10/05/2018 às 15h54min - Atualizada em 04/06/2018 às 17h20min

As desigualdades e o racismo mantêm-se no Brasil, mesmo após 130 anos da abolição da escravatura

No dia 13 de maio serão completados 130 anos da abolição da escravatura. Após mais de um século da assinatura da Lei Áurea, será que a população negra brasileira tem realmente motivos para comemorar?  Segundo o IBGE 2012, do total de 16 milhões de brasileiros na extrema pobreza, a grande maioria é negra ou parda.

Às vezes parece que avançamos, mas sempre surge uma nova polêmica que aponta o contrário. “Negro pode andar com carro de luxo na rua sem ser considerado ladrão? Negros estão capacitados para compor o mercado de trabalho em igualdade de conhecimento e competitividade? Determinar cotas nas universidades e serviços públicos é justo?”, essas são algumas das questões que Liliane Rocha, Fundadora e CEO da Gestão Kairós, consultoria em Sustentabilidade e Diversidade vem lidando ao longo dos 14 anos que atua na área.

Avaliando alguns dados podemos dizer que o Brasil retrocedeu mais do que avançou em questões raciais. Atualmente, de acordo com o IBGE, entre a população negra, 9,9% é analfabeta, ao passo que entre a população branca, este número é de 4,2%. 130 anos após a abolição, o abismo social entre brancos e negros ainda é grande. 

E as desigualdades não param por aí, mesmo com 51% de negros e negras, quando analisados, os poucos que conseguem ingressar numa universidade e se formam, ao chegar ao mercado de trabalho se deparam com outras dificuldades impostas pela raça. “Se considerarmos o resultado do perfil Social, Racial e de Gênero das  500 maiores empresas brasileiras, publicado pelo Instituto Ethos, nos anos de 2007, 2010 e 2016 notamos que os percentuais de empregabilidade de negros na alta liderança variaram pouco”, explica Liliane Rocha, Fundadora e CEO da Gestão Kairós, consultoria de Sustentabilidade e Diversidade.

Os dados do Instituto Ethos demonstram que em 2007, negros representavam 25% do quadro funcional e 3,5% do quadro executivo. Em 2010, negros eram 31,1% no quadro funcional e 5,3% no quadro executivo e, em 2016, nos quadros funcionais negros eram 35,7% e no quadro executivo 4,7%.

“Para que o Brasil seja um país competitivo, com empresas competitivas é essencial que todos tenham oportunidades de estar no mercado de trabalho. Como podemos ter um país desenvolvido com 51% da população tendo seu acesso às melhores oportunidades de estudos e empregos simplesmente vetadas? Nas universidades brasileiras, após os avanços na legislação o percentual de negros passou para cerca de 30%”, explica Liliane.

A especialista e empreendedora negra que atua há 14 anos apoiando empresas e instituições a adotarem práticas mais inclusivas em suas estratégias de negócios está à disposição para falar sobre os avanços e retrocessos da diversidade racial nos quadros corporativos, os 130 anos da Abolição da Escravatura e outros aspectos relacionados ao racismo e aos direitos da população negra no Brasil. 

Sobre a especialista: Liliane Rocha - É CEO e Fundadora Gestão Kairós – consultoria especializada em Sustentabilidade e Diversidade e autora do livro “Como ser um líder inclusivo”. Criadora do termo DiversityWashing. Mestre em Politicas Públicas pela FGV, MBA Executivo em Gestão da Sustentabilidade na FGV, Especialização em Gestão Responsável para Sustentabilidade pela Fundação Dom Cabral, MBA em Coaching pela Sociedade Brasileira de Coaching, graduada em Relações Públicas na Cásper Líbero.

 Mais informações sobre Liliane no site: www.gestaokairos.com.br

Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »