21/09/2018 às 13h32min - Atualizada em 26/09/2018 às 15h45min

Quais foram os jogadores de futebol que já declararam em quem vão votar nas eleições

Apesar de muitas pessoas discordarem, o futebol e a política estão em relação constante no Brasil. Contextos marcantes da história do país, como a campanha pelas Diretas Já que teve a adesão dos jogadores do Corinthians em 1982, liderados por Sócrates, o boicote de Afonsinho implementado pelo então técnico do Botafogo, Zagallo, por seu cabelo e sua barba -- associado aos "comunistas", em 1968 -- e o discurso de Pelé após o gol mil, no Maracanã, em que pedia mais educação para as crianças do país.

Para o comentarista esportivo e sociólogo Juca Kfouri, as duas coisas estão indissociáveis. "Futebol e política, política e futebol se misturam como água e sabão, e seria ainda melhor que um e outro fossem mais limpos do que são", escreve ele em seu livro Confesso que Perdi (Cia das Letras, 2017).

Neste ano, em que o assunto cotidiano sempre passa invariavelmente pelas eleições de outubro, alguns jogadores de futebol resolveram se manifestar publicamente sobre seus candidatos preferidos. O posicionamento dos atletas chamou atenção depois que o volante Felipe Melo, do Palmeiras, declarou sua escolha por Jair Bolsonaro (PSL) após a partida contra o Bahia, pela 25ª rodada do Brasileirão.

O jogador é um dos nomes mais requisitados do plantel palmeirense para entrevistas, eventos publicitários e até para lançamentos de produtos, como o de um tênis adidas masculino do qual foi o garoto-propaganda no ano passado. A declaração gerou tanta repercussão que o clube precisou emitir uma nota oficial dizendo que o opinião do volante é particular.

Em novembro do ano passado, o presidenciável foi a um jogo do Palmeiras contra o Sport, no Allianz Parque, e recebeu vaias de metade da torcida do próprio time -- de quem é admitidamente torcedor. À época, Felipe Melo respondeu a provocação postando uma foto ao lado do ex-militar que aspira ser presidente do país.

Em maio do ano passado, o meia Jadson, do Corinthians, também anunciou que votaria em Bolsonaro "caso ele se candidatasse" -- à época, o nome do então deputado federal ainda não estava confirmado para a corrida presidencial. "Eu já vi entrevistas dele no YouTube e me parece um cara correto", afirmou em uma entrevista.

No dia seguinte à declaração, o então companheiro de meio-campo de Jadson, Rodriguinho (hoje no Pyramids, do Egito), disse em outra entrevista que, se Lula (PT) saísse como candidato, votaria nele. "O PT fez muita coisa boa pelas pessoas menos favorecidas", afirmou.

Em novembro, o centroavante Roger, então no Botafogo (hoje também no Corinthians), postou uma foto em seu Instagram dizendo que Bolsonaro seria o "futuro presidente" do Brasil. Com vários xingamentos dos contrários ao ex-militar, ele apagou a imagem pouco tempo depois.

Com a repercussão das declarações à época, o UOL fez uma pesquisa com 111 jogadores atuando no Brasil e descobriu que, ao menos no ano passado, a maioria dos atletas declarou que iria votar em Jair Bolsonaro. Foram 20,7% dos votos para o candidato do PSL, à frente de Lula, do PT (5,4%), Luciano Huck, que à época era cotado pelo PSDB (2,7%), e o técnico Tite, já na Seleção Brasileira (1,8%).

A lista publicada pela reportagem ainda trazia os nomes de Dilma (0,9%) e Fernando Haddad (0,9%), do PT, Marcelo Freixo, do PSOL (0,9%), e do juiz Sérgio Moro (0,9%). A maioria dos jogadores, mesmo com a promessa de não revelar os nomes, não quis se manifestar: 58,5%.

Lucas Moura, ex-jogador do São Paulo e hoje no Tottenham, da Inglaterra, também entrou na polêmica recentemente: durante uma conversa com seguidores no Twitter na semana passada, ele admitiu que iria votar em Bolsonaro nas eleições presidenciais de outubro. "Antes de ser um jogador, sou um cidadão e tenho direito de me preocupar com o que está acontecendo no meu país", disse.


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