27/05/2024 às 01h16min - Atualizada em 27/05/2024 às 01h16min

A ressignificação do Spin

Modelo da Chevrolet passa por uma atualização para buscar espaço entre os SUVs urbanos

Há algumas formas de ajudar um carro a escalar nas vendas sem lançar uma nova geração. As mais óbvias são preço, com promoções ou vantagens que afetam o valor, e novidades, com mudanças no design ou adoção de novas tecnologias. A General Motors optou por essa segunda opção em relação ao Chevrolet Spin. Em março, a fabricante promoveu um face-lift que ressignificou o modelo – oficialmente, deixa de ser um monovolume e passa a ser definido pela marca como crossover. A mudança crucial se deu na frente, que elevou o capô, que ficou mais horizontal – um pré-requisito para que o InMetro defina um veículo como utilitário esportivo.
E a mudança fez efeito logo efeito nas vendas. Lançada em 2012, o Spin é o automóvel de passeio mais antigo em produção no Brasil – só as picapes da Volkswagen, Saveiro e Amarok, são mais velhas. Ainda assim, mantinha um desempenho comercial sustentável, mesmo sendo de um segmento tão fora de moda como o de minivans. Com o tempo, no entanto, mesmo esse público fiel vinha minguando. Nos primeiros três anos, passava da média de 3 mil emplacamentos mensais. De 2015 até a pandemia, em 2019, chegavam ao mercado cerca de 2 mil unidades/mês do modelo. Da pandemia para cá, a média vinha ficando em torno de 1.500 vendas. Já no primeiro mês após as mudanças, em abril, passou de 2.300 unidades e maio vai caminhando nessa mesma batida.
Além de ganhar um impulso nas vendas, a chegada de um rival com sete lugares na mesma faixa de preços – no caso, o C3 Aircross – também serviu de incentivo para o movimento da GM. Por fora, a atualização adota a mais recente linguagem visual da marca, com lanternas em led na linha do capô e os faróis logo abaixo, bem semelhante ao da Montana. Por dentro, o Spin traz painel digital de 8 polegadas no mesmo cluster da tela da central multimídia MyLink, com 11 polegadas, com wi-fi. Houve evoluções também na parte de segurança, com airbags de cabeça alongado até a terceira fileira de bancos e possibilidade de contar com alerta de colisão com frenagem automática e saídas de ar para os ocupantes da segunda fileira de bancos, equipamentos presentes na versão avaliada, Premier.
A versão conta também com itens usuais em versões de topo de compactos, como ar automático, abertura e fechamento de travas e vidros pela chave, chave presencial para ignição, faróis e lanterna de neblina, carregador de celular por indução, direção, vidros e espelhos elétricos. Tem ainda rodas de liga leve aro 16, monitoramento de faixa e sensores de luz, de chuva, de ponto cego e de obstáculos traseiro. O volante multifuncional, que tem ajuste apenas na altura, comanda som, telefone e controle de cruzeiro e a central multimídia, com conexão sem cabo e sistema OnStar. O revestimento dos bancos é em couro sintético perfurado e a segunda fileira de assentos é corrediça, para permitir a a distribuição de espaço com os bancos da terceira fileira.
O motor ainda é o conhecido 1.8 SPE/4 Eco, que rende 106/111 cv de potência máxima, com 16,8/17,7 kgfm de torque, com gasolina/etanol. Ele é gerenciado por um câmbio automático de seis marchas, que transfere a força do motor para as rodas dianteiras. Ele ganhou um novo mapeamento que reduziu o consumo avaliado pelo ciclo do InMetro entre 7 e 9%. Mesmo com um aumento de peso na ordem de 57 kg na versão – indo para 1.292 kg. A suspensão também foi reconfigurada, o que aumentou a capacidade de carga, de 495 para 515 kg.
 
