03/02/2015 às 15h12min - Atualizada em 03/02/2015 às 15h12min

Breno Mazer

Ator

Thiago Santos

 Thiago Santos: Quem é o ser humano Breno Mazer?

 Breno Mazer: Determinado, otimista e muito detalhista.  Uma das minhas maiores qualidades é o esforço. Gosto de correr atrás do que me faz bem. Sou uma pessoa que tem muita fé em meus projetos, mesmo sabendo que vou ter uma dificuldade enorme, mas sempre com um  pensamento positivo.

 

 Seu primeiro passo em prol da arte foi dado aos seis anos de idade?

 Tudo começou quando eu tinha aproximadamente 6 anos de idade. Já vivia no mundo da dança, e também amava representar. Assistia várias novelas e via algumas crianças atuando. Com isso sempre citava para a minha mãe que queria ser igual a elas. Tudo aquilo tinha uma mágica, sentia um amor inexplicável. E na fase da  adolescência comecei a me interessar pela música, então entrei em uma escolhinha, e já adorava todos os instrumentos... Sabia tocar quase todos, e até lembro que gostaria de ser maestro.

 Tudo isso para no fim, mergulhar no mundo do teatro e hoje não vivo sem. A arte teatral, tem hoje para mim o mesmo efeito do oxigênio, inevitável viver sem!

 

 Hoje quais seriam suas palavras em relação aos seus pais por ter lhe apresentado o fascinante mundo da Arte?

 Orgulho, Satisfação, realização e fé.

 

 O que é teatro segundo o seu pensar?

 É uma das artes mais incríveis entre todas as artes existentes!  Quando algumas pessoas não reconhecem a paixão que temos pela profissão, logo pensam que teatro é brincadeira, que teatro é coisa de gente que não tem nada para fazer, porém desconhecem o lado mágico do teatro. Pois se trata de uma das profissões que  exigem  muito estudo, é um trabalho bastante difícil, exige muita dedicação e muito esforço.

 É maravilhoso encarnar um personagem totalmente diferente que você, deixar seus costumes, deixar suas manias, seus gostos e deixar o personagem tomar conta do seu corpo, da sua alma...  É incrível poder representar a vida de um espírito humano, representar, mostrar uma mensagem para o público. É vibrante sentir a energia do público, sentir a aceitação, e isso é uma das coisas que eu mais amo  fazer no teatro, agradar ao público, graças uma ótima interpretação pessoal e também coletiva!

 

 Já no teatro seu primeiro personagem foi o de um garoto pobre que sofria devido a desigualdade social?

 Sim.  Meu primeiro personagem no teatro foi o Emílio, era um garoto que sofria desigualdade social por conta de ser pobre, e filho da empregada que trabalhava em uma casa, de uma família bem rica. Logo ele “cria um confronto” com um dos filhos da família rica, o personagem era bem brincalhão e engraçado... As características do personagem tinha tudo a ver comigo, mas ainda não tinha achado esses elementos em mim mesmo. Esse personagem me marcou bastante, me lembro que o meu Diretor pediu numa certa vez  para que eu fizesse um cena em que o personagem deveria dançar, e como era meu primeiro trabalho, fiquei muito nervoso, e é claro, muita vergonha de poder fazer essa cena. Felizmente, no fim deu tudo certo!

 

 O que representa a aceitação por parte do público em relação ao seu trabalho?

 Magnífico. É gratificante para nós atores sentirmos a aceitação por parte do público. Particularmente, me sinto realizado vendo o público satisfeito quando faço comédia. Não que eu goste só de comédia, até porque  amo fazer drama e outros tipos de gêneros. Mas a comédia ganha o público, com isso fico  emocionado ao  ver no olhar de todos ali presente, toda uma satisfação em relação ao espetáculo. Isso sim, não tem preço!

 

 Como encarar toda dificuldade existente para um artista em nosso país?

 É complicado. Já que somos tratados muitas das vezes como desocupados. Mas todos os artistas encaram essas dificuldades por conta da arte. Por isso, estamos nos empenhando para  que essa desvalorização acabe e que a arte, e os artistas que por elas vivem, sejam valorizados!

 

 O Sonho de Sophia?

 Foi a 6° peça em que participei.  O tema abordado era sobre o Golpe de 64! Aprendi muitas coisas, levei comigo várias lembranças e preciosas reflexões para a minha vida. Interpretei dois personagens, o Danilo, e Tia Harper. Danilo foi personagem 'light', super tranqüilo, não me deu muito trabalho para poder criar, ele era engraçado, brincalhão e as vezes sincero demais, até queria que a personagem Sophia,  de uma vez por todas se declarasse para o Igor, e toda essa preocupação era porque o personagem Danilo, tinha por ela grande carinho e queria que ela fosse muito feliz.

