20/06/2024 às 01h08min - Atualizada em 26/06/2024 às 01h08min

Prefeitura inaugura no Canindé primeira Vila Reencontro com moradias exclusivas para pessoas com deficiência

Essa é a 7ª unidade entregue desde 2022 e tem dois módulos com o dobro do tamanho dos demais

O prefeito de Ricardo Nunes inaugurou nesta sexta-feira (14 ) a sétima Vila Reencontro da cidade e a primeira com moradias temporárias para acolher Pessoas com Deficiência (PCDs), modelo que será implementado nas próximas unidades do equipamento. A nova vila, localizada no Canindé, poderá receber até 192 pessoas.    
Com a abertura de mais essa unidade, São Paulo chega à marca de 1.960 vagas de acolhimento no Programa Reencontro. “A gente já está recebendo pessoas para morar aqui na Vila Reencontro Canindé. Temos 54 pessoas, 23 mulheres, 10 homens, 15 crianças e 6 adolescentes. Mais um passo de uma longa jornada, uma longa caminhada que nós estamos dando juntos”, ressaltou o prefeito Ricardo Nunes durante a entrega oficial do equipamento.    
O prefeito explica que a Vila Reencontro é um espaço para as pessoas terem autonomia com toda a infraestrutura. “Os módulos têm banheiro, cozinha. Se for um casal com uma criança pequena, por exemplo, a casa tem uma cama de casal e um berço. Aqui tem café da manhã, almoço e jantar, a horta comunitária, playground e aparelhos de ginástica para as pessoas poderem se exercitar”, detalhou. 
Segundo Nunes, um dos pontos mais importantes deste programa é o atendimento que é feito para que as pessoas se preparem para o futuro. “Oferecemos cursos profissionalizantes e todo acompanhamento para que as pessoas possam buscar a sua autonomia e ter um trabalho. Assim, a pessoa pode tocar sua vida com dignidade e com qualidade. Apenas das Vilas Reencontros, 179 pessoas saíram porque arrumaram emprego e alugaram uma casa, fruto de seu trabalho, da sua luta”, destacou.  

Mudança de vida 
De olho em um futuro próspero, o vigilante Nelson Rodrigues, 53 anos, diz que estar na Vila Reencontro Canindé “é o primeiro passo” para mudar de vida. Ele conta que estava em situação de rua e que o filho de 7 anos morava com a ex-mulher. Depois que a mãe passou por problemas de saúde, a criança foi para um abrigo. Agora, os dois estão juntos novamente. “O pessoal me deu essa oportunidade, fiz a inscrição e Deus abençoou com essa casa”.   
Segundo ele, na primeira noite em que dormiram juntos na Vila Reencontro, o filho dizia “estou sonhando”. “As coisas vão acontecendo, Deus vai abençoando e agora estamos em paz. Está ótimo, tem tudo! Tem cama, tudo novo. Tem brinquedos para o meu filho brincar. Está ótimo”.  
Já Alexsandro Leal Félix, 43 anos, monitor de albergue, conseguiu voltar a morar com a esposa e o filho de 5 anos e diz esperar “grandes conquistas” com esta oportunidade.  “Perdi o emprego, fui despejado e acabei indo para um albergue sozinho. Consegui uma colocação pelo POT, subi de cargo e virei monitor. A expectativa daqui para frente é uma casa nova, trabalho, uma educação bem melhor para o meu filho. Eu espero grandes coisas para a minha vida”.  
Robson Mendonça, presidente do Movimento Estadual das Pessoas em Situação de Rua, disse que tem conversado com as pessoas da Vila Reencontro e todo mundo está gostando. “Tudo o que uma pessoa em situação de rua precisa é de privacidade, um lugar em que a criança possa brincar e uma chance de recomeçar”.  

Infraestrutura completa 
Na Vila Reencontro Canindé, do total de 48 residências, 46 seguem o padrão das outras seis já existentes, com 18m². A grande novidade é a implementação de dois módulos voltados a PCDs, com o dobro do tamanho, com 36m², e rampas para acesso desses moradores.    
“A pessoa com deficiência tem direitos e temos que estar olhando com eles, pensando neles como ser humano que precisa de dignidade. Essa sexta-feira é dia de dar dignidade à vida de várias pessoas que terão a sua casa. Entrei em um dos módulos acessíveis e é emocionante o cuidado da atual gestão”, disse a secretária de Pessoa com Deficiência, Silva Grecco.  
O novo espaço da rede socioassistencial foi construído em um terreno de 1.800m² para acolher até 48 famílias. Além dos módulos, dispõe de espaços compartilhados para lazer e convivência dos moradores, como quadra poliesportiva, playground, horta comunitária, refeitório, lavanderia e salas de atendimento social.     
“A inauguração da sétima Vila Reencontro em pouco mais de um ano mostra o avanço da cidade de São Paulo em trazer de volta a dignidade das famílias e fortalecer os vínculos perdidos. É um projeto inovador, de autonomia. Por meio do trabalho dedicado da rede socioassistencial, buscamos proporcionar um ambiente acolhedor e seguro para que esses reencontros aconteçam. E aqui na Vila Canindé incluímos módulos especialmente planejados para atender pessoas com deficiência. É um grande avanço, sem dúvida”, declarou a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Ciça Santos.     
As famílias acolhidas nas Vilas Reencontro têm perfis variados: casais com filhos, famílias monoparentais e outras composições familiares, encontram guarida e a chance de reconquistar a autonomia dentro do projeto. São priorizadas, ainda, famílias com crianças de 0 a seis anos e mulheres com históricos de violência doméstica.  

