29/07/2019 às 10h18min - Atualizada em 29/07/2019 às 10h21min

Análise sobre ativos financeiros nos EUA

O mercado também oferece empresas consideradas "empresas com um crescimento estável", isto é, que geram um crescimento forte e registam um bom desempenho num ambiente no qual o crescimento diminui a nível estrutural.

DINO
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As perspectivas para os ativos financeiros dos EUA apontam muito provavelmente para o abrandamento do crescimento econômico, uma inflação controlada e um banco central acomodatício. Após o forte crescimento do PIB na primeira parte de 2018, a economia dos EUA entrou finalmente num período de abrandamento cíclico moderado e as expetativas de inflação começaram a enfraquecer. Este cenário levou o FED a alterar as suas políticas de forma rápida e significativa comparada à política restritiva seguida nos últimos anos. No entanto, ainda é cedo para esperar um ciclo de abrandamento completo, porém foi aberta a porta a futuras medidas acomodatícias, desde que estas sejam justificadas por condições econômicas.

De forma geral, esta situação constitui um cenário construtivo para as ações norte-americanas. Simultaneamente, os níveis de avaliação globais já generosos, que se fazem acompanhar de alguns elementos de incerteza relativos às eleições norte-americanas de 2020 e à abordagem Mercantilista do Presidente Trump à política econômica, requerem a aplicação de uma abordagem seletiva.

Com base neste ambiente de crescimento inferior, tanto a nível cíclico como estrutural, faz sentido apostar em ações de qualidade, isto é, em empresas com um crescimento visível e bem geridas. Este ponto de vista é apoiado pelo fato de se esperar um decréscimo adicional do número de empresas em crescimento cotadas em bolsa, pois o crescimento global está tornando-se cada vez mais escasso, justificando um novo aumento nos prêmios de avaliação para estes ativos de qualidade.

O mercado de ações norte-americano proporciona oportunidades de crescimento estrutural a longo prazo a várias empresas, principalmente nos setores da tecnologia, dos cuidados de saúde ou do consumo. Frequentemente, estas empresas estão associadas a temas de inovação ou disrupções tecnológicas. Tal inclui, a título de exemplo, a digitalização do mundo empresarial, como é o caso do aumento crescente da utilização da nuvem ou da mudança nos hábitos de consumo da população, por exemplo, a mudança de hábitos de compra para streaming ou de comer fora para entrega de refeições à domicílio.

O mercado também oferece empresas consideradas "empresas com um crescimento estável", isto é, que geram um crescimento forte e registam um bom desempenho num ambiente no qual o crescimento diminui a nível estrutural. No setor do consumo, estas empresas encontram-se frequentemente nos dois extremos do mercado, ou seja, nas marcas premium/de luxo e nos fornecedores low cost. Estes últimos também são muito menos afetados pelas disrupções causadas por gigantes online como a Amazon.

Por último, mas não menos importante, no setor dos cuidados de saúde norte-americanos, talvez seja sensato colocar ênfase em modelos de negócio inovadores ou em empresas estáveis baseadas no crescimento do volume em vez do crescimento dos preços, a fim de minimizar o risco de regulação de preços no mercado de cuidados de saúde mais caro do mundo.

Dito isto, é necessário prestar especial atenção às respetivas avaliações das ações individuais, uma vez que o posicionamento atual dos gestores ativos se tornou muito tendencioso a favor deste tipo de ações mais seguras e defensivas. Por conseguinte, mesmo que atualmente existam bons argumentos estruturais a posicionar com nomes de qualidade, é necessário estar preparado para superar imprevistos de mercado ocasionais numa situação tão lotada.

Por Gergely Majoros, membro do Comitê de Investimentos da Carmignac



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