17/09/2018 às 13h39min - Atualizada em 19/09/2018 às 11h55min

Nutricionista responde: como o mercado de Whey Protein vai funcionar com regulação da Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou neste ano, de forma inédita, a regulação do mercado de suplementos alimentares brasileiro. A partir de agora, o acesso dos consumidores aos produtos será melhor e mais seguro, porque haverá menos informações desencontradas nas farmácias e estabelecimentos especializados. A expectativa é que propagandas que veiculam dados sem comprovação científica também sejam punidas.

Analistas do setor argumentam que a legislação anterior estava defasada e não contemplava todos os itens descobertos pela ciência dos alimentos nos últimos anos. Mais do que isso, as regras que estabeleciam a produção dos alimentos era uma "trava" ao mercado como um todo, porque não deixava que as novidades fossem adicionadas nas receitas dos produtos nem deixava que as pessoas tivessem acesso a elas.

"São muitos ingredientes, formulações, muitos elementos novos e novas possibilidades surgindo a cada dia, as descobertas sobre nutrientes avançam a passos largos e a legislação precisa acompanhar esta evolução", defende Diogo Círico, da Growth Supplements.

Com a atualização da lei pela Anvisa, novas categorias de nutrientes são permitidas no Brasil. É o caso do aminoácido Beta-alanina, já bastante conhecido dos praticantes de atividade física, mas que era encontrado apenas em suplementos importados. Outra mudança é a quantidade de nutrientes presentes nos produtos de vitaminas e minerais: agora eles poderão ter maiores concentrações nos suplementos disponíveis no mercado. No Brasil, o produto mais conhecido é o Whey Protein.

"São mais regras, novas categorias e classificações, mesmo que isso signifique também uma burocracia mais complexa para registrar um produto", comenta Diogo. "Mas tanto para consumidor quanto para fabricante, a situação continua basicamente a mesma: quem deseja produzir e comercializar terá que se enquadrar nas características exigidas para cada produto. Para o consumidor apenas aumentará a quantidade de variedades de nutrientes e suas combinações. Todos os suplementos fabricados no Brasil devem ser comprovadamente seguros para saúde", finaliza.

A agência planeja ainda publicar uma resolução que trata de aditivos e coadjuvantes de tecnologia permitidos para esses produtos e uma outra resolução sobre estudos necessários para comprovar a segurança e a eficácia de probióticos (microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefício à saúde).

“As empresas terão cinco anos para adequar os produtos que já estão no mercado à nova norma. No entanto, os suplementos alimentares novos já deverão ser comercializados de acordo com as novas regras”, informou a Anvisa em nota.

Entre 2010 e 2016, o faturamento do mercado de suplementos no Brasil passou de R$ 637 milhões para R$ 1,49 bilhão, de acordo com os números da Brasnutri. O país tem um dos maiores públicos consumidores desse tipo de produto no mundo, perdendo apenas para Estados Unidos e Austrália. São, em sua maioria, homens entre 15 e 20 anos da classe C, segundo uma pesquisa feita pela Saudifitness.

O Brasil tem mais de 33 mil academias -- o segundo maior número do planeta, apenas atrás dos Estados Unidos, segundo a associação do setor, a Acad. Os dados mostram que, dos oito milhões de frequentadores brasileiros, apenas uma parte consome suplementos. Segundo reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico, enquanto de 50 a 55% dos americanos consomem os produtos, aqui esse número varia de 3 a 7%.


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