09/09/2019 às 13h41min - Atualizada em 09/09/2019 às 13h41min

O suicídio pode ser prevenido

Por Sandra Regina Gonzaga Mazutti, coordenadora do Serviço de Apoio ao Estudante e Docente dos Cursos de Medicina da Universidade Anhembi Morumbi

Redação
O ano era 1994, quando Mike Emme, de apenas 17 anos, tirou a própria vida sem ninguém à sua volta dar conta do momento em que ele se encontrava. Mike era conhecido por sua personalidade carinhosa e habilidade mecânica, restaurou sozinho um Mustang 68 e o pintou de amarelo, o carro era sua grande paixão. Em seu funeral, seus amigos, movidos pela culpa de não terem percebido a condição de Mike, colocaram uma cesta de cartões com fitas amarelas, da cor do Mustang, com a seguinte mensagem: “Se você precisar, peça ajuda”. Os cartões se espalharam pelos Estados Unidos e em poucas semanas diversos jovens começaram a buscar ajuda.
 
Três semanas depois veio a notícia de que uma garota recebeu ajuda quando enviou sua mensagem por correio para a professora. Pouco tempo depois os pais de Mike, Dale Emme e Darlene Emme, iniciaram o programa de prevenção ao suicídio “Yellow Ribbon”, que até hoje já distribuiu mais de 19 bilhões de cartões que ajudaram a salvar cerca de 115 mil vidas. A fita amarela é, desde então, o símbolo dos programas que incentivam aqueles que tem pensamentos suicidas a buscarem ajuda.
 
Em 2003, a Organização Mundial da Saúde – OMS – instituiu o dia 10 de setembro para ser o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. Em seu primeiro relatório sobre o assunto, publicado em 2014, alertou para o fato de que mais de 800 mil pessoas cometem suicídio anualmente em todo o mundo. Neste relatório, o Brasil aparece como oitavo país com o maior índice de suicídio. Estes fatos reforçam a compreensão de que suicídio é um problema grave e de saúde pública. Para se ter noção da magnitude do problema, trata-se da principal causa de morte violenta na população geral.
 
Em 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria, lançou a cartilha “Suicídio: informando para prevenir”; já o ministério da Saúde lançou em 2016 o manual Prevenção de suicídio: manual dirigido a profissionais das equipes de saúde mental, com o intuito de auxiliar na detecção precoce de condições associadas ao fenômeno e desta forma poder realizar medidas preventivas. Ambos materiais evidenciam o papel do profissional de psicologia na prevenção do suicídio e isso se deve ao fato de que na maioria dos casos os pacientes sofriam de psiquiátricas que não eram tratadas ou que as famílias desconheciam ou mesmo não sabiam que precisava de tratamento.
 
Muitos são os fatores que favorecem o comportamento suicida e que podem ser considerados fatores de risco para o suicídio:
 
Doenças psiquiátricas não tratadas, como a depressão com desesperança;
Pacientes com tentativas de suicídio prévio;
Isolamento social;
Desemprego;
Situações econômicas extremas;
Famílias problemáticas, uma vez que a dinâmica familiar desempenha um papel fundamental na estabilidade emocional de seus membros, especificamente em adolescentes;
Perda dos pais na infância, perda recente de um amigo próximo ou membro da família;
Doenças orgânicas causadoras de incapacidade, doenças crônicas, dor aguda, neoplasias malignas e AIDS
Consumo de substancias tóxicas também podem rebaixar os mecanismos de enfrentamento e acaba atuando como uma ponte entre depressão e o suicídio;
Bullying é outro fenômeno a ser observado tão grave quanto o cyber bullying;
Histórico familiar de suicídio.
 
Uma avaliação psicológica permite diagnosticar riscos de suicídio no indivíduo. A desesperança, um sintoma central da depressão e também comum em muitas outras doenças psiquiátricas, em sua forma mais perniciosa, pode ser uma força motriz do suicídio. Para o Psicólogo a desesperança representa um alvo especificamente importante para as intervenções. Para uma pessoa que não consegue ver motivos para viver, o suicídio pode parecer a melhor opção. Em uma avaliação psicológica, quando o risco de suicídio é identificado o profissional encaminha o paciente ao psiquiatra e orienta amigos ou familiares responsáveis sobre medidas preventivas.
 
O acolhimento faz parte do processo de prevenção ao suicídio e para tanto é importante que tenhamos empatia em relação ao próximo quando este demonstrar ou expressar sintomas depressivos, não se deve subestimar seu pedido de ajuda, acusando a enfermo de “ querer chamar atenção”. É importante ter tolerância em relação às queixas e buscar conduzir o indivíduo para um profissional capaz de prestar o auxílio necessário. A melhor forma de incentivar uma pessoa a buscar ajuda é por meio da conversa, buscando apontar mudanças no comportamento da mesma e sem ter medo de perguntar sobre pensamentos suicidas. Em alguns casos ir com a pessoa até o profissional é essencial para o processo.
 
