22/04/2019 às 11h35min - Atualizada em 22/04/2019 às 11h51min

Rio Tinto anuncia compromisso para alinhar lobby industrial e compromissos em favor de ação climática

Pelo compromisso anunciado pela Rio Tinto, as associações setoriais das quais a mineradora faz parte devem alinhar seu trabalho de lobby com os objetivos de redução de emissões definidos pelo Acordo de Paris

DINO - https://www.riotinto.com/documents/RT_industry_associations_climate_change.PDF


Depois de meses de conversas com o Australasian Centre for Corporate Responsibility (ACCR), a mineradora Rio Tinto firmou compromisso inédito no setor para alinhar seus esforços de articulação e mobilização setorial com a luta contra a mudança do clima e em prol das metas nacionais e globais definidas pelo Acordo de Paris para redução das emissões de gases de efeito estufa.

De acordo com esse compromisso, as associações setoriais das quais a Rio Tinto faz parte em todo o mundo deverão atender a algumas expectativas para que continuem contando com a participação e o apoio da empresa.

• Comentários públicos sobre política energética deverão se pautar por uma abordagem tecnológica neutra. Isto significa que nenhuma tecnologia será colocada na frente das outras.
• Qualquer defesa do uso de carvão no longo prazo deverá observar que ele exige tecnologia avançada, e deve ser consistente no médio e longo prazos com as metas do Acordo de Paris.
• Posição pública contrária aos subsídios ao carvão, de forma que o desenvolvimento do fornecimento de energia seja feito de uma forma neutra em termos de tecnologia, consistente com as metas de Paris.
• Reconhecer a contribuição valiosa que as energias renováveis realizam na redução de emissões e sem prejudicar o papel que elas desempenham no portfólio energético.
• Comentários sobre descarbonização e precificação de carbono serão enquadrados pelos mesmos princípios de neutralidade tecnológica.
• Apoiar as metas de redução de emissões dos governos, conforme apresentado e oficializado no Acordo de Paris.

Para o ACCR, o anúncio da Rio Tinto representa um aprofundamento nítido de seu compromisso de alinhamento de suas atividades de mobilização, articulação e advocacy através de associações industriais e setoriais com seu apoio às metas de Paris. "Este compromisso da Rio Tinto sinaliza fortemente para as associações industriais a importância de alinhar suas ações de advocacy com os objetivos globais do Acordo de Paris", afirma Brynn O'Brien, diretor executivo da ACCR. "Ou essas associações deixam de defender subsídios para o carvão ou a Rio Tinto as abandonará. Esperamos que isso seja visto de maneira bastante favorável pelos maiores investidores da empresa".

Nos últimos anos, a oposição estridente de algumas associações setoriais nacionais e internacionais contra ações climáticas vem causando desentendimentos sérios entre essas coalizões e seus membros. Companhias como BHP Billiton, Glencore e Shell anunciaram recentemente a revisão do trabalho de advocacy realizado pelas associações setoriais das quais fazem parte para reforçar o alinhamento entre os compromissos climáticos assumidos pelas empresas e a mobilização e a articulação de seus representantes setoriais.

"Talvez a exigência mais significativa feita pela Rio Tinto a suas associações industriais seja a de argumentar contra os subsídios públicos à geração de energia através de carvão", reforça O'Brien. "Esse compromisso exige que muitas das associações industriais do setor de mineração modifiquem profundamente seu posicionamento para que possam manter a Rio Tinto como um de seus membros".

Na Austrália, que sedia parte do grupo industrial da Rio Tinto, a companhia faz parte de associações como o Conselho de Mineração da Austrália (MCA), uma coalizão setorial conhecida por se opor frontalmente a iniciativas públicas para reduzir emissões de GEE e apoiar fontes renováveis de energia no país. Caso queira manter a Rio Tinto entre seu grupo de associados, a MCA precisará mudar bastante seu posicionamento e sua ação nesse sentido.

"Se quisermos limitar o aquecimento global a menos de 2 graus Celsius de maneira realista, não podemos tolerar que essas organizações continuem agindo de maneira contrária, influenciando formuladores e tomadores de decisão e retardando a implementação urgente de ações necessárias para reduzir emissões", conclui O'Brien.

No Brasil, a empresa possui uma planta de exploração de minério de ferro em Corumbá, no Mato Grosso do Sul.



Website: https://www.riotinto.com/documents/RT_industry_associations_climate_change.PDF
Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »