11/02/2015 às 21h20min - Atualizada em 11/02/2015 às 21h20min

Haddad quer destruir uma das poucas áreas da Mata Atlântica que resta em São Paulo

Manifestantes são oprimidos na Av Paulista esta tarde

Erikc Strada
Deborah Albuquerque - Gazeta

Em dezembro de 2013, o prefeito Fernando Haddad revogou o decreto de utilidade pública de uma área verde de quase 1 milhão de metros quadrados nas margens da Represa Billings, o que equivale a uma área verde de 104 campos de futebol. O decreto era um dos requisitos para a criação do Parque dos Búfalos, uma demanda dos 70 mil habitantes do Jardim Apurá, na Zona Sul, área pobre de São Paulo onde há carência de espaços verdes.

Sem o decreto, abriu-se caminho para que a Prefeitura, junto com os governos estadual e federal, construa 193 prédios com 3.800 apartamentos pelo programa Minha Casa Minha Vida. A demanda por moradias populares é legítima, mas a escolha do Parque dos Búfalos para esse projeto vai trazer graves problemas para toda a cidade:

-> Mais de 70 mil pessoas perderão importante espaço de qualidade de vida numa região carente de espaços de lazer e cultura - o parque mais próximo seria o Ibirapuera, a 20 Km de distância (duas horas de ônibus);

-> Destrói uma das pouquíssimas áreas que restam de Mata Atlântica em São Paulo;

-> Prejudica uma represa que abastece a cidade em meio a maior crise d'água de todos os tempos. Serão mais de 190 prédios perfurando o lençol freático com suas obras de fundação. As chances das 8 nascentes serem destruídas e poluídas é gigante. 

-> A chegada de quase 15 mil pessoas na região agravará ainda mais os já existentes problemas de infraestrutura e escassez de serviços públicos, quando há diversas áreas mais adequadas para receber esse impacto. 

Defendemos a construção de moradias populares que realmente atendam aos interesses da população e não à escolha de uma construtora contratada. O movimento "Parque dos Búfalos já" sugeriu à Prefeitura que as habitações sejam construídas em 6 terrenos próximos de corredores de ônibus, escolas, do Hospital da Pedreira e do Shopping Interlagos. Muitos deles tem dívidas de IPTU maiores que seus valores venais e poderiam ser desapropriados. Além disso, possuem capacidade para construir mais que o dobro de unidades de habitação, ou seja, mais de 7 mil apartamentos.

Alguns manifestantes saíram pela Av Paulista hoje a tarde, mas foram fortemente oprimidos pela polícia local.

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