Ponto a ponto
 
Desempenho – O novo mapeamento deixou o motor 1.8 menos nervoso – os giros caem bem lentamente –, mas seus 16,8/17,7 kgfm de torque conseguem lidar bem com os quase 1,3 tonelada do Spin. O desempenho é bem comportado e tanto os 106/111 cv e quanto as próprias reações do câmbio automático desestimulam uma tocada mais esportiva. O zero a 100 km/h é cumprido em 11,0 segundos, com máxima de 170 km/h –levemente superiores aos apresentados na linha 2024. Nota 7.
Estabilidade – O novo visual crossover é reforçado por uma distância para o solo aumentada para 17 cm – 3,4 cm a mais. Isso não capacita o modelo para ser considerado SUV nem para enfrentar aventuras mais ousadas. Além disso, a suspensão macia privilegia o conforto e permite um certo grau de rolagem da carroceria nas curvas. Ainda assim, tem boa estabilidade, com dinâmica compatível com a proposta do modelo. Nota 8.
Interatividade – Os comandos estão bem posicionados, mas as configurações do painel e do computador de bordo não é direto nem intuitivo. Requer várias etapas e uma certa familiaridade para navegar entre as informações disponíveis. Já o sistema multimídia tem conexão fácil conexão, sem fio, e o sistema oferece carregador por indução. A segunda fileira de banco corrediça permite adequar rapidamente o espaço interno às dimensões dos ocupantes. Nota 7.
Consumo – O Spin foi avaliada pelo InMetro e obteve índices razoáveis de consumo. Na cidade, ficou com 7,4/10,5 km/l, com etanol/gasolina, e 9,3/13,4 km/l em ambiente rodoviário. São índices melhores que os do modelo 2024, mas ainda assim as notas caíram. Passou de B para C na categoria e de C para D no geral. Nota 6.
Conforto – A suspensão é macia e absorve bem as irregularidades e agora está com um melhor controle da carroceria, com uma menor rolagem nas curvas. Os bancos dianteiros têm bom apoio lateral e são bem ergonômicos. O modelo tem uma boa largura, o que permite que três pessoas viajem na fileira central ainda com algum conforto. O teto alto e a boa área envidraçada colaboram com o ambiente. A terceira fileira de bancos, com dois lugares, é destinado a crianças, pois o assoalho fica muito próximo ao assento. O isolamento acústico não é ruim e é possível manter uma conversa em tom normal. Nota 8.
Tecnologia – O Spin tem 12 anos de mercado e nesse tempo vem recebendo melhorias e agregando tecnologias. A versão Premier conta com monitoramento de faixa, sensor de obstáculos, de ponto cego, de luz e de chuva. Tem um monitor de distância para o carro à frente e conta com alerta de colisão com frenagem autônoma. A central multimídia é moderna, fácil de conectar, não exige cabo e tem wi-fi nativo (requer um chip de operadora). O motor é antigo, mas tem robustez e é eficiente e a transmissão automática de seis velocidades cumpre bem seu papel. Nota 8.
Habitabilidade – O espaço interno generoso, a capacidade para sete passageiros e a versatilidade oferecida pelos bancos ajustáveis na segunda fileira tornam o Spin um bom carro para famílias numerosas. O porta-malas leva só 162 litros com sete passageiros, o que mostra que esta formatação é para o uso urbano. Em viagem, com a última fileira de bancos rebatida, a capacidade sobe para 553 litros. Nota 9.
Acabamento – Os materiais usados no Spin não oferecem luxo, mas parecem robustos. Apesar do uso de uma guarnição em black piano em torno do câmbio e detalhes cromados nos botões tentam emprestar algum requinte, mas o que chama mesmo a atenção são as telas geminadas do painel e da central, que se ressaltam no console frontal. O revestimento do banco é simpático, mas textura dos plásticos é um pouco rústica. Nota 7.
Design – O Spin passou por uma reestilização frontal que adequou o visual à atual family face da Chevrolet. A mudança eliminou o caimento do capô que dava um perfil pouco charmoso e imprimiu um jeito mais robusto. De perfil, sobressaem-se as proteções nos arcos das rodas. Na traseira, a tampa foi redesenhada, com a aplicação de vincos horizontais abaixo do para-brisa e acima do para-choque, que também ganhou novo desenho. As lanternas ficaram mais retangulares e foi instalado um friso entre as lanternas com um acabamento em alumínio. Nota 8.
Custo/benefício – A Chevrolet pede R$ 144.990 pelo Spin Premier com sete lugares. É verdade que a versão é bem equipada, mas o valor é R$ 8 mil acima do C3 Aircross de sete lugares, que sai a R$ 136.590. O Spin é mais completo, principalmente em recursos ADAS, mas o Citroën é mais potente. Nota 7.
Total – O Chevrolet Spin Premier somou 75 pontos em 100 possíveis.
 
