27/09/2023 às 15h13min - Atualizada em 28/09/2023 às 00h08min

Meu professor robô? 

*Daniel Guimaraes Tedesco 

Valquiria Cristina da Silva Marchiori
Rodrigo Leal

 

 

Na minha vida, eu ouvi diversas vezes que “nada substitui o professor”. Nas diversas listas de profissionais que serão substituídos pelas máquinas, o docente aparecia sempre nas últimas linhas, pois seria um trabalho que demanda um raciocínio diferenciado, interação e habilidades emocionais. Mas pelo visto os profetas do futuro não acertaram.  

A contratação recente de uma IA como docente na Universidade de Harvard tem suscitado debates intensos. Enquanto alguns veem isso como uma evolução natural da tecnologia, acreditando que a IA pode ser uma valiosa ferramenta para auxiliar alunos no aprendizado, outros expressam preocupações sobre seu impacto nos professores humanos, na qualidade da educação e nas complexidades éticas envolvidas. 

Sendo eu das exatas e usuário frequente de tecnologia para solucionar problemas digo que é inegável o potencial da IA como ferramenta útil para os alunos. Este feedback instantâneo e personalizado ajuda muito os estudantes que nasceram nesta sociedade conectada. O professor bot será usado justamente em um curso inicial da área de programação e ajudará a identificar e corrigir erros em seus códigos mais rapidamente do que seria possível com um professor humano. Além disso, a IA pode fornecer explicações detalhadas e personalizadas para cada aluno, ajudando-os a entender melhor o material. Contudo, vale a pena ressaltar que o objetivo da instituição com esta iniciativa é melhorar a relação aluno/professor para aproximadamente 1 para 1. 

Contudo, existe um temor de que essa tendência se estenda para todas as disciplinas. Precisamos considerar o impacto disso na qualidade da educação e nas competências profissionais essenciais para os graduandos. Como docente percebo com apreensão o aumento significativo do mal uso de inteligência artificial. Os alunos confiam em excesso nessa ferramenta, muitas vezes copiando respostas sem avaliar se estão corretas. Essa tendência é observada em várias disciplinas, desde as mais simples até aquelas que envolvem cálculos complexos e lógicas intricadas. As limitações das IAs tornam-se evidentes quando temos problemas complexos com suas respostas erradas. Em alguns casos, a IA se comporta como aquele aluno que conhece a resposta final, mas acaba indo por caminhos tortuosos e errados. O meu desejo enquanto docente é que meus alunos adquiram as competências necessárias para atuar em sua vida profissional meu receio reside no potencial das IAs para prejudicar esse processo.  

Por fim, aqueles amigos professores que estão preocupados com o futuro da profissão precisam repensar a sua prática docente. Será que do jeito que ministramos nossas disciplinas já somos bots de conteúdo? Você tem pensado nos conteúdos de forma que seja significativo para o seu aluno ou está apenas entregando conteúdo de maneira robótica? Não sou a favor do ensino utilitarista, mas precisamos repensar se estamos construindo profissionais com as competências necessárias e que usam os conteúdos de acordo com as suas necessidades ou se estamos tornando nossos alunos como meros resolvedores de problemas de listas de exercícios.  

A IA pode ser uma ferramenta valiosa, mas ainda não pode substituir totalmente os professores. É importante garantir que essa mudança seja implementada de maneira responsável e que os professores humanos continuem desempenhando o seu papel fundamental na educação. Afinal, a tecnologia deve ser usada para melhorar a educação, não para substituí-la por outra coisa. 

*Daniel Guimarães Tedesco é Doutor em Física pela UERJ e professor de Matemática e Física dos cursos de Exatas da Escola Superior de Educação no Centro Universitário Internacional Uninter 

 


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