 Já a Tia Harper, deu um pouco de trabalho a mais, porque quando eu peguei o texto, ele estava escrito noutro idioma,  e então, eu e a atriz que dividiria o palco comigo, tivemos que fazer a tradução, objetivando uma  linguagem em que o público entendesse, portanto, trabalho em dobro já que havia uma exigência maior, de interpretação, de corpo e de voz.

 Ainda bem que tivemos um resultado maravilhoso. A Tia Harper, era uma senhora misteriosa que escondia alguns segredos de sua sobrinha. Hálice (Sobrinha), era muito desconfiada, ela queria saber o que a tia tanto fazia naquele galpão! O porque de  tantos gritos? Porque haviam  pessoas machucadas? O porque de  tanto mistério? Porém, o público não chegava a ver o que acontecia dentro do galpão e era isso que deixava mais legal, já que o objetivo era deixar no ar um ponto de interrogação. E assim, concluímos todo o trabalho de produção, subimos ao palco e levamos ao público bons e agradáveis momentos!

 

 Marmottart?

 É um grupo de teatro em que faço parte. Nós nos conhecemos quando fazíamos aulas numa oficina de teatro e a cada semestre era uma turma nova. Logo tivemos uma oportunidade concedida pelo nosso Diretor, para que juntos, pudéssemos  montar um grupo de teatro, já que no bairro não dispunha de muitos grupos.

 Criamos o grupo e depois de um tempo tivemos várias dificuldades, vários conflitos, pessoas desistiram mas felizmente outros continuaram. Seguimos em diante mesmo tendo várias dificuldades.  Quando chegamos no segundo semestre de 2013 o ator-autor Victor,  criou um texto extraordinário, incrível sobre O Golpe de 64. Na época  não tínhamos nenhum projeto pronto. Logo no segundo semestre de 2014 decidimos mandar um projeto, com outro projeto em que acontece saraus em praças públicas no bairro de São Miguel Paulista. Para o programa PROAC , em que contempla projetos culturais, com isso ganhamos o edital, e em Abril de 2015, vamos começaremos as apresentações!

 

 No final do ano passado você atuou na peça Peccatum?

 Sim. E sou muito grato aos diretores, aos atores e também para com o Autor Plínio Marcos.

 Essa peça me fez descobrir toda uma capacidade individual em relação a interpretação quanto ao gênero drama. Me lembro que quando comecei a fazer a preparação, senti medo,  porque antes dessa peça eu só vivia no cômico, era só comédia e mais comédia...  E quando  fomos desafiados a pegar o texto do Plínio,  tive que me jogar e fui.

 Os textos do Plínio,  tem uma dramaticidade enorme sobre drogas, cadeias, sexualidades, moradores de rua e  prostituição. São bem pesados, por isso, desafiantes. E o meu subgrupo pego o texto Homens de Papel. Esse texto, abordava a história de um  grupo, formado por alguns homens e mulheres. A qual viviam na cidade de São Paulo, em busca da sobrevivência. Um grupo fascinante, que em meio ao caos, sempre estavam sorrindo e cantando!

 Minha personagem era uma  homossexual, a Chicona. Ela era muito folgada, muito fofoqueira e invejosa. Gostava de fazer brigas e se sair como uma pessoa certa. Então, tive que ter uma preparação não só na interpretação mas no psicológico e também no corpo. Acredito que se é pra  fazer bem feito e com uma realidade maior eu topo!

 Felizmente, a alegria me tomou, já que conseguimos levar ao público, um ótima, e bela apresentação!

 

 Para finalizar nos fale dos seus projetos atuais e futuro!

 No momento estou estudando teatro profissionalizante.

 Teatro do Improviso 'Playback Theater'. Em outra instituição

 Também  num projeto com a minha companhia de teatro Marmottart. A qual levaremos ao publico, uma peça sobre Ditadura Militar... Já começaram as produções e está prevista para estrear em Abril de deste ano.

 Em Março, farei um processo seletivo em uma escola de teatro, especificamente para  um curso de Dublagem.

 Também pretendo fazer neste ano um curso de interpretação para cinema.

 E estou cursando uma segunda profissão, fazendo faculdade de Rádio e TV!

 Em relação aos projetos futuro. Pretendo cursar faculdade de cinema, já que sou uma pessoa   muito observadora e por isso, gosto de dirigir e também  escrever.

 Pretendo entrar na EAD (Escola de Arte Dramática) (USP).

 E um sonho que  pretendo realizar logo é estudar Interpretação fora do Brasil.

 Acima de tudo quero que a arte prevaleça sempre na minha vida!

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