Impressões ao dirigir
Sem pressa

A nova cara do Spin deu um ar mais robusto, que até harmoniza bem com a ex-minivan, atual crossover. Isso porque o modelo tem uma construção sólida e um motor que, embora antigo, é dos mais resistentes entre os compactos. Ou seja: não oferece um desempenho avassalador, mas tem um bom nível de confiabilidade. Os modernos motores de três cilindros são muito bons quando novos, mas têm mostrado baixa tolerância com o cotidiano da vida brasileira – calor, poeira, buracos, combustíveis duvidosos, etc. Não é só pelo espaço que o modelo da Chevrolet virou queridinho de taxistas em diversas capitais.
O crossover da Chevrolet ficou com um visual mais moderno e na versão de topo avaliada, Premier, vem bem completa, inclusive com alguns recursos ADAS, chave presencial, mas apenas para ignição (as travas são por comando remoto na própria chave), ar digital automático, rodas de liga leve, acabamento em couro sintético, etc. Quando se entra no habitáculo, fica claro que a vocação do Spin não mudou. É espaçoso, confortável e prático, ideal para famílias numerosas. O espaço é amplo na altura e na largura. Longitudinalmente, é extremamente confortável para cinco passageiros – quando o banco central pode correr totalmente para trás, mas só consegue comportar bem os sete passageiros com crianças na última fileira – não só pela área limitada, mas também pelo acesso difícil, que exige a elasticidade dos mais jovens. Além disso, essa configuração acaba com o porta-malas, que tem a capacidade reduzida de 553 para 164 litros.
Dinamicamente, o Spin é comportado, com um motor 1.8 litro de até 111 cv associado a um câmbio automático que não inspiram esportividade. Por outro lado, é extremamente confortável a bordo. Mesmo com a recalibragem que enrijeceu um pouco a suspensão, que agora suporta 77 kg a mais – 20 de kg de carga e 57 kg de aumento de peso do carro. Os recursos oferecidos superam o principal rival e outros modelos semelhante na mesma faixa de preço. Outro ponto que merece destaque é a nova central multimídia, com conexão fácil e amigável, tela de 11 polegadas e carregador por indução. Já o novo painel digital é menos interativo – a navegação pelos dados do computador de bordo não é direta nem simples. Para um carro com 12 anos de mercado, chega a ser impressionante a revitalização que a GM conseguiu dar ao Spin
 
Ficha técnica
Chevrolet Spin Premier
Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.796 cm³, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro e comando simples no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção multiponto.
Transmissão: Câmbio automático de seis velocidades à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não possui controle de tração.
Potência máxima: 111/106 cv a 5.200 rpm com etanol/gasolina.
Torque máximo: 17,7 a 2.600 rpm com etanol e 16,8 kgfm a 2.800 rpm com gasolina.
Diâmetro e curso: 80,5 mm X 88,2 mm. Taxa de compressão: 12,3:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com barra estabilizadora e amortecedores pressurizados. Traseira por eixo de torção com barra estabilizadora e amortecedores pressurizados. Controle de estabilidade de série.
Pneus: 205/60 R16.
Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. ABS de série.
Carroceria: Monovolume em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,42 metros de comprimento, 1,76 m de largura, 1,69 m de altura e 2,62 m de distância entre-eixos. Airbag duplo frontal de série.
Peso: 1.292 kg
Capacidade do porta-malas: 162 litros/553 litros.
Tanque de combustível: 53 litros.
Produção: São Caetano do Sul, São Paulo.
Preço: R$ 144.900.

AVALIAÇÃO DO CHEVROLET SPIN ACTIV7 PREMIER, por Eduardo Rocha | Auto Press | fotos: Jorge Eduardo Rocha


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