30/04/2021 às 14h12min - Atualizada em 30/04/2021 às 18h05min

Na Cúpula do Clima, Brasil diminui o tom, mas não convence

André Castro Santos e Flavia Bellaguarda
Créditos da imagem: CNN Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, convidou chefes de Estado de 40 países para abordar as mudanças climáticas globais, em reunião que ocorreu em ambiente on-line. Um dos principais objetivos foi reposicionar os norte-americanos como liderança nos debates travados nas arenas internacionais de negociação sobre este tema.

 

Na gestão anterior da Casa Branca, Donald Trump adotou medidas baseadas no negacionismo: retirou verbas de políticas climáticas nacionais, reforçou políticas de subsídio ao setor de combustíveis fósseis e deu início ao processo de retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris. Biden, agora, trabalha para reverter o estrago.

 

O Brasil, que nos últimos anos adotou postura subserviente a Trump, alinhou-se à mesma forma de lidar com o tema. A atual gestão do Governo Federal reduziu verbas e os instrumentos de governança internos relacionados às mudanças climáticas. Além disso, desde 2017, as taxas de desmatamento da Amazônia sobem continuamente. Este cenário fez com que o Brasil perdesse o papel de liderança que costumava desempenhar nas negociações internacionais do clima.

 

Mas agora, que a banda está sendo comandada por Biden, o Brasil teve que ajustar a sua dança. Foi nítida a mudança de tom adotada pelo mandatário brasileiro na cúpula. Se em 2020, a estratégia foi culpar ONGs e comunidades tradicionais pelas queimadas na Amazônia, em 2021 o presidente brasileiro preferiu se defender, dizendo que o Brasil não degrada tanto assim o seu meio ambiente e prometendo dobrar o investimento em fiscalização ambiental.

 

O discurso brasileiro foi bem recebido pelos Estados Unidos, embora envolto por ceticismo. A desconfiança se justifica: cerca de 24 horas após o discurso na Cúpula, o governo brasileiro anunciou corte de mais de 35% do orçamento previsto para o Ministério do Meio Ambiente. A postura brasileira em relação à sua política ambiental interna é, portanto, absolutamente incoerente com o novo discurso apresentado no encontro promovido por Biden.

 

Apesar da mudança de tom, o Brasil permanece agindo como pária no campo internacional do clima. As mudanças climáticas são tema que interessa a toda a comunidade internacional, de modo que a Amazônia, enquanto fundamental reguladora do clima do planeta, é objeto de atenção de todos. A teimosia em estar na contramão da história faz o Brasil perder dinheiro, oportunidades e testa a paciência das potências internacionais, que historicamente buscam pretextos para se apropriar da Amazônia. Ao bater o pé no seu direito de desmatar, o Brasil, na verdade, põe mais em risco do que reafirma sua soberania sobre a maior floresta tropical do mundo.

 
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