19/04/2012 às 00h24min - Atualizada em 19/04/2012 às 00h24min

GRUPO TREME TERRA LANÇA SEU NOVO ESPETÁCULO, TERREIRO URBANO, DIAS 21 E 22 DE ABRIL, NO AUDITÓRIO DO MASP, GRÁTIS

No show, que terá a participação do Quinteto Abanã e do MC Gaspar Z’África Brasil – o Treme Terra aprofunda sua pesquisa sobre a cultura afro-brasileira, reunindo no palco música, canto e dança

Sylvio Novelli e Fausto Cabral

A sonoridade, a dança e os elementos tradicionais da cultura afro-brasileira, sobretudo extraídos dos rituais dos terreiros de candomblé, formam a base do espetáculo híbrido “Terreiro Urbano”, que o grupo paulistano Treme Terra vai estrear em São Paulo. Serão duas apresentações nos dias 21 e 22 de abril, sempre às 20h, no Auditório do MASP, com entrada franca.

Sob direção geral de João Nascimento – músico pesquisador da cultura afro-brasileira – e coreografia de Firmino Pitanga “Terreiro Urbano” vai reunir no palco os 17 músicos e bailarinas do Treme Terra e o Quinteto Abanã, grupo que mescla músicas populares brasileiras de matriz africana, com canto lírico e erudito. O espetáculo terá ainda a participação do MC Gaspar Z’África Brasil, uma das principais referências da cultura negra na periferia de São Paulo. Completam a ficha técnica Júlio Dojcsar, responsável pelos materiais cênicos e Vana Marcondes e Lígia Nicácio, que desenharam os figurinos.

Contemporâneo – “Terreiro Urbano” é uma criação coletiva do Treme Terra inspirada na mitologia dos orixás, composta por coreografias e músicas que dialogam com este universo e formam fotografias da diáspora africana e suas influências sobre as outras culturas existentes na grande metrópole. Para o diretor do grupo, João Nascimento, “a ideia não é representar o terreiro tradicional no palco da forma como ele é feito em seus rituais sacros, mas sim, criar uma releitura desta manifestação, um caleidoscópio da cultura afro-brasileira a partir da mitologia dos orixás, seus cantos e movimentações”.

Nascimento classifica o espetáculo como “contemporâneo de composição efêmera, subjetiva e poética, que investiga as manifestações populares dos terreiros, suas movimentações, sonoridades, hábitos, preceitos e fundamentos intrínsecos que fazem parte desta cultura ancestral.” O líder do Treme Terra acrescenta ainda que “a obra expressa o passado como fonte de inspiração e, ao mesmo tempo, como identidade cultural que nos põe unidos apontando para a construção de um futuro comum”.

Erudito – A participação especial do Quinteto Abanã enriquece o repertório musical com a presença de cantos líricos e arranjos eruditos convencionais que dialogam com a musicalidade rítmica dos tambores do Treme Terra. Esta fusão de linguagens cria novas sonoridades, composições inéditas e músicas de domínio público resgatadas das manifestações populares dos terreiros tradicionais.

Cultura de Rua – A participação do MC Gaspar Z’África Brasil amplia as linguagens artísticas e traz ao palco uma nova textura musical apoiada nos elementos da cultura hip hop em contexto contemporâneo. O encontro entre os tambores, os instrumentos eruditos e a poesia falada do MC cria uma sonoridade peculiar que dialoga com as coreografias de dança negra.

A montagem está baseada na representação simbólica de um xirê (cerimônia tradicional de saudação e exaltação a todos os orixás, sequência de danças do candomblé, que começa com Exu e finaliza com Oxalá), uma releitura contemporânea deste rito que busca nesse novo olhar um lugar privilegiado para expressar e comunicar as linguagens corporais e sonoras que dialogam com alguns elementos urbanos.

TREME TERRA
Nascido no ano de 2006, no Morro Do Querosene — bairro paulista com forte tradição cultural como as festas do Bumba-meu-boi, Rodas de Capoeira e Cosme e Damião — o grupo Treme Terra trabalha na valorização e difusão da cultura afro-brasileira por meio de oficinas de formação artística, voltadas para jovens. Em sua sede, hoje localizada no Rio Pequeno, bairro da periferia de São Paulo, são oferecidas oficinas gratuitas para a comunidade local e a partir destas atividades é formada uma companhia de dança e música que cria um espaço de vivência e produção artística propiciando um ambiente democrático de troca e integração sócio-cultural.

A produção artística do grupo consiste na fusão dos ritmos tradicionais da cultura popular (canções resgatadas de manifestações brasileiras de matrizes africana e indígena) e ritmos urbanos que contracenam com as movimentações de dança inspiradas nos elementos da mitologia dos orixás, retratando sonoridades e imagens da diáspora africana e suas influências sobre as outras vertentes culturais existentes na grande metrópole. Utilizando-se de material reaproveitado, tambores de lata, conduítes e sucatas, o Treme Terra desenvolve uma pesquisa sonora de timbres extraídos de objetos gerados pela própria cidade que se somam aos instrumentos acústicos convencionais (surdos, timbais, berimbaus, violão, baixo, entre outros) e constroem trilhas afro-contemporâneas baseadas nos ritmos regionais (ijexá, congo, barra vento, samba reggae, jongo, soli, baô) com funk, hip-hop etc.

Em 2010, o grupo reuniu sua pesquisa e produziu seu primeiro trabalho chamado “Cultura De Resistência”: um álbum multimídia composto por 16 músicas autorais e de domínio público que contou com as participações de Nasi, Gaspar Z’África Brasil, Dinho Nascimento, Toninho Carrasqueira, Caxeiras do Divino da Família Menezes, Orquestra de Caboclos, Eugênio Lima, Marquinhos Mendonça e Décio Gioielli. Também compõe o álbum um documentário em DVD com 16 minutos de duração que discute como algumas manifestações populares sobrevivem à massificação cultural do mercado industrial. Todas as músicas, assim como o documentário, estão disponíveis para download gratuito no site: www.culturaderesistencia.org.br.

FICHA TÉCNICA - TERREIRO URBANO - Treme Terra
Participações especiais de Quinteto Abanã + Gaspar Z'África Brasil
Concepção, coreografias e músicas:
Criação coletiva - Treme Terra
Bailarinas: Ana Landim, Bruna Braga, Bruna Maria, Lígia Nicácio, Jaciara Ferreira, Mariana Franco e Tainá Mendes
Músicos: Adonai Agni, Beatriz Cristina, Cassio Martins, Daniel Laino, Douglas Lima, Eduardo Jazzman, Giovani Di Ganza, Luciano Virgilio, Hercules Laino, João Nascimento, Juliana Carvalho, Junior Santiago, Renato Antunes e Negravat.
Direção geral e direção musical: João Nascimento
Direção coreográfica e preparação corporal: Firmino Pitanga
Direção vocal: Negravat
Figurino: Lígia Nicácio e Vana Marcondes
Cenário: Julio Dojcsar
Iluminação: Wagner Figueira Marzolla
Produção: Alexandre Alves, Adonai Agni e Daniel Laino
Operador de luz: Julio Dojcsar
Operador de som: Cauê
Oficinas de percussão: Daniel Laino, Hércules Laino e Juliana Carvalho
Oficinas de dança: Bruna Braga

SERVIÇO
Dias 21 e 22 de abril, às 20h
Local: Auditório do MASP
Endereço:
Av. Paulista, 1578 – Bela Vista – São Paulo (SP)
Informações: (11) 3266-3645/ 3266-3569
Capacidade: 374 lugares
Grátis
Duração:
75 minutos
Classificação indicativa:
livre


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