27/02/2023 às 15h07min - Atualizada em 28/02/2023 às 00h00min

Resseguros em 2023: Do ponto de vista latino-americano

Embora os mercados de (re)seguros continuem sendo afetados pela pandemia, pouco a pouco a economia global começou a voltar ao normal

SALA DA NOTÍCIA Thiago Tristão
No último ano, compartilhei com a Brokerslink os desafios de resseguros após a onda pandêmica, um período em que a inflação global ainda não havia sido divulgada, e antes da invasão russa na Ucrânia.

Em janeiro de 2022, estimei que o ano provavelmente não seria “tranquilo”, e isso se concretizou. Embora os mercados de (re)seguros continuem sendo afetados pela pandemia, pouco a pouco a economia global começou a voltar ao normal. Entretanto, outros desafios vieram à tona, nos últimos 12 meses, como os desastres naturais.

Os números comprovam. Estudo da Munich Re contabiliza em torno de US$ 270 bilhões em perdas totais e aproximadamente US$ 120 bilhões em perdas seguradas, provocadas por desastres naturais em 2022. O furacão Ian foi responsável por mais de um terço das perdas totais e por cerca de metade das perdas seguradas em todo o mundo.  

Além das catástrofes naturais, que têm se tornado cada vez mais extremas, frequentes e caras, há razões para o setor ficar apreensivo com os eventos de média dimensão, como incêndios, tempestades, inundações ou granizo.

Outro exemplo vem do Brasil. No primeiro semestre de 2022, a quebra de safra por problemas climáticos impactou o pagamento de R$ 7,7 bilhões de indenizações a produtores, dentro do programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), do Ministério da Agricultura. O valor foi 353% superior ao registrado em igual período de 2021.

Além das terríveis mortes e transtornos incalculáveis para muitas famílias, a invasão da Ucrânia pela Rússia tem influenciado vários segmentos diversos. A guerra trouxe danos generalizados e escassez em diversas áreas, incluindo escassez em fertilizantes, energia, materiais e mão de obra, e o mercado de seguros claramente também foi impactado por essa turbulência econômica.

Os níveis inflacionários vistos no mundo todo, fizeram subir os prêmios de seguros. Por exemplo, o aumento dos custos de construção levaram à um aumento nas importâncias seguradas. Também houve aumento no valor dos automóveis, devido à alta nos custos de produção – devido à uma falta mundial de semicondutores, interrupção de entregas e grandes aumentos no custo da energia. Tudo isso causa perdas diretas e redução de lucros, tanto para os consumidores quanto para o mercado de seguros como um todo.

Desde o início da guerra, apólices de seguro gerenciadas por todo o mercado, tem sido impactadas, e isso se aplica também par a MDS Brasil. A pressão pelo aumento de taxas e franquias, se tornou necessária para o time da MDS Brasil aplicar toda sua expertise técnica e ferramentas para dar suporte aos clientes – muitos dos quais estão se deparando com prêmios mais elevados, ao mesmo tempo que estão lutando contra pressões econômicas mais amplas e diminuição na demanda.

Tempos como este exigem sofisticação técnica, criatividade, e forte comunicação com o cliente para apoiá-los a terem melhor compreensão dos seus riscos – um processo que pode ajudar a reduzir os aumentos dos prêmios ao mínimo possível. Os corretores têm um papel fundamental em ajudar os clientes a identificarem e avaliarem suas próprias fraquezas, e preparar planos de ação para mitigar esses riscos. Os corretores, por exemplo, precisam avaliar os possíveis atrasos devido à reposição de peças, além de outros muitos outros problemas, já que os longos prazos de entrega se tornaram regra devido à continua demanda da cadeia de abastecimento global.

Toda a equipe do MDS Group, está com foco total nas necessidades dos mercados que atende, para apoiar os clientes a navegarem por esses tempos desafiadores e prepará-los para o que está por vir.  Como no ano passado, 2023 será igualmente desafiador, principalmente na América Latina, pelas incertezas macroeconômicas e instabilidade política em vários países e uma possível recessão global.
 

*Thiago Tristão é vice-presidente de Riscos Corporativos da MDS Brasil e CEO Brasil da MDS Reinsurance Solutions
 
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