27/02/2019 às 15h12min - Atualizada em 27/02/2019 às 15h12min

Prefeitura de SP vai fechar 31 bases do Samu

Mudanças tiveram início da última segunda-feira (25). Administração municipal diz que mudança vai integrar e ampliar atendimento para 58 pontos de apoio

Redação

A Prefeitura de São Paulo vai desativar 31 das 58 bases existentes do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e realocar os funcionários para unidades de saúde como UBSs (postos de saúde), AMAs (Assistência Médica Ambulatorial), UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento) e pronto-socorros administrados por OSs (Organizações Sociais). O processo teve início nesta segunda-feira (25).

De acordo com funcionários ouvidos pelo G1, o objetivo da medida é contingenciar gastos. No entanto, a Prefeitura alega que a finalidade da alteração é integrar os equipamentos da rede regionalizada a ampliar os pontos de assistência e cobertura pré-hospitalar dos atuais 58 para 78 pontos de apoio. A ampliação está prevista para ocorrer até o fim de 2020.

Ao todo, 31 bases do Samu modulares que estão instaladas em contêineres serão fechadas. Os contêineres são alugados e possuem custos mensais de cerca de R$ 20 mil ao mês, gerando uma economia aos cofres públicos de mais de R$ 600 mil mensais. As outras 28 bases que são integradas aos bombeiros e hospitais continuam funcionando.

O contingenciamento vai gerar uma série de problemas estruturais já que as bases estão instaladas em pontos estratégicos da cidade para possibilitar um atendimento mais rápido em sua área de cobertura.

De acordo com um motorista da base da Casa Verde, na Zona Norte, ouvido pelo G1, a mudança terá efeito no tempo de atendimento dos pacientes. “Quando recebemos uma ligação de emergência estamos em uma área estratégica dentro do perímetro de atendimento. Com a mudança do ponto de trabalho, os atendimentos vão demorar mais, o que pode ser crucial para os pacientes, podendo resultar em um óbito”, disse o funcionário que preferiu não se identificar.

O coordenador da regulação do Samu com o município, o doutor Marcelo Takano, discorda da avaliação. “Quanto maior o ponto de apoio, menor é o tempo resposta. O tempo hospitalar vai cair drasticamente. Enquanto a equipe médica faz o atendimento, a maca é liberada e a equipe do Samu já se prepara para um novo atendimento. Vai melhorar significativamente”, disse.

De acordo com Takano, a mudança irá permitir o aumento de ambulâncias em circulação diariamente, que passará de 80 para 122 veículos, sendo 107 ambulâncias de suporte básico e 15 de suporte avançado.

“A estrutura estava em pontos descentralizados e não integrados. Desde o início da gestão, vimos que podíamos ampliar o número de viaturas em circulação”. Ainda de acordo com ele, o aumento de ambulâncias não se deve ao aumento do número de funcionários, mas ao remanejamento da escala de trabalho, que irá proporcionar o uso de forma mais inteligência. Para as alterações nas escalas, alguns funcionários terão os horários de trabalho modificados e os que possuem mais tempo de casa terão prioridade na escolha do local de trabalho e horário de plantão.

Instalações

Atualmente, as equipes do Samu dispõem de uma área de descanso com camas, banheiro com chuveiro, sala de TV, copa, além de áreas específicas para esterilização dos equipamentos utilizados nas ambulâncias como macas, respiradores, entre outros. Os funcionários reclamam que irão se mudar para locais insalubres, que não dispõem de uma área destinada para a equipe. O coordenador do Samu diz que os funcionários terão um ambiente compartilhado nas novas unidades que já existem e farão a higienização dos equipamentos nos próprios locais.

A mudança vai afetar a vida de mais de 1.600 funcionários, entre médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e motoristas, que serão realocados para unidades de saúde.

A mudança também atinge os funcionários terceirizados que temem perder o serviço. “Ninguém nos diz como vai ficar. Tenho medo de perder meu emprego”, disse uma segurança de uma unidade da Zona Sul de São Paulo. Com a mudança, os contratos da segurança e limpeza serão reduzidos.

De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, algumas bases irão permanecer como as localizadas em pontos de rápido acesso às vias de grande circulação como da Marginal Pinheiros e 23 de Maio, além daquelas integradas ao Corpo de Bombeiros.

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