27/11/2023 às 17h16min - Atualizada em 28/11/2023 às 00h00min

Recuperação de Crédito: Alerta para Riscos no Fim do Ano

Dra Patrícia Maia, advogada e especialista no setor, traz uma análise das abordagens mais eficientes para esse período

Baronesa RP
divulgação

À medida que nos aproximamos do final do ano, as empresas enfrentam o duplo desafio de gerenciar o fluxo de caixa e lidar com os encargos adicionais típicos do período, como o pagamento de férias coletivas e 13º salário. Essa pressão financeira pode levar à busca por soluções de recuperação de crédito de segunda e terceira linha, uma área delicada que exige muita atenção.

 

Patrícia Maia, advogada especialista em recuperação de crédito da Barbosa Maia, alerta para o aumento de práticas de risco por parte dos empresários. Segundo a especialista, há uma tendência em antecipar cheques, duplicatas e notas promissórias com o objetivo de inflar o caixa temporariamente. "A grande maioria dos empresários está preocupada em aumentar o fluxo de caixa para conseguir comprar matéria-prima e pagar as despesas operacionais", afirma Patrícia.

 

Dados do setor financeiro corroboram a preocupação. Um estudo realizado pela Serasa Experian indica que houve um aumento de 12% nas solicitações de recuperação de crédito no último trimestre do ano passado, comparado ao trimestre anterior. Isso reflete a pressão sob a qual as empresas operam nesse período.

 

No entanto, as ações tomadas sob pressão podem levar a decisões equivocadas. A emissão de títulos sem lastro, conhecidos como "títulos frios", é uma prática que gera um rombo significativo nas finanças de uma empresa a longo prazo. Patrícia Maia adverte: "Isso acaba trazendo um furo gigantesco para o caixa, que depois é difícil de cobrir".

 

Além disso, a antecipação de duplicatas apresenta seus próprios perigos. "Existe o risco de antecipar duplicatas em que há um conluio, um acordo entre cedente e sacado, que chamamos de duplicata simulada", explica Patrícia. No final do ano, a procura por crédito aumenta e, com ela, os riscos associados a operações precipitadas.

 

É vital que as empresas não relaxem os controles habituais no fervor de encerrar o ano no azul. "Não ficar muito atento às operações de final de ano e deixar de lado a confirmação da entrega da mercadoria, a necessidade de analisar o canhoto ou de ligar para o devedor para confirmar se realmente ele adquiriu essa mercadoria pode levar a prejuízos significativos", alerta a especialista.

 

As recomendações de Patrícia Maia são claras: é essencial manter as boas práticas de verificação e confirmação de crédito durante todo o ano, inclusive nos últimos 60 dias, período crítico onde a tentação de cortar cantos é maior.

 

E a especialista finaliza "empresas de recuperação de crédito devem estar preparadas para um aumento na demanda no final do ano, e as que conseguirem manter um equilíbrio entre a agilidade e a cautela serão as que terão mais sucesso em proteger seus clientes — e a si próprias — contra decisões financeiras precipitadas que podem ter graves consequências", aponta. 


 

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