24/06/2024 às 14h34min - Atualizada em 24/06/2024 às 18h01min

A busca por profissionais qualificados e as novas perspectivas sobre procedimentos estéticos

Especialista comenta as tendências de resultados mais naturais aliado a segurança nos procedimentos 

CAROLINE VAZ
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Brasil ocupa o segundo lugar no ranking internacional de cirurgias plásticas, de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica (ISAPS). O que poderia ser uma boa notícia traz também um sinal de alerta. Há relatos frequentes de fatalidades associadas a procedimentos estéticos comumente ligados à atuação de profissionais não licenciados e clínicas operando à margem da regulamentação, o que pode representar um sério risco à vida dos pacientes.

Para o cirurgião plástico Fabio Nahas, Diretor Científico Internacional da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e Professor da Unifesp, a chave para evitar complicações e problemas de saúde tanto durante quanto após a cirurgia plástica está na escolha criteriosa do profissional responsável pelo procedimento. 

Entre as histórias que, muitas vezes envolvem profissionais não licenciados, evidenciam os perigos envolvidos. "A cirurgia plástica pode trazer transformações incríveis, mas também carrega riscos. É essencial verificar se o profissional faz parte da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), pesquisar seu histórico, experiência profissional, publicações e participação em congressos", orienta.

Além da pesquisa criteriosa, a primeira consulta torna-se fundamental. Promessas de resultados impossíveis e a falta de questionamentos sobre a saúde do paciente são um sinal de alerta. "Alguns profissionais dizem que tudo pode ser feito para ganhar o paciente, mas isso não é verdade. A cirurgia plástica deve ser individualizada, respeitando as limitações e necessidades de cada paciente. Prometer resultados com base em edição de imagens não é ético e depende de fatores biológicos e da adesão às recomendações médicas", explica Nahas.

Além disso, o histórico de saúde do paciente deve ser detalhadamente discutido, incluindo problemas de saúde anteriores, cirurgias passadas, hábitos prejudiciais como tabagismo e uso de medicamentos controlados. "Tudo isso pode interferir na cirurgia e apresentar riscos, por isso é essencial compartilhar todas as informações com o médico", conclui Nahas.

Como a cirurgia plástica é vista hoje em dia?

Recentemente, as perspectivas dos procedimentos estéticos têm tido mudanças. Em meio a um movimento crescente de autoaceitação e amor próprio, as mulheres estão redefinindo o conceito de beleza e o papel da cirurgia plástica em suas vidas.

No Brasil, o número de cirurgias plásticas cresce anualmente. Em 2023, foram realizados mais de 2 milhões de procedimentos, segundo dados da SBCP, colocando o país em segundo lugar no ranking dos que mais realizam esse tipo de procedimento, atrás apenas dos Estados Unidos. Contudo, embora a busca por procedimentos estéticos continue aumentando, há uma preferência por resultados mais naturais, que realcem características próprias em vez de transformações radicais.

Para Nahas, cirurgias como rinoplastia, abdominoplastia e procedimentos nos seios estão entre . "Hoje, a maioria das mulheres busca harmonia facial e contornos corporais suaves, como seios proporcionais ao corpo. Antes, queriam transformações extremas, como narizes muito finos e abdomens muito definidos", explica o médico. Ele ressalta que essa mudança de perspectiva é positiva, pois diminui a chance de arrependimentos e de as pacientes não se reconhecerem ao se olharem no espelho.

A discussão sobre transtornos de imagem também é fundamental para essa transformação. Há uma atenção crescente na avaliação psicológica prévia, que identifica níveis de insatisfação corporal e transtornos de imagem, promovendo uma abordagem mais segura nos procedimentos. O cirurgião plástico destaca a importância de avaliar cuidadosamente pacientes com visão distorcida de sua imagem e, se necessário, contraindicar a cirurgia. "Pacientes com visão distorcida da própria imagem devem ser avaliados com cuidado, e cabe ao cirurgião orientar o que pode ser feito ou até contraindicar a cirurgia em casos graves", afirma.

Sobre Fabio Nahas

Com mais de 30 anos de carreira, Fabio Nahas é um dos cirurgiões plásticos mais renomados do país. Diretor Científico Internacional da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, foi vice-presidente da ISAPS (Sociedade Internacional de Cirurgia Estética) e é especializado em Cirurgia Plástica e Reconstrutora.

Fabio Nahas é formado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com especialização em cirurgia geral e em cirurgia plástica pela USP. Realizou "fellowship" em cirurgia plástica na Universidade do Alabama, em Birmingham, nos Estados Unidos, tem Doutorado pela Faculdade de Medicina da USP e é Livre-Docente pela Unifesp / Escola Paulista de Medicina. Atualmente, se divide entre a clínica particular, na região da Avenida Brasil, em São Paulo, e a vida acadêmica. É Professor Orientador de Teses de Mestrado e Doutorado e Professor da Escola Paulista de Medicina (Unifesp). É também Editor Associado do Aesthetic Plastic Surgery Journal, órgão oficial de publicações científicas da International Society of Plastic Surgery (ISAPS)

O cirurgião conta com diversas contribuições científicas, com mais de 400 publicações, artigos e estudos na área de atuação. Nahas tem seis livros publicados e realizou conferências e cirurgias em 33 países, em universidades como New York University, Universidade de Pittsburgh, Universidade da Califórnia em São Francisco, Clínica Mayo, Universidade de Toronto, entre outras.


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Caroline Vaz dos Santos
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