20/05/2024 às 10h10min - Atualizada em 20/05/2024 às 20h02min

Como os daltônicos enxergam o mundo

Distúrbio afeta 350 milhões de pessoas

ALINE LOURENçO
Divulgação
Imagine ver o mundo em cores limitadas, não conseguir enxergar as nuances de azuis, laranjas, vermelhos ou verdes. É mais ou menos assim que os daltônicos enxergam a vida, levando em conta que existem diferentes níveis da condição. A doença atinge cerca de 350 milhões de pessoas no mundo todo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
 
“O daltonismo é a denominação popular do que tecnicamente conhecemos por discromatopsia. A discromatopsia do eixo vermelho-verde afeta a capacidade de reconhecer e distinguir as cores por uma ausência ou deficiência nos cones, que são as células responsáveis pela percepção de cores. A doença tem caráter hereditário, é transmitida pelo cromossomo X de um dos pais. Isso torna sua prevalência muito maior nos homens, pois eles herdam o cromossomo X apenas da mãe enquanto as mulheres herdam um cromossomo X da mãe e outro do pai”, informa Mylene Matsuhara, oftalmologista do Instituto de Olhos Minas Gerais e membro da Sociedade Brasileira de Visão Subnormal.
 
De acordo com a oftalmologista, existem também discromatopsias do eixo azul-amarelo, nas quais o indivíduo não consegue visualizar as cores na faixa azul-amarelo. “Trata-se de uma forma mais rara do problema, que pode ser tanto hereditário como adquirido após algumas patologias oculares. Igualmente rara, na acromatopsia a pessoa enxerga apenas em preto, branco e cinza”, descreve.
 
Dra. Mylene Matsuhara destaca que a avaliação com um oftalmologista e a correta identificação da alteração da percepção de cores são de extrema importância para a correta condução de cada paciente de forma individualizada. Embora não existam recursos de tratamento ou filtros para a cura do daltonismo, a oftalmologista explica que é possível obter uma melhora na percepção de certos espectros de cores com a utilização de lentes oftalmológicas filtrantes. “Existe ainda uma ajuda significativa com a utilização de recursos de tecnologia assistida, como aplicativos que fazem a discriminação e nomeação das cores. De suma importância também são as orientações adaptativas, como identificar lápis de cor e roupas com etiquetas descritivas”, finaliza.
 

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Aline Beatriz Batista Lourenço
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