31/12/2013 às 02h45min - Atualizada em 31/12/2013 às 02h45min

Competição entre a campeã de natação paralímpica Susana Schnarndorf e a jornalista atleta Letícia Ceolin no Parque Aquático Maria Lenk..

Competição entre a campeã de natação paralímpica Susana Schnarndorf e a jornalista atleta Letícia Ceolin no Parque Aquático Maria Lenk..

Fabiano de Abreu Rodrigues

A gaúcha Susana Schnarndorf,45 é campeã Mundial Paralímpica de Natação. Após descobrir em 2005 ser portadora de um raro tipo de Mal de Parkinson, a atleta não desistiu e continuou se dedicando ao esporte, tornando-se exemplo de superação. A pentacampeã brasileira de triatlo conquistou o ouro nos 100m peito categoria SB6 do Mundial Paralímpico e bronze nos 400m livre S6 em Montreal e já possuía o bronze nos 400m livre dos Jogos Parapan-Americanos de Guadalajara 2011. A campeã mundial participou no Parque Aquático Maria Lenk no Rio de Janeiro com a jornalista Letícia Ceolin de uma competição com o intuito de diminuir o preconceito, foi vencedora mais uma vez deixando a adversária para trás sem precisar fazer esforço. Em entrevista a jornalista, Susana respondeu perguntas sobre sua vida profissional e pessoal

Letícia: Já que competia anteriormente, como foi sua adaptação com a descoberta da sua doença? E seus treinadores também se adaptaram ou buscou outros mais preparados ?

Susana: No início foi difícil,como eu nadei desde pequenininha antes de ter deficiência, eu me adaptar a braço mexendo,perna mexendo ,depois na água foi complicado no início, eu fui me adaptando,como minha doença é progressiva todo dia uma adaptação que eu vou tendo e eu tenho técnico que é técnico que só treina natação então foi fácil a adaptação. Letícia: Em relação a patrocínios no setor esportivo, que no Brasil ainda não há muitos investimentos apesar de ter crescido, você sentiu mais facilidade em ser patrocinada sendo atleta paraolímpica ou não-paraolímpica? Susana: A não-paraolímpica eu tive muito mais oportunidade,tinha bastante apoio,tinha facilidade para treinar,viajar,competir no Brasil a fora, agora to tendo muito apoio também. Letícia: Sabe-se que você competiu em alguns países, como foi a ida a esses países ? Você já tinha a oportunidade de viajar para fora, ou o nado que trouxe isso? Susana: É, o esporte sempre me trouxe isso como eu fui tri-atleta eu viajava bastante para competir como nadadora ,eu fui nadadora,tri-atleta e nadadora de novo, então eu já viajei bastante,eu acho que a gente tem a oportunidade de conhecer outro pais,outra cultura. É muito importante, é a maior riqueza que a gente guarda,apesar da gente não poder passear muito,porque tem que focar na competição.

Letícia: Mesmo depois de anos sendo atleta ainda sente insegurança antes das competições ?

Susana: Não,eu acho que não sinto não,quando eu subo no bloco,eu tenho a certeza que fiz tudo que eu podia pra mim,então sou totalmente segura pra nadar. Letícia: Você tem uma pessoa, um referencial de superação que trouxe pra sua vida ? Em quem você se apoiou para não desistir? Susana: Eu acho assim,que uma pessoa específica eu não tenho,eu pego minhas superações assim,tudo eu fiz com superação,o mais forte foram os meus 3 filhos pequenos que agora já estão maiores,na época em que fiquei doente eles eram bem pequenos, minha filha era bebê tinha alguns meses,a minha maior força pra não desistir foram eles,eu acho que o maior medo de uma mãe é faltar para os filhos,eu acho que com certeza me deu muita força pra não desistir,todo esse destaque foi algo diferente,o esforço que eu fazia pra chegar lá,então eu acho que a gente deve fazer algo diferente quando a gente sobe e vai para uma final da mundial,uma olimpíada,os 18 finalistas são nadadores super bons e pra tu ganhar tem que fazer mais que eles,treinar mais,fazer alguma coisa diferente,um atleta que eu acho assim que é um cara super sensacional é o Oscar do basquete,eu assisti uma palestra dele,e ele chegava uma hora antes do treino ficava treinado cesta,chegava e ficava uma hora depois,acho que esse é o caminho da dedicação,fazer com paixão o que a gente faz.

Letícia: Consegue resumir em uma palavra, a sua família ? Susana: Tudo Letícia: Depois de muitas conquistas, sonhos realizados. O que mais espera da sua vida, qual seu sentimento por ela?

Susana: Agora a gente ta treinado pra paraolimpíada aqui do Rio de Janeiro,acho que a expectativa pra conseguir chegar e conquistar a nossa medalha de ouro no Rio de Janeiro,no Brasil,eu acho que vai ser muito especial isso e assim, eu acho que o que mais me deixa feliz é eu poder ajudar as pessoas de alguma maneira, a não desistirem que passam por algum problema de saúde outros não sendo de saúde e acham que não terminou eu conseguir ajudar de alguma forma essas pessoas,isso me deixa muito feliz porque eu já tinha entrado no fundo do poço, quando eu consigo ajudar de alguma maneira eu fico super bem, me prevalece quando as pessoas se empolgam, quando elas veem que o fim não é o fim, é o começo de uma nova fase. É isso que eu tenho para passar para as pessoas.

Susana tem como treinador o professor e personal trainer Patrick Souza que além de preparar Susana e outros atletas paralimpicos no parque aquático Maria Lenk também, também faz trabalhos na academia Rio Sport Center na Barra da Tijuca.


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