Outras unidades  
A primeira Vila Reencontro inaugurada pela Prefeitura foi a Cruzeiro do Sul, na Zona Norte, em dezembro de 2022 e com 40 moradias provisórias para até 160 pessoas.    
Em fevereiro de 2023, a Prefeitura entregou a Vila Reencontro Anhangabaú, na Ladeira da Memória, no Centro. O serviço disponibiliza 40 módulos com capacidade para acolher até 160 pessoas.     
A Vila Reencontro Pari, terceira unidade do programa, foi construída em um espaço total de 8.800 m², com 100 casas modulares para até 400 acolhidos. A expansão seguiu dois meses depois, com a abertura da Vila Reencontro Santo Amaro, a primeira da Zona Sul, oferecendo 68 módulos para acolhimento de mais de 270 pessoas.    
Primeira a ser entregue neste ano, a Vila Reencontro Guaianases I levou o projeto para a Zona Leste, com 64 casas modulares, para acolhimento de até 256 pessoas.     
Em maio, a Prefeitura de São Paulo entregou a maior Vila Reencontro até aqui. A unidade Jabaquara I, construída em um espaço de 12.700m², tem 114 unidades entregues na primeira fase. Outras 16 unidades serão entregues na segunda fase. Ao todo, o espaço está projetado para atingir a marca de 130 módulos e 520 vagas.   

Equipe multidisciplinar  
Para atender e acompanhar as necessidades dos acolhidos, a Vila Reencontro Canindé contará com 39 profissionais preparados para o trabalho com esse público. São eles: coordenador; assistentes sociais; psicólogos; auxiliares administrativos; pedagogos; supervisores de cogestão e inserção laboral; supervisores de saúde, educação e acompanhamento social; assistentes de campo nos períodos diurnos e noturnos, cozinheiros; auxiliares de cozinha; responsáveis de manutenção e auxiliares de serviços gerais.     
A equipe trabalha para o desenvolvimento familiar e pessoal dos residentes, pela promoção de direitos, por meio do acesso à rede de políticas públicas, capacitação e apoio à inclusão socioprodutiva, promoção de participação e viabilização da cogestão do espaço. Ações que visam a integração familiar e comunitária, além da promoção de atividades para a apropriação de espaços comuns, o desenvolvimento de habilidades socioemocionais e acompanhamento individualizado com o intuito de promover a saída qualificada do serviço, ou seja, a conquista de autonomia.     
Experiência em acolhimento a pessoas em situação de rua  
A administração do serviço está a cargo do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo (MEPSRSP), com repasse mensal de R$ 387,8 mil. Além da cessão do terreno à SMADS, a Prefeitura investiu mais de R$ 3,3 milhões na instalação do equipamento.    

Programa Reencontro  
O projeto tem três eixos de atuação: conexão, cuidado e oportunidade. O primeiro visa estimular a recriação de vínculos preexistentes e o fortalecimento da rede de apoio. O primeiro elemento de conexão entre o poder público e o indivíduo em situação de rua é a abordagem social, sendo, portanto, um instrumento fundamental de vinculação das pessoas à política pública e às demais etapas e eixos do “Programa Reencontro”.     
Já no segundo eixo, são oferecidas moradias subsidiadas para aqueles que não possuem renda suficiente nas seguintes modalidades: locação social, que é o aluguel subsidiado conforme renda; a renda mínima ou o auxílio pecuniário para pessoas sem problemas de drogadição; moradia transitória ou as unidades com alta rotatividade para que se busque evitar o processo de cronificação, promovendo rápido resgate da autonomia.    
Dentro desse eixo, está prevista a entrega de módulos equipados com cozinha, banheiro, armário e mobiliário de acordo com a configuração familiar para pessoas em situação de vulnerabilidade social. O foco é a conquista da autonomia por parte dos atendidos, através da reinserção no mercado de trabalho e da reconstrução dos vínculos sociais e familiares.     
Cada família pode permanecer entre 12 e 24 meses nas moradias transitórias das Vilas Reencontro. Esse período pode ser estendido de acordo com o acompanhamento da família pela equipe técnica. Além disso, elas devem participar de capacitações profissionais e outros atendimentos sociais com o objetivo de alcançar a independência.     
Os critérios de elegibilidade para acolhimento nas moradias transitórias são as informações do CadÚnico; as famílias em que as mulheres são as responsáveis; núcleos familiares que possuam crianças e adolescentes em sua composição e que estejam em situação de rua por um período mais recente (de 6 a 36 meses).   
E por fim, o eixo oportunidade, consiste na intermediação de mão de obra e emprego, através da capacitação profissional, da alocação em contratos públicos, da busca ativa por vagas e do estímulo à contratação no setor privado.   

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