20/10/2020 às 16h59min - Atualizada em 20/10/2020 às 16h57min

Senador defende legalização do jogo como fonte de receita

O senador Ângelo Coronel (PSD-BA), em conversa com a Rádio Senado, defendeu a legalização dos jogos de fortuna como forma de conseguir mais receita fiscal. De acordo com o senador, a legalização dos jogos poderia trazer mais 50 bilhões de reais de receita para o Estado federal em cada ano. Os números são econômicos, segundo Coronel, pois poderiam se aproximar dos 70 ou 80 bilhões. O senador avança que esta medida é essencial para acelerar o crescimento econômico do Brasil.

Liberação total, e não apenas dos cassinos resort

Ângelo Coronel foi bem claro em sua opinião sobre a dimensão total da liberação que pretende. Ele se mostrou contra uma liberação limitada aos cassinos resort, do jeito que está sendo debatido em Brasília. Coronel falou que o jogo já é uma questão social, atualmente, e nem sequer se referiu aos jogos de roleta online que são acessados legalmente através da internet (pois seus sites são gerenciados por empresas estrangeiras). O senador deu o exemplo do jogo do bicho que é, na Bahia e não só, uma fonte de emprego e renda para um grande número de pessoas. A legalização do jogo do bicho traria, segundo as contas do senador Coronel, 700 mil empregos diretos e 600 indiretos, com a vantagem extra de tirar as pessoas da clandestinidade.

Necessidade de equilibrar contas públicas

Durante a entrevista com o jornalista Adriano Faria, o senador Coronel lembrou que há atualmente 14,5 milhões de pessoas se beneficiando do programa Bolsa-Família, que deverá se transformar em Renda Cidadã em um futuro próximo. O voucher temporário que está sendo distribuído chega a 60 milhões. O senador lembra que é necessário gerar nova receita para pagar nova despesa, e que a legalização dos jogos de fortuna pode pagar, por si mesma, os 33 bilhões de reais gastos atualmente com o Bolsa-Família.

Questionado por Adriano Faria sobre a “resistência histórica” da sociedade brasileira à ideia de cassinos legais, o senador acrescentou que é tempo de os setores mais conservadores do Congresso deixarem argumentos do passado. A lavagem de dinheiro e outras atividades ilegais, segundo o senador, não acontecem em outros países devido aos meios tecnológicos e de controlo que os governos atualmente exercem (com registros de todas as transações, por exemplo). O senador empregou palavras duras, acusando quem usa esses argumentos de ignorância e de desconhecer o que se passa em outros países. Falou também na “hipocrisia” de quem defende o perdão de dívidas às igrejas e recusa a liberação do jogo.

Vale lembrar que, no passado mês de setembro, o presidente Bolsonaro se mostrou contra a hipótese de ter um perdão a dívidas de igrejas, seguindo a opinião do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Cassinos resort são, de momento, o caminho mais provável

A opinião do senador chega em um momento que, como é do conhecimento geral, a solução preferida pelo governo será a da legalização limitada aos cassinos resort. Deverá ser permitida a criação de complexos turísticos gigantes, em um número limitado em cada estado, com apenas uma porcentagem de sua área reservada a salas de jogo (o resto seriam restaurantes, hotéis, etc.). Essa solução, por ser mais limitada, criará também menos oposição à decisão do governo e do presidente Bolsonaro.

 
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