12/11/2020 às 22h49min - Atualizada em 12/11/2020 às 21h43min

Fake news e Cyberbullying é um perigo real à vida das pessoas. Veja o caso recente de uma vítima de haters maliciosos

Jornalista sofre ataques na web, aciona judicialmente e faz queixa-crime aos agressores em 3 países

Divulgação

O Bullying se caracteriza por agressões, físicas ou verbais, intimidação e humilhação por parte de um agressor. No entanto, com a evolução tecnológica, este tipo de crime passou a expressar-se também através de meios digitais. E assim surgiu o Cyberbullying, onde os agressores recorrem a plataformas como redes sociais, chats, mensagens, entre outros, para levar a cabo as suas agressões às vítimas.

A pandemia e o isolamento social levaram a mudanças profundas nos modelos de trabalho, ao uso maciço de videoconferência, de reuniões e atividades onde as interações passaram a ser feitas somente por meio virtual. No entanto, ao mesmo tempo a falta de contato físico permitiu o agravamento de um problema ainda maior: o cyberbullying.

No Brasil, um levantamento realizado em 2018 pelo Instituto de Pesquisa Ipsos com um público entre 8 e 16 anos mostrou que 66% presenciaram casos de agressão na internet; outros 21% afirmam ter sofrido cyberbullying; 13% afirmaram zombar de alguém por sua aparência; 7% marcaram alguém em fotos vexatórias; 3% ameaçaram alguém; 3% zombaram alguém por conta de sua sexualidade. 

O cyberbullying aliado às fake news tornam inseguro o mundo digital e podem afetar verdadeiramente a vida de quem é alvo desses ataques.

No entanto, tal prática pode ser vista em outros setores da sociedade, e não apenas envolvendo a população jovem. Para se ter ideia, agressões podem ocorrer até em meios onde se espera a participação de pessoas com grande desenvolvimento intelectual, e as agressões podem surpreender até quem jamais imaginava ser vítima desta situação. Assim foi o caso do jornalista que possui várias formações Fabiano Rodrigues, que, mesmo reconhecido pelos amplos conhecimentos em suas áreas, foi vítima de fortes ataques em uma rede social.

Segundo Fabiano Rodrigues, as agressões partiram em um grupo formado por pessoas que se dizem superdotadas: “Acreditei que neste grupo encontraria pessoas para poder participar de uma pesquisa científica que estou desenvolvendo sobre QI lógico e inteligência plena. Lá anexei uma matéria que falava sobre mim para que as pessoas pudessem saber quem eu sou e ter a devida credibilidade sobre meu nome. Além disso, poderiam comprovar que sou um cientista e tenho inclusive um centro de pesquisas”.

Porém, a recepção no grupo não foi a esperada, conta o cientista: “Fui atacado por pessoas que já me agrediram há mais de um ano, em um grupo de uma associação de pessoas inteligentes, que era algo bem restrito. O ataque deles parte por duvidam do número do QI publicado na imprensa, só que eu tenho testes e documentos que o comprovam. Mas, para eles, parece ser algo tão surpreendente que eles não aceitam.”. Além disso, Fabiano conta que nas críticas que recebeu, os agressores “questionaram algumas das minhas formações que adquiri ao longo desse ano, e não levaram em consideração a capacidade que tenho de estudar diversos cursos de forma simultânea, que foi uma maneira de exercer a minha saúde mental em meio à pandemia”.

Assim como uma bola de neve, as agressões contra Rodrigues só aumentaram: “Esses ataques foram tomando proporções e essas pessoas se juntaram a outras, prejudicando minha imagem”. O efeito disso foi preocupante, ele detalha: “Sempre procurei ter uma imagem intacta, de uma pessoa com valores morais e éticos, e que, acima de tudo, respeitasse os outros. Só que o meu senso de justiça foi afetado psicologicamente”.

A solução para esta situação de Cyberbullying, foi entrar com uma ação judicial contra os agressores: “Recorri ao meu advogado Anselmo Ferreira Costa Melo, ele é um profundo conhecedor das leis e tem equipes em mais de um país. Então, como a internet é um ambiente internacional, e possuo duas cidadanias, o processo correrá tanto no Brasil como em Portugal”, detalha.

O processo foi distribuído pelo advogado Anselmo Ferreira Melo Costa no Brasil onde foi distribuída na 1ª Vara Criminal de Jacarepaguá nesta quarta-feira, dia 27 de outubro. Como réus, estão os agressores Danilo Linhares Rodrigues, Caleb Silva, Marcos Silva, Sergio Braga, Bruno Sanches, Bruno Casaes Teixeira e Nilson Vicente.

No caso de uma pessoa estar sendo vítima de cyberbullying, o advogado orienta a vítima a fazer um boletim de ocorrência em delegacia, com a indicação do suspeito. "Jamais apague o conteúdo. Armazene, tire prints do material, com data e horário, e guarde isso tudo. Materialize a prova, isso será essencial", acrescenta. Se for o caso, pode-se entrar também com ação judicial contra o provedor do serviço, como a operadora de telefonia, com o grupo no Facebook, contra a rede social para que possa rastrear dados do responsável pelo conteúdo enviado.

Identificado o agressor, caberá ação judicial na esfera civil, com indenização, e ação judicial na esfera criminal, para punição do agressor. “Existe também a possibilidade de exclusão do conteúdo, por meio de notificação extrajudicial aos sites que hospedam o conteúdo ofensivo”, explica o advogado.

Também foi questionado por esses nomes um dos diplomas de Rodrigues como psicólogo em uma universidade americana. O reitor desta universidade fez queixa-crime em Brasília, também nos Estados Unidos, com denúncia no FBI e processo. Também disse que vai acionar o Ministério das Relações Exteriores. 

“Crimes como esses em países como Estados Unidos e no continente Europeu é gravíssimo e pode até mesmo impedir a entrada dessas pessoas nos países do bloco.” Disse Italu Colares reitor da universidade EBWU. 

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