Dados publicados pelo Ministério da Saúde na Agenda Estratégica de Prevenção do Suicídio apontam que a situação segue preocupante. De 2011 a 2015, números de óbitos decorrentes de atentados à própria vida saltaram de 10.490 para 11.736. Já entre 2011 e 2016 foram notificadas 176.226 lesões autoprovocadas. As notificações de tentativa de suicídio são obrigatórias desde 2011.Outras evidências deste levantamento são ainda mais alarmantes: as mulheres representam 69% das tentativas de suicídio no Brasil e o meio mais utilizado é o envenenamento ou intoxicação.
 
A avaliação psicológica é extremamente importante para detectar alguma doença psiquiátrica ou ideação do suicídio, mas o trabalho do profissional de psicologia é ainda mais importante após o atentado. Os enlutados também precisam de acolhimento. O psicólogo americano Edwin Shneidman criou o termo postventio (pósvenção), para definir as atividades que ocorrem após o suicídio, com o intuito de abrandar o impacto nos entes queridos que se veem tendo de seguir a vida e de alguma forma superar o trauma. Isso é importante porquê o luto do suicídio representa um processo de adaptação à perda. Quando ocorre uma morte por suicídio, uma parte da sociedade sofre seus efeitos e a pósvenção ajuda na diminuição das sequelas deixadas por este tipo de morte.
 
A Profa. Sandra Regina Gonzaga Mazutti*, está à disposição para entrevistas sobre o assunto.
 
* Mestre em Ciências da Saúde Pelo Instituto Sírio Libanês de Ensino e Pesquisa (2016) Graduação em Psicologia pela Universidade Guarulhos (1987). Especializações em Psicologia Hospitalar, pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (1994), Terapia Cognitiva, pelo Instituto de Terapia Cognitiva (2007) e Psicooncologia e Cuidado Paliativo pelo Intituto Pallium LatinoAmérica-Medicina Paliativa- Buenos Aires- Argentina em 2012. Coordenou o Serviço de Psicologia Hospitalar do Hospital Paulistano de 2001 a 2018. Foi Secretária na Diretoria do Departamento de Psicologia da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), 2010/2011 e Membro do Departamento de Psicologia da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) de 2012 a 2018. Atende em consultório particular desde 2005 como Psicoterapeuta Cognitiva Comportamental e desde 2017 coordena o Serviço de Apoio ao Estudante e Docente dos Cursos de Medicina da Universidade Anhembi Morumbi.
 
Sobre a Universidade Anhembi Morumbi
A Universidade Anhembi Morumbi é a primeira instituição internacional de ensino superior do Brasil. Desde 2005, faz parte da rede internacional de universidades Laureate, a maior do mundo, presente em 25 países, com mais de 70 instituições de ensino superior, totalizando mais de 1 milhão de alunos. São oferecidos programas de Graduação, Graduação Tecnológica e Pós-graduação Lato Sensu e Stricto Sensu, distribuídos nas áreas de Ciências da Saúde; Turismo e Hospitalidade; Negócios; Direito; Artes, Arquitetura, Design e Moda; Comunicação; Engenharia e Tecnologia e Educação. Seus seis câmpus estão localizados nas regiões da Avenida Paulista, Vila Olímpia, Mooca, Morumbi e Vale do Anhangabaú.
A Universidade Anhembi Morumbi possui laboratórios de última geração e diferenciais como a internacionalidade, já tendo enviado, desde 2006, milhares de alunos do Brasil para realização de cursos no exterior, além de receber centenas de estudantes estrangeiros em seus câmpus, que se tornaram locais multiculturais para o aprendizado.
Outras vantagens: a titulação internacional, que permite ao estudante o acesso a certificação do Brasil e de uma instituição no exterior e o Anhembi Carreiras (http://carreiras.anhembi.br), um portal de empregabilidade da Universidade Anhembi Morumbi com serviços de preparação para o mercado de trabalho e conteúdos exclusivos para o desenvolvimento da trajetória profissional.
 
Sobre a Laureate Brasil
A Laureate Brasil, integrante da rede global líder em ensino superior Laureate International Universities, é formada por 12 instituições, com mais de 50 campi em oito estados brasileiros, e educação a distância. Fazem parte da rede Laureate Brasil: BSP - Business School São Paulo; CEDEPE Business School; Complexo Educacional FMU/FIAM-FAAM; Centro Universitário do Norte (UniNorte); Centro Universitário IBMR; Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter); Centro Universitário FADERGS; Centro Universitário - UniFG; Faculdade Internacional da Paraíba (FPB); Universidade Anhembi Morumbi; Universidade Potiguar (UnP); Universidade Salvador (UNIFACS) e EAD Laureate.
 
Sobre Laureate International Universities
A Laureate International Universities é a maior rede global de instituições de ensino superior, com mais de um milhão de estudantes matriculados em 69 instituições presenciais e online, em 25 países. A Laureate oferece programas de graduação e pós-graduação (lato e strict sensu) de qualidade e focados na empregabilidade dos seus estudantes, em uma ampla gama de áreas de conhecimento.  A Laureate acredita que quando seus alunos obtêm sucesso, países prosperam e a sociedade se beneficia. Essa crença é expressa na sua filosofia de Estar Aqui para o Bem e Para Sempre (Here For Good).
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