo é o estado mais rico do Brasil, representando mais de 32% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. É também o estado menos violento, segundo pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (a taxa de homicídios é de 9,5 para 100 mil habitantes). Apesar dos números positivos, São Paulo é o 23º estado em remuneração de policiais militares, atualmente em R$ 3.143,00 para início de carreira. Para efeito de comparação, o estado de Goiás paga R$ 5.767,00 para o mesmo cargo.
 
Os policiais militares não têm direitos trabalhistas, são proibidos de fazer greves, não recebem adicionais noturnos e não são pagos por horas extras. O turno de trabalho é de no mínimo 12 horas, podendo se estender caso haja novas ocorrências.
 
Além da péssima remuneração, o policial militar de São Paulo ainda precisa lidar com o descaso dos governantes. Há pouco mais de duas semanas, o governador João Doria (PSDB) atacou policiais militares aposentados durante evento em Taubaté. Na ocasião, ele disse a um dos manifestantes: “Vai pra sua casa. Vai comer sua mortadela com a sua mãe, seu sem vergonha. Eu respeito é policial que trabalha".
 
Depois, incitou a público contra os policiais aposentados: “Povo trabalhador, levante seu braço, mostre que você trabalha. Mostre que você gosta de Taubaté. Mostre aqui para esses vagabundos que não têm o que fazer". Para o governador, policiais mal remunerados e que durante décadas colocaram suas vidas em risco em prol da segurança da população são vagabundos.
 
É preciso dar um basta na campanha que se faz contra a Polícia Militar e aumentar a remuneração mensal dos policiais.
 
Ser policial é trabalhar em uma das profissões mais perigosas do mundo. Policial que sobrevive raramente chega à aposentadoria sem ter perdido colegas de trabalho assassinados por criminosos. Além da violência direta, essa é a categoria com a maior taxa de suicídio do país. No ano passado, mais de 100 policiais tiraram suas vidas, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Graças à rotina estressante, policiais tendem a sofrer de problemas cardiovasculares e depressão. Considerando todos os contras que envolvem esta profissão, remuneração mensal de apenas R$ 3.143,00 é uma ofensa.
 
Após a chuva de críticas que recebeu por ofender os policiais aposentados, João Doria anunciará o primeiro reajuste salarial de sua gestão para as polícias Civil e Militar ainda em 2019, porém não há informação de quanto será. Os policiais seguem na expectativa de dobrar a remuneração atual. Afinal, o governador prometeu durante campanha eleitoral que a Polícia de S. Paulo seria uma das mais bem pagas do país. Que ao menos cumpra com a sua palavra.
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