26/09/2018 às 16h45min - Atualizada em 28/09/2018 às 15h27min

Projeto em Londrina espera diminuir demanda local por flores de São Paulo

 

Um projeto desenvolvido por pequenos produtores de Londrina, no noroeste do Paraná, a 380 quilômetros de Curitiba, espera produzir flores tropicais na região em quantidade que diminua a demanda atual da cidade pelas remessas enviadas por São Paulo.

Apoiado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), o projeto começou efetivamente no ano passado plantando espécies de flores do campus para observar a adaptação delas ao clima da região. Localizada no Sul do país, Londrina tem uma tendência climática de muitas chuvas (por isso o nome, que remete a Londres, na Inglaterra) e dias quentes durante as estações da primavera e do verão.

A ideia, no entanto, é mais longa: começou há 15 anos por intermédio do professor Ricardo Faria, do departamento de agronomia da UEL.

"Fizemos as pesquisas e a clonagem em laboratório. Então pensamos em formar uma associação, um grupo de senhoras, em que a universidade entraria com as mudas e os alunos, com a consultoria técnica", explicou ao jornal Folha de Londrina.

De acordo com a publicação, cinco espécies de flores estão em desenvolvimento no projeto: bastão-do-imperador, gengibre ornamental, bananeira-de-jardim, helicônia sassy e helicônia bihai vermelha. A expectativa é de que o serviço de floricultura de Londrina seja abastecido com as flores já a partir do ano que vem.

Para Faria, a cidade paranaense pode se tornar um polo de produção de flores do país. Hoje, Holambra, no interior de São Paulo, é responsável por 67% de tudo o que o Brasil colhe e exporta, segundo o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor).

No Paraná, a participação do município no setor também é pequena: em 2014, Londrina movimentou apenas 115 milhões de reais em flores dentro de tudo o que o estado produziu.

O projeto também teve o apoio do Sebrae e já conta com um grupo de cerca de 15 produtoras. "Elas estão animadas para se tornar pequenas empresárias, além de ver suas áreas produtivas", explica o professor. O problema, para ele, é a falta do produto não de demanda.

"Escolhemos espécies às quais o mercado está receptivo, materiais que estão na mídia. É o olho do dono que faz o sucesso do empreendimento, inclusive com o controle de ervas daninhas e também consorciando a produção: quiabo com flores, girassol com flores, como já tem acontecido", continuou ele.

Por enquanto, as produtoras estão tendo o apoio dos alunos de Faria: eles prestam consultoria técnica sobre o plantio de variedades, adubação, irrigação e os detalhes de cada planta. "Todos os projetos têm riscos, e estamos fazendo de tudo para diminuí-los", finalizou.


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