19/02/2018 às 18h01min - Atualizada em 21/02/2018 às 22h36min

Suplementos esportivos são sucesso nas academias dos Estados Unidos

Em expansão no Brasil, o mercado de nutrientes esportivos já é uma realidade a nível global: segundo dados da consultoria Euromonitor reproduzidos pela revista estadunidense The Conversation, a expectativa das empresas do ramo é que ele cresça 60% até 2022, se transformando em um negócio mundial de US$ 45 bilhões daqui quatro anos.

 

Ainda de acordo com os números da pesquisa, somente o negócio de suplementos esportivos nos Estados Unidos movimentava US$ 6,7 bilhões até 2015. "Nós ainda estamos vendo um imenso interesse em proteína em pó", explicou o analista de consumo da Euromonitor, Chris Schmidt.

 

Apesar do domínio de atletas de elite e dos chamados "bodybuilders", cada vez mais praticantes amadores de exercícios estão se tornando consumidores de suplementos graças ao aumento da popularidade de modalidades como corridas com obstáculos e crossfit. Os produtos mais proeminentes nesse quesito são aqueles que contém "branched-chain amino acids", cuja sigla é conhecida em qualquer lugar: BCAA.

 

"Esses elementos permitem todos os benefícios do aumento dos músculos após os exercícios sem as complicações das comidas comuns", explica o nutricionista Diogo Círico, da Growth Supplements, a maior empresa do ramo no Brasil.

 

Schmidt, da Euromonitor, credita ao aumento do interesse em esportes regulares e à popularização dos produtos o crescimento desse mercado. "O crescimento do mercado de suplementos esportivos e resistência vai continuar assim por causa do interesse em formas saudáveis de consumir, pela composição do corpo e pela prevenção de doenças", afirma.

 

Negócio no Brasil

Segundo a revista Exame, o Brasil é o terceiro maior mercado de suplementos alimentares do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da Austrália. Acredita-se que cerca de 50% dos estadunidenses consomem algum tipo de produto dessa categoria, enquanto aqui a margem de consumidores não chega a 7% da população. Ainda assim, o negócio prospera: de acordo com a Brasnutri, associação que representa os varejistas do setor, em 2016 eles movimentaram R$ 1,49 bilhão em vendas.

 

Segundo muitos empresários, o problema no Brasil é a lei dos suplementos: ainda não há uma categoria específica desse tipo de produto regulamentada no país, o que impede mais investimentos em novas tecnologias e novas linhas de suplementos.

 

A mistura de proteínas com fibras, por exemplo, é proibida no mercado brasileiro - nos EUA, o processo é permitido. "Quando você apresenta um estudo americano ou europeu [sobre uma substância], as conclusões não são aceitas. E como não há recursos suficientes para fazer todos os estudos nacionais necessários, a oferta de produtos fica limitada. "É como se decidissem que os carros no Brasil não podem ter vidro elétrico porque não há avaliações locais", critica um dos varejistas